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Quentão do chef Carlos Ribeiro

Receita de quentão é com cachaça. Três opções para aquecer a alma junina

Chegou o tempo dos festejos dos santos das colheitas, dos casamentos, das festas, da fartura. E, assim sendo, é boa hora de falarmos sobre receita de quentão, a bebida tradicional que acompanha no Brasil os quitutes juninos, quase sempre à base de milho. Já desfilaremos algumas por aqui e de pronto aviso: quentão, para a gente aqui da redação do Devotos, só vale se for à base de cachaça.

Explico: de uns tempos para cá ganhou corpo a mania de chamar receitas à base de vinho aquecido de quentão. Nas terras meridionais, os gaudérios o fazem desde os tempos da cadeia da legalidade e já há uma geração inteira que estranha saber que receita de quentão é tradicionalmente com cachaça.

Nada contra a bebida de Baco em si – muito pelo contrário -, mas é justo reivindicar o nome ‘quentão’ para o universo da cachaça. Essa é a base clássica e que se coaduna com a vocação popular dos festejos de Antônio, João Batista e Pedro.

E nos referindo à etmologia, Daiane Oliveira, do site Almanaque SOS, descobriu no livro ‘O dialeto caipira’, publicado em 1920, uma referência à bebida. Conferimos e está lá na página 159 a definição: “Quentão: aguardente aquecida com gengibre e açúcar”. Portanto, não há muito espaço para dúvidas. Ocorreu que os gaúchos adaptaram a bebida ao que tinham à mão, os vinhos. Mas, como já há cachaças sul riograndenses para lá de boas (Casa Bucco, Velho Alambique, Weber Haus…), bem fariam os gaudérios em variar a base de seus quentões.

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Falando em ascendentes europeus, lembremos que os festejos de Santo Antônio, São Pedro e São João, são mais velhos dos que os santos, propriamente ditos.

As festas de junho vêm da Antiguidade. Eram rituais que coincidiam com o solstício de verão no Hemisfério Norte dedicados a divindades diversas – em especial, Adônis, celebrado no dia 24 que ficou para João Batista. Os rituais eram de agradecimento pela colheita de trigo – que, aliás, se não fosse boa, significava escassez durante todo o ano e mesmo fome antes da colheita seguinte.

A Igreja Católica conseguiu fazer com que os santos fossem festejados no lugar das antigas divindades. A fogueira adentrou a festa para recordar o nascimento de João. Sua mãe Isabel acendeu uma bem alta para anunciar à sua prima Maria que seu filho, o precursor de Jesus, havia nascido.

E para celebrar os queridos santos, em especial Fernando Antônio de Bulhões, o lisboeta que ganhou fama de casamenteiro, vá com a cachaça aquecida – cuidado para não aquecê-la em excesso e eliminar completamente o álcool. Temos três receitas de quentão – todas assemelhadas, mas com toques pessoais.

O glorioso Carlos Ribeiro – o mais brasileiro de todos os chefs e que lançou recentemente, ao lado do babalorixá Vilson Caetano, o livro Comida de Santo que se Comemandou uma receita exclusivamente para o Devotos. É fácil de fazer e bem condimentada.

Receita de Quentão

Ingredientes
1 litro de água
2 xícaras de açúcar
2 xícaras de cachaça
20 g de gengibre cortado em fatias
10 cravos-da-índia
3 paus de canela

Em uma panela, coloque o açúcar, a canela, os cravos e o gengibre. Deixe caramelizar, sem parar de mexer. Acrescente a água e solte o caramelo no fundo da panela, mexendo até dissolver.
 Adicione a cachaça, tampe a panela e deixe ferver em fogo bem lento por 15 minutos. Sirva em seguida.

A segunda receita vem do Paraná e é do blog Panela do Anacreon, que chamou a atenção para essa confusão etílica entre vinho e cachaça no quentão e apresentou uma receita bem tradicional, com os ingredientes da receita do chef Carlos, acrescidos de limão e laranja.

Receita de Quentão tradicional

Ingredientes
1½ xícara de açúcar
1½ xícara de água
50g de gengibre fatiado
3 limões em rodelas
4 xícaras de cachaça branca
3 cravos
2 pedaços de canela
Casca de laranja

Aquecer o açúcar, mexendo, até que ele fique caramelizado. Juntar os demais ingredientes, à exceção da cachaça, e ferver, mexendo para dissolver o açúcar. Juntar a cachaça fora do fogo, misturar e voltar para o fogo baixo por 3 a 4 minutos. Está pronto.

Outra receita – com um toque adicional de elaboração – veio da chef Heloísa Bacellar, do restaurante/ mercearia paulistana Lá da Venda, e foi publicada originalmente no Paladar Estadão. Heloísa tem um blog delicioso: o Na Cozinha da Helô – inclusive, por lá tem uma receita de “vinho quente”, chamada pelo nome certinho para quem quiser fazer a festa com as duas bebidas e ficar logo com o coração aquecido em dobro.

Quentão com cítricos

Ingredientes
12 fatias largas de casca, sem a parte branca, de cítricos que (laranja, tangerina ou limão)
2 xícaras de água
2 xícaras de açúcar
Canela em pau
1 folha de louro
Gengibre (5 cm cortados em fatias grossas)
1 litro de cachaça

Colocar as cascas dos cítricos em um caldeirão. Acrescentar água, açúcar, um pau de canela, louro e gengibre e aquecer. Mexer apenas para dissolver todos os ingredientes. Assim que ferver, juntar a cachaça. Colocar o fogo no mínimo para que o álcool não evapore completamente. Quando o quentão começar a borbulhar nas laterais, conte 10 minutos para que fique bem perfumado. Então, retire do fogo e sirva.

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Por Dirley Fernandes

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