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Cachaça combate a gripe? Não. Veja dicas para beber bem na quarentena

O e-mail chegou à redação com a pergunta: “Amigos, é verdade que a cachaça combate a gripe??? Podemos usar como remédio contra o coronavírus???”.

Por Dirley Fernandes

Já responderemos à questão. Mas, seja para efeitos medicinais ou para aliviar a angústia provocada por nossa tripla crise – sanitária, econômica e política –, o fato é que muitas pessoas têm bebido mais na quarentena. E esse post contém dicas profissionais importantes para um consumo de cachaça mais seguro, consciente e prazeroso no refúgio do nosso sacro santo lar. Persistam na leitura!

A pergunta lá de cima – vinda de um representante comercial do setor de alimentos, morador do Sul de Minas Gerais e que está com sérias restrições ao seu trabalho – poderia ser encarada como folclórica. Mas é preciso levar a sério o assunto.

Esse foi o terceiro e-mail que chegou com questionamentos semelhantes, todos com claro sinais de angústia no texto.

E se você consultar o Google Trends, vai ver que buscas como “cachaça combate a gripe?” e “cachaça é bom para a gripe?” tiveram um aumento súbito a partir de março e seguem em alta.

A crença nas propriedades terapêuticas do álcool em relação à gripe vem de longa data e remédios que combinam destilados com limão, ou alho, ou ervas, ou especiarias, ou tudo isso junto estão em tratados de medicina há séculos – muito antes portanto da gripe espanhola de 1918 (Falamos sobre isso nesse post).

No Brasil, o álcool sempre foi e ainda é usado na medicina popular, em beberagens e garrafadas. Ruy Castro conta em ‘Estrela Solitária’ sobre o “cachimbo”, remédio utilizado pelos familiares do craque Garrincha, em Pau Grande (RJ), desde a mais tenra idade.

Uma mistura de cachaça com mel de abelhas e canela em pau, posta para curtir numa garrafa […] O cachimbo não era usado para fins recreativos ou embriagantes – pelo menos, não de propósito –, mas medicinais. As mulheres o tomavam durante a gravidez, depois do parto, continuavam tomando-o enquanto durasse o resguardo. Adultos e crianças o tomavam como purgante, xarope, fortificante e para combater gripes, lombrigas, coqueluche, asma e dor de dentes. Aos bebês, era dado até como tranquilizante: uma ou duas colheres antes de dormir, para não terem sonhos agitados” (CASTRO, 2013: 21).

Afinal, cachaça combate a gripe?

Portanto, a dúvida do leitor é mais comum do que muitos imaginamos. Então vamos à resposta: “Não há nenhuma comprovação de benefício do álcool para quem é acometido por gripes como a Covid-19. Existem pesquisas que indicam uma ação antioxidante das bebidas alcoólicas, mas ainda é cedo para algum tipo de indicação nesse sentido”, diz a nutricionista Silvia Benvenuti, integrante do Centro Brasileiro de Nutrição Funcional, que atende na Clínica Medicina da Mulher, em São Paulo (SP).

A verdade, diz Silvia, é que o álcool, em especial se ingerido em excesso, tem efeito imunodepressor – ou seja, deixa a pessoa mais suscetível ao ataque de vírus.

Silvia é uma profissional dedicada a trabalhar práticas de alimentação individualizadas, de acordo com as condicionantes de cada paciente que lhe procura. “Não induzo ninguém a beber. Mas, se esse é um hábito, se faz parte da sua vivência social, eu tento encontrar uma forma para não privar a pessoa desse prazer. Afinal, a gente conhece os efeitos relaxantes que uma pequena dose de cachaça no início da noite pode trazer para as pessoas”.

Silvia frisa que não há um parâmetro que sirva para todos os indivíduos e as condições gerais de saúde precisam ser levadas em conta, mas, em condições normais de temperatura e pressão ela “negocia algo em torno” de uma dose de destilado, ou uma taça de vinho, ou um ou dois chopps com seus pacientes. “O importante a se levar em conta é a dosagem em gramas”, diz. (Já falamos sobre isso nesse post.)

A frequência “permitida” por Silvia é de três vezes por semana. “Existem as pessoas que já criaram o hábito da degustação. O organismo desse indivíduo estará mais preparado. Nessa quarentena, no entanto, há casos de pessoas que estão aumentando o seu consumo ou criando o hábito. Isso, em um momento de angústia, torna essa pessoa mais vulnerável ao consumo abusivo e a todas as consequências desse mau hábito”.

Cachaça boa e alimentos que ‘compensam’

Silvia lembra que no caso dos hipertensos e dos diabéticos, a restrição ao consumo de álcool deve ser mais rigorosa. “De novo, é uma questão individual. Ter uma taxa de glicose baixa e a pressão controlada não é sinal de que o consumo de álcool um pouco maior não trará malefícios. E vice-versa. Tudo vai depender dos processos inflamatórios”, diz.

A nutricionista recomenda, “além da escolha de um produto de qualidade”, uma espécie de compensação para os apreciadores de uma boa dose de cachaça ou de um drinque com base em cachaça. “Acompanhe a cachaça com um aperitivo não industrializado”, diz.

Silvia ressalta que alimentos embutidos, como os salames e as linguiças, biscoitinhos e amendoins de saquinho são uma má ideia. “Normalmente, têm um excesso de sal, que potencializa o efeito de desidratação do álcool”, explica.

Apesar das restrições – a linguiça é particularmente doída, sabemos -, a doutora compensa o devoto da cachaça elencando uma linda lista de bons parceiros para a nossa branquinha e para a nossa saúde – todos tendo em comum a possibilidade de serem preparados com parcimônia no sal e com uso abusivo de ervas e pimentas, que a doutora recomenda entusiasticamente. Ao lado das recomendações da dra. Silvia, incluímos os tipos de cachaça que melhor harmonizam com os petiscos propostos.

  • Pasta de berinjela (boa para acompanhar uma cachaça em bálsamo, como a linda Canarinha)
  • Pasta de grão de bico (vai bem com uma umburana, como a tradiconal Claudionor)
  • Polvo ao vinagrete (ideal com uma branquinha com boa acidez, como a Santo Grau Cel. Xavier Chaves)
  • Sardinhas ao escabeche (outra branquinha, como a premiada Porto do Vianna Prata…)
  • Pastinha de atum (peça uma jequitibá ou uma carvalho com envelhecimento contido, tipo a Vecchio Albano)
  • Guacamole (uma cachaça mais densa cai bem aqui… a Espírito de Minas, por exemplo)
  • Bastonetes de cenoura e pepino com molho de ervas (frescor… vá de jequitibá para dar uma picância a mais… A Engenho Pequeno é clássica)
  • Saladinha com folhas, tomates, queijo branco e ervas (bálsamo, jequitibá, cabreúva…por exemplo, a Weber Haus)
  • Alho confitado no azeite (esse é mais difícil, mas começaria tentando com uma aguardente ou uma branca potente como a Santo Grau Paraty)
  • Azeitonas pretas (um bom carvalho para compensar o sal com doçura… com a Dom Bré Extra Premium, não tem erro)

Então, se não é fato que a cachaça combate a gripe, bebida com moderação ela nos ajudará a atravessar essa quadra complicada com paz de espírito. E… Saúde!

Clique aqui para mais artigos sobre cachaça.

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