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blend de cachaça

Coluna do Agostinho: que tal fazer o seu blend de cachaça?

Nosso colunista, que já participou da criação de blends como o da icônica Weber Haus Extra Premium 12 Anos, propõe que aproveitemos a quarentena para criar nosso próprio blend de cachaça

Por Manoel Agostinho Lima Novo

As viagens do turismo alcoológico ficaram para trás, por enquanto. Mas não foi por falta de vontade. Primeiro me afastei um pouco para dedicar-me à elaboração do meu segundo livro, que já estava nos planos há alguns anos, e que versa sobre o blend de cachaça. Depois, por conta desta levedura má chamada Covid-19, que atrapalhou todos os nossos planos e rotinas. 

Agora, depois de um severo ralho do meu amigo Dirley Fernandes, editor deste Devotos da Cachaça, reclamado que há tempos não escrevia um artigo, não teve jeito: tive que escrever. 

Como não tinha novos alambiques visitados nem eventos específicos, venho escrever sobre esse assunto que está muito em voga atualmente – o blend de cachaça. Então vamos lá.

Vocês já devem ter tomado conhecimento de que recentemente coloquei no mercado um livro sobre blend de cachaças. (Leia sobre o livro aqui.)

Aliás, quem de vocês já não apreciou um blend bem feito neste tão impressionante mundo da nossa cachaça? 

Assim, não me restou saída. Vou, de uma maneira prática e informal, falar um pouco sobre esta palavrinha britânica que já está se aportuguesando etilicamente pelo uso.

Blend de cachaça: uma alternativa

A cachaça goza de privilégios no que diz respeito à blendagem (não falei?). Blend passou a ser mais uma alternativa (e bota alternativa nisso!) dos produtores para dar uma cara própria ao seu produto. Vejamos, uma cachaça armazenada em amburana em Pernambuco traz similaridade com uma cachaça envelhecida na mesma madeira no estado do Paraná, e isto é extremamente normal, já que as características básicas da madeira são as mesmas. 

Uma nota de tabaco numa cachaça vai dizer que ela saiu de um barril de carvalho, sem sequer se saber em que estado ou produtor ela foi elaborada.

Todavia, a partir de uma mistura de cachaças oriundas de madeiras diferentes, quer seja pela diversidade de madeira envolvidas, quer seja pela proporção em que cada amostra se mistura no blend, teremos uma cachaça com identidade própria, notas distintas e únicas dentro do universo cachacístico. Uma singular peça daquele produtor.

Hoje já conhecemos iniciativas de dois ou mais produtores que juntam suas cachaças em um blend em busca de uma marca alternativa a ser apresentada ao mercado.

Como temos dezenas de madeiras com peculiaridades sensoriais próprias no universo etílico brasileiro, aumenta a diversidade de opções para um blend. Isso não é fantástico?

Porém, fazer um blend de cachaça não é algo assim tão fácil como misturar café com leite quando o vemos com olhar profissional. Mas, acho que você será capaz de fazer um blend. E que talvez fique bom. 

Neste momento de quarentena virológica onde tudo que a gente tinha que fazer em casa já foi feito e a nossa criatividade já está indo para o espaço, nada como fazer uma brincadeira alcoológica (a rima ficou por minha conta). Vamos brincar de master blender.

Blend de cachaça em casa

Então vamos partir para a brincadeira.

Primeiro você escolhe uma cachaça que passa por carvalho, uma que passa por amburana e uma terceira que veio do bálsamo, independente da procedência e da produção. Se não tiver as três, use somente duas que vai dar certo também.

Depois você degusta cada uma delas, percebendo as qualidades organolépticas de cada uma: acidez, amadeiramento, adstringência, persistência, etc.

Em seguida coloque numa tacinha um pouco de cada uma delas. Não precisa ser em partes iguais; dê destaque, colocando um pouco mais na mistura, àquela que tem os atributos sensoriais que mais te agradam.

A proposta é aproveitar tudo de bom que cada uma das amostras tenha.

Tire a máscara, prove o seu blend e dê uma  nota pare ele. Se ficar bom, continue degustando e me convide (mas só vou depois da quarentena). Se não ficar tão interessante, mude a proporção das amostras e vá tentando, sempre repetindo, até chegar à fórmula da perfeição ou cair embriagado no sofá. 

Não esqueça de anotar a fórmula da perfeição, senão você só vai fazer aquele e nunca mais vai lembrar da proporção. A coisa é séria!

Ah, você ainda pode desafiar seus amigos a fazer um blend de cachaça igual ao seu, sem revelar, obviamente, a fórmula secreta da perfeição. Tente! Vai ser legal e se não for, continua a ser um bom motivo para degustarmos boas cachaças, se é que precisa de motivos para apreciar a branquinha.

Então… 

Vamos para os comerciais:

Se você quer saber bastante sobre blend, e quem sabe fazer o seu próprio com a sua assinatura, com técnicas e metodologia didática bem explicada, adquira o meu livro A ARTE DO BLEND NA CACHAÇA, clicando nesse link, Clique, pague e fique quietinho em casa. Deixa que o Correio vai te entregar.

Para mais Colunas do Agostinho, clique aqui.

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3 Comentários

  1. O Blend veio mesmo pra ficar…

    Entretanto, tenho percebido que muitos rótulos (cachaças muito boas) não trazem a informação que são blends, mesmo dando pra perceber em alguns casos…

    Trata-se de segredo de mercado, costume, não há a obrigação….?

    Será que essa tendência vai mudar?

  2. Manoel Agostinho

    Bauer é verdade alguns omitem até a madeira no tonel, outros simplesmente escreve madeiras nobres.
    Estão em desacordo com a IN 13 do Mapa. Mas como fazer para acertar, orientar, fiscalizar, ou simplesmente ignorar a contramão da lei e degustar já que nosso papel de consumidor é apreciar o produto.
    Agora, se não tiver registro no Mapa, nem confira o olfato, parta para outra que seja legal

  3. Excelente livro Manoel Agostinho. Estou curioso para ler.
    Grande abraço,

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