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Areia, sede do festival Sabores da Serra: território da cachaça

Brejo Paraibano celebra cachaça durante festival

Na sexta-feira e no sábado próximos (13 e 14/03), a cidade de Areia, no Brejo Paraibano, receberá o festival Sabores da Serra. A proposta do festival é valorizar a gastronomia local. Na programação, aulas práticas, exposição de produtores, rodas de discussão, concursos de petiscos e palestras.

Um dos palestrantes da festa em Areia (a 129 quilômetros de João Pessoa), que é organizada pelo Instituto Federal da Paraíba e pela Prefeitura local, será o engenheiro Maurício Careiro, que, desde dezembro de 2018, tem a coluna ‘Confraria do Copo’, no programa CBN João Pessoa, da rádio CBN. No programa, ele fala sobre… cachaça, obviamente, em especial a deliciosa cachaça paraibana, abordando temas diversos e tirando dúvidas dos ouvintes, em um trabalho fundamental de levar informação e valorizar a cachaça de qualidade.

Maurício nos contou um pouco sobre a palestra que dará no evento – na sexta-feira, entre 14h15 e 20h – e sobre suas outras empreitadas, como o site, com direito a e-commerce de cachaças da Paraíba, Rótulo Brasil.

E, principalmente, nos falou sobre a tradição cachaceira do Brejo Paraibano, região de onde saem maravilhas da produção nacional, a exemplo da Turmalina da Serra, uma das prediletas da casa.

Como vai ser a palestra?

Vou dar uma geral sobre a parte histórica da cachaça e centrar na cachaça da Paraíba e do Brejo. A Maria Júlia vai estar comigo. Ela é da Cachaça Triunfo, de Areia, e vai falar das potencialidades turísticas da cidade e da cachaça na Paraíba. A Triunfo tem uma estrutura muito boa, recebe muito bem os visitantes e é referência para a gente aqui na Paraíba.

O Brejo Paraibano é um dos polos mais importantes da cachaça do Brasil, unindo produção de qualidade e também em quantidades consideráveis quando a gente se refere a cachaça de alambique. Como a região chegou a esse patamar?

A gente tem que voltar na História para entender. No fim do século XIX, a produção açucareira do Brasil estava acabada. Estávamos produzindo praticamente só açúcar mascavo para consumo próprio. E a cachaça estava em baixa, porque os barões de café tinham hábitos europeus e preferiam o whisky, enquanto os europeus que tinham vindo para trabalhar na lavoura, em substituição à mão de obra escrava, optavam pelo vinho, quando podiam.

As plantações de cana estavam em decadência, subsistiam, mas sem vigor. Foi quando o governo investiu em usinas. E com a Primeira Guerra e a decadência da produção de açúcar de beterraba a produção açucareira voltou a ser interessante. Então, houve um avanço dos grandes sobre os pequenos proprietários, visando apenas a terra. Acabaram-se os pequenos engenhos – o chamado engenho banguê – e surgiram os novos usineiros. Os engenhos pequenos, produtores de cachaça, foram muito afetados, em especial no litoral paraibano e pernambucano.

Esse processo foi mais litorâneo do que no Brejo Paraibano, que fica entre o sertão e o litoral, não?

Sim. No fim do século XIX, o Brejo Paraibano tinha a cultura algodoeira, mas com a caçhaça sempre por ali. Depois, teve início o ciclo do café, porque é uma região fria, propícia para o café. No fim desse ciclo, na década de 1920, o Brejo havia resistido ao avanço dos usineiros de que eu falei antes. Os produtores de café e cachaça não tiveram interesse em vender as terras e conseguiram se manter. Só que nesse período, uma praga dizimou o café na Paraíba e as usinas se instalaram. Mas, aí, a produção cachaceira da região já tinha se estruturado. O café tinha protegido essa cultura. E a cachaça conseguiu se manter de forma relativamente autônoma.

Brejo Paraibano é lugar de cachaça forte

E como essa produção era escoada?

O Brejo é uma região rica. Os tropeiros viajavam para lá e compravam rapadura, cachaça, fava, feijão e outros produtos. Depois, distribuíam pelas pequenas cidades paraibanas. E também o Rio Grande do Norte e Pernambuco compravam cachaça e rapadura do Brejo. Depois, a rapadura foi sobretaxada e a cachaça avançou ainda mais.

Foi aí que a cachaça da Paraíba ganhou essa identidade que tem hoje?
Sempre a cachaça branca – em todo esse período histórico. O padrão paraibano é cachaça branca, forte, encorpada e esse é o tipo muito consumido no próprio estado, além de enviado para todos os lados. A cachaça envelhecida começou a aparecer por aqui e ter o seu paladar trabalhado só de pouco mais de dez anos para cá.

E Areia quer agora conseguir a Identificação Geográfica, como a que têm Salinas, Paraty e Abaíra. Como está esse processo?

A associação dos produtores já mandou toda a documentação para o INPI para conseguir o selo de IG. O processo leva em torno de sete meses, então a expectativa é de que tenhamos uma resposta ainda esse ano. Isso vai ser interessante para a região.

E como estão os seus projetos em torno da cachaça na Paraíba? Fale um pouco de como a coisa se desenvolveu…

Sempre trabalhei com cachaça, mas a grande visibilidade foi a partir da coluna semanal na Rádio CBN, que estreou 15 meses atrás. As pessoas sempre me falam que passaram a ter outra ideia da cachaça, passaram a respeitar a cachaça, após terem ouvido o programa. Nós falamos sobre temas diversos, como cachaça clandestina, festivais… e respondemos a muitas perguntas dos ouvintes.

A gente vai defendendo o nome da cachaça e uma coisa leva a outra. Criei o site Rótulo Brasil falando sobre a história dos engenhos paraibanos, que agora também é um e-commerce. Era um trabalho que nunca tinha sido feito aqui no estado. Agora, estamos fazendo palestras com degustações nos hotéis para os turistas que visitam a cidade. E sempre viajando em busca das histórias por trás da cachaça.

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Um comentário

  1. De fato é preciso conhecer um pouco da história, no intuito de valorizar a cachaça na sua essência. Gosto de apreciar uma boa cachaça, fabricada nos padrões de qualidade total.

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