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Após incêndio, Cachaça Bem Me Quer terá canavial orgânico

A notícia empalideceu a celebração do Dia Nacional da Cachaça, no último domingo: um incêndio havia atingido o canavial da Cachaça Bem Me Quer, em Pitangui (MG). Os bombeiros estavam no local tentando salvar algo dos 30 hectares de plantação. “Dava vontade de chorar”, diz o produtor José Otávio de Carvalho Lopes, que toca a marca ao lado da esposa, Rosana Romano. “Teve uma hora em que quase reuni os funcionários e disse para deixar queimar. O vento estava muito forte e espalhava o fogo muito rápido”.

Dois dias depois, no entanto, Zé Otávio tranquiliza os devotos da sua linha de cachaças, que tem duas variedades recentemente premiadas no Ranking Cúpula da Cachaça (Bem Me Quer Prata, segunda na categoria Inox, e Bem Me Quer Ouro, 16ª entre as Armazenadas/Envelhecidas): “A Rosana (Romano) sempre reclama que eu produzo cachaça demais, diz para eu vender a cana excedente. Eu digo para ela que é melhor ter cachaça no tonel do que dinheiro no banco. Então, estamos com 400 mil litros de cachaça estocados. A produção vai diminuir por um tempo, mas não há nenhum risco de alguém ficar sem Cachaça Bem Me Quer”, garante.

O incêndio

O fogo se espalhou pelo canavial em dois tempos. O primeiro incêndio ocorreu na noite de sábado. Por volta de 20h, o alerta foi dado. Os funcionários do Alambique Santíssima e da Fazenda Santo Antônio das Pitangueiras foram alertados e correram para dar combate ao fogo. Apesar de haver vias entre os canaviais, o vento espalhava muito rápido fragmentos de palha incandescentes, que agiam como verdadeiras buchas.

Tentávamos catar essa palha no chão, mas o que a gente conseguia era pouco diante do estrago”, conta Zé Otávio. “É um período muito seco nessa região. A umidade estava em 15%”.

Finalmente, com a ajuda dos bombeiros, o fogo cessou por volta de 3h de domingo. Zé Otávio foi dormir sem saber o tamanho do prejuízo.

Às 8h, no entanto, veio o segundo alerta: o fogo havia recomeçado e ameaçava atingir a pastagem. “Se isso acontecesse eu teria que abrir a porteira e deixar o gado ir para o vizinho, diz o produtor.

O combate às chamas se reiniciou. Os bombeiros tentaram usar turbo ventiladores hidráulicos, que acabaram por espalhar mais ainda o fogo. Em um momento dramático, um trator que dava combate ao incêndio teve um de seus enormes pneus furados. O funcionário, no entanto, que estava cercado pelo fogo, manobrou para sair da zona de risco, mesmo com o pneu avariado.

No fim da tarde de domingo, com o incêndio debelado, veio a constatação: 27 dos 30 hectares de cana plantada foram destruídos. Como a fazenda é localizada perto de uma rodovia (BR 352) e em área praticamente urbana, os bombeiros levantaram a hipótese de que o incêndio tenha sido criminoso, provocado por algum cigarro aceso jogado sobre a vegetação.

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Cachaça Bem Me Quer: tocando em frente

Diante do tamanho do estrago, Zé Otávio admite que se sentiu desanimado. Mas a esposa dele, Rosana, disse: “Zé, nós não estávamos pensando em plantar um canavial orgânico? Então, olha a oportunidade!”.

O produtor se animou com a ideia, que o casal já acalentava há alguns anos, mas acabava adiando, e começou a tocar o projeto na segunda-feira. “Já conversei com minha área técnica. Vamos começar a tomar as providências ainda essa semana. Logo o projeto vai estar no papel”, diz.

Em algum tempo, então, das cinzas do velho canavial, surgirá a Cachaça Bem Me Quer em versão orgânica.

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Zé Otávio realmente não tem tempo de se lamentar. Com acordo com duas marcas que vão levar a cachaça produzida por ele para os Estados Unidos e a Europa, ele planeja melhorias na sua destilaria. “Vamos mexer para melhorar a produção, com um novo alambique, e fazer uma gestão mais eficiente da água, em circuito fechado. E também vamos terminar nossa sala de degustação. Precisamos mais estrutura para receber visitantes. O pessoal sempre nos procura com essa demanda”, diz.

Mesmo a cana queimada não será de toda desperdiçada. Imprópria para a produção de cachaça de qualidade, vai virar álcool combustível.

Ao longo dessa semana, Zé Otávio está recebendo um fotógrafo contratado por seu parceiro americano. “Eles estão particularmente interessados em cachaças premium, em especial a umburana”, diz ele, confirmando o interesse crescente dos gringos pela cachaça armazenada em madeiras brasileiras.

Ele ainda segue tocando um projeto de reflorestamento de madeiras usadas em tonelaria que vai ocupar uma área da fazenda. “A gente vai ficando mais velho e mais ecológico. Já tenho uma situação tranquila. Vou dar essa colaboração. Eu não vou ver essa madeira, mas quem continuar com a Bem Me Quer vai”, diz o homem dos 400 mil litros de cachaça.

Leia aqui o resultado final do IV Ranking Cúpula da Cachaça

Por Dirley Fernandes

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Um comentário

  1. Assim como a Fênix renasceu das cinzas, que o novo canavial floresça e cresça doce e verdejante, para que possamos nos deliciar e orgulhar da Bem Me Quer orgânica. Quem venham agora os bons ventos (e um pouco de chuva também…)

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