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Mercado da cachaça: as mudanças pós-pandemia

Comecemos a falar de mercado de cachaça com uma citação tão atual que foi dita hoje. “Todas as crises por que eu passei foram duras e eu sofri, não sabia como chegaria ao fim, mas alguma oportunidade apareceu”. O autor é o empresário Jorge Paulo Lemann, da 3G Capital – que é não apenas o homem mais rico do Brasil como também o mais abastado da Suíça –, em evento na manhã de sexta-feira (17/04).

Por Dirley Fernandes

O empresário citou o exemplo da compra das Lojas Americanas, em 1981 (ano em que o PIB brasileiro recuou 4,39%, o que é algo paracido com a média das previsões para 2020) e da Ambev, em 2008 (em meio à crise financeira global).

Sim, para investir em tempos de crise é preciso sangue frio, confiança no futuro e fé no próprio trabalho e no seu produto. Mas isso é exatamente o que o pessoal da cadeia produtiva da cachaça já precisa ter de sobra mesmo em tempos normais.

Então, vamos tentar descobrir o que a pandemia trouxe de indicação de mudanças para o futuro. Já deixando claro que não é sensato imaginar que tudo será como antes daqui a dois ou três meses.

Teremos uma nova definição de normalidade – um “novo normal” – e os que se adaptarem melhor serão os vencedores. A ideia é dar ferramentas para a reflexão e ajuste de estratégias para os dias que virão.

Mercado da cachaça: menos bar

Na crise, ficou patente a dependência do setor de cachaça do canal on trade. Isso é mais expressivo para a cachaça do que para, por exemplo, a vodca, que tem vendas bem mais expressivas em supermercados do que o nosso destilado. De fato, a presença da cachaça em supermercados, empórios, hortifrutis, é bastante limitada – com raras exceções, caso do Zona Sul, aqui no Rio.

Só que os bares e restaurantes demorarão bastante a retomar um fluxo como o visto até fevereiro – que, aliás, já não era tão favorável, pois o setor não vinha bem desde o segundo semestre do ano passado. Quando reabrirem, enfrentarão restrições de capacidade por parte das autoridades, pouca capacidade de investir, dado o baque de caixa da crise, e o temor de boa parte dos frequentadores, que vão preferir esperar o desenvolvimento da pandemia.

As negociações com redes de supermercados são bem difíceis para produtores de médio e pequeno porte, com exigências de bonificações, estreitamento de margens etc… Mas as marcas que têm boa penetração nesse canal estão atravessando esse período com mais tranquilidade. As vendas de destilados cresceram até 25% no mês de março em algumas redes.

Conveniência e home office

Um estudo pré-crise da empresa de pesquisa Euromonitor havia indicado uma tendência para o setor de destilados: o aumento do consumo em mercadinhos locais, de bairros, e lojas de conveniência. A menor disponibilidade de tempo e a busca por comodidade vêm afastando as pessoas de supermercados de maior porte para compras menores.

Na pós-pandemia, esse movimento será mais intenso. Em primeiro lugar, porque as pessoas se deslocarão menos pelas cidades, dando preferência por comprar mais perto de casa.

A favorecer essa redução dos deslocamentos, que já é uma tendência há algum tempo, como forma de reduzir o consumo de combustíveis fósseis e a poluição do ar, está o aumento da opção das empresas pelo home office.

Roberto Setubal, presidente do Itaú, por exemplo, disse que até 30% da força de trabalho do Itaú pode permanecer no home office após o fim da pandemia e que pretende fechar mais de 400 agências por ano.

Vendas digitais

As entregas em casa e vendas diretas via sites próprios são outro canal que muitos varejistas e produtores passaram a explorar melhor na crise e que, mesmo após a pandemia, devem continuar com demanda, ao passo que o consumidor seguirá buscando comodidade. Sites como o Cachaça Express viram suas vendas explodirem em abril. Clique aqui para conhecer o site.

Nesse sentido, os produtores devem privilegiar em suas estratégias, na medida do possível, o entorno de suas fábricas, o que permite um custo de frete mais razoável e a otimização dos recursos voltados para o posicionamento da marca.

Mercado da Cachaça: preços

Quando a venda é efetivada pelas próprias empresas produtoras, atacadistas e varejistas, o custo de venda obviamente será menor do que as vendas via marketplaces, que, claro, não podem ser desprezadas.

Ao longo da pandemia, um post tem bombado no Devotos da Cachaça: Cachaça boa e barata? Listamos 10 opções com excelente custo-benefício. Os acessos a esse post quadruplicaram desde meados de março.

É fácil entender. Boa parte dos consumidores está sofrendo algum baque em seus rendimentos durante a atual crise. E isso gera a redução da confiança. E confiança é o que mais impulsiona o consumo.

No entanto, as pessoas não querem abrir mão de seu destilado no momento de lazer. Então, a decisão é por manter o consumo, mas reduzir o dispêndio. Especialistas em comportamento do consumidor avaliam que a confiança do consumidor brasileiro – que já vinha em baixa – vai se manter nesse patamar pelo menos até o final do ano que vem.

Assim, as cachaças com preço mais em conta têm uma oportunidade para ganhar mercado das cachaças com preço mais alto e também de outros destilados. Mas precisam ser percebidas pelos clientes em potencial. Para isso, as marcas precisarão alguma capacidade e disposição para investir em promoção mesmo diante da crise.

Em todo o caso, uma coisa é certa. O pior baque já passou. O consumo na última semana, segundo dados de operadoras de cartão, está 25% menor do que em fevereiro. Em março, chegou a estar 41% menor. O baque é diferente para cada setor. Mas o mercado tem se adaptado.

Não é hora de ficar parado. E nem de esperar que tudo volte a um passado que ficou, definitivamente, para trás. O país e o mundo voltarão a crescer. O mercado da cachaça será diferente, mas também nem tanto assim. É só questão de se adaptar para sobreviver, como diria Darwin.

Leia também: Faturamento do setor de bebidas cai pela metade, mas vendas em supermercados crescem.

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2 Comentários

  1. Leila Maria Pinto Maciel

    Informação objetiva, visão sensata, texto primoroso. Parabéns!

  2. Nada será como antes, é o momento de ler, ouvir e planejar. Esse artigo ajuda e estimula para que possamos nos direcionar para um futuro melhor.

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