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Referência pejorativa à cachaça na novela das 8 leva a protestos do setor

O preconceito é insidioso, nem sempre se manifesta de forma óbvia. Às vezes, vem encoberto pelo véu da naturalização, pelos costumes arraigados e se expressa na forma de palavras que soam inocentes para os que as proferiram e que doem como chibata para quem as recebe.

Pense em frases comuns há alguns anos. Por exemplo: “Ele é um preto de alma branca”. O que poderia ser mais nefasto do que repetir algo assim hoje em dia? Mas há quem repita e quem não ache isso “importante”.

Pois bem, os devotos da cachaça se sentiram chicoteados diante de uma cena do capítulo da novela Amor de mãe que foi ao ar no sábado. Na cena, diante dos excessos alcoólicos da patroa Lídia (Malu Galli), a empregada Lurdes (Regina Casé) se recusa a fazer mais um gim tônica e dispara: “Ninguém aguenta ver a senhora se acabando na cachaça. Não aguento ficar aqui nessa casa, de braços cruzados, vendo a senhora morrer”.

Mais uma vez, o consumo excessivo de álcool foi ligado à cachaça e nosso nobre destilado nacional tratado em tons pejorativos em rede nacional. Muitas pessoas ligadas à cachaça publicaram protestos em redes sociais e nas redes da autora e atores da novela.

A produtora da Cachaça Mineiriana e responsável técnica (RT) Ana Marta Sátyro resolveu escrever uma carta para a autora da novela, Manuela Dias, para falar do sentimento de uma mulher envolvida com a cachaça diante da cena exibida no sábado.

Amor de mãe é uma novela de mulheres e uma mulher como a Ana é a pessoa mais indicada para se dirigir a essas grandes mulheres da novela envolvidas com a cena: Manuela, Regina e Malu.  Por isso, o Devotos reproduz a carta.

O copo de gim tônica na mão da personagem

Olá, Manu!Tudo bem? Eu sou a Ana! Sou consultora na produção de bebidas destiladas e derivados. Além disso, tenho uma marca de cachaça, que é o meu destilado do coração!

É o destilado do coração por uma série de fatores e um deles é que é um destilado cujo nome é um substantivo feminino e que, assim como as mulheres, sofre grandes preconceitos.

Nós temos lutado muito para quebrar todo tipo de preconceito e a cachaça não ficaria de fora da minha luta por razões óbvias. Há um trabalho muito grande, incessante e sério por trás desse nobre destilado, que vem acompanhando a história do nosso país desde a colonização.

Temos a parte feia da história em que a cachaça, assim como outros destilados mundo afora, foi usada como moeda de troca na compra de negros escravizados. Era usada também para amenizar as dores de uma vida escravizada e tão brutalmente marginalizada e sofrida.

Hoje, a cachaça ainda carrega esse estigma de bebida de escravizados e deveríamos tratá-la com carinho, exatamente por isso: já era companheira de nossos ancestrais. E somos um país tão rica e lindamente miscigenado e diverso!

Infelizmente, como vivemos em um país racista, algumas pessoas ainda discriminam a bebida, pelo mesmo motivo que discriminam as pessoas que a consumiam pra aliviar as dores. Mas esse país é maior que os preconceitos, a cachaça é maior que o preconceito!

Entendemos que é importante, sim, que se fale sobre o alcoolismo, que é uma doença grave. Nós todos do mundo da cachaça buscamos fazer um trabalho com muita seriedade e com responsabilidade social. O alcoolismo deve ser combatido, sim. E sempre trazemos isso como bandeira. Nunca nos furtaremos a esse problema e acreditamos que devemos falar sobre isso, sim.

Mas nosso lema é: beba menos, beba melhor. Sempre alertamos pelo consumo consciente tanto em relação à quantidade, quanto em relação à segurança e qualidade do que bebemos. Sabemos que muitas famílias sofrem com esse problema.

Gostaria que pudéssemos trabalhar junto com vocês para combater a doença. Existem grandes grupos de produtores, apreciadores, instituições e confrarias nas quais temos muitas mulheres à frente, que querem compartilhar todo o conhecimento e toda a beleza do nosso único destilado genuinamente brasileiro!

Existem mulheres supercompetentes que vivem da cachaça, que sustentam seus filhos e suas famílias através do trabalho na cachaça. Elas também sofrem preconceitos dentro do próprio meio e fora dele. Mas elas são fortes, assim como a Lurdes, que representa muitas outras mulheres nordestinas. Elas carregam muita coisa nos ombros, muita luta. Precisamos falar de empatia, de sororidade e de respeito! Queremos mudar a percepção que as pessoas tem da cachaça e gostaríamos muito de contar com o apoio de vocês.

Queremos vencer o preconceito contra a cachaça fazendo com que as pessoas colecionem boas memórias com nossas bebidas! Gostaria de convidá-las – você, Lurdes, as mulheres… – a conhecerem o universo e a diversidade que a cachaça representa e proporciona! Teremos o maior prazer em tê-las conosco!

Aninha Sátyro

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21 Comentários

  1. Chorei com o texto, parabéns Aninha e parabéns ao Devotos!

  2. Maravilha! A cachaça é patrimônio histórico e nosso orgulho!

  3. Hamilton Medeiros

    Perfeito. Nada a acrescentar.

  4. Maurílio Figueiredo Cristófani

    Parabéns Aninha e Devotos pela publicação, estamos juntos nessa luta.

  5. Ana Maria Magalhaes

    Parabéns, Ana!!! Você nos representa. Vamos defender a cachaça, nossa bebida genuinamente brasileira!!! Respeito às mulheres e à cachaça!!

  6. Parabéns Ana!

  7. Minha admiração poe você cresce a cada dia, que você tenha força suficiente para continuar defendendo nossa cachaça!!
    Quando eu crescer quero ser igual a você… rsrs.

  8. Luciane Reis Sales

    Parabéns pela delicadeza e objetividade em suas palavras!! Somos todas Cachaceiras com muito orgulho!!!

  9. É isso, Ana!
    Nossa cachaça precisa tratar a todos com carinho e afeição, mesmo ao ser agredida…
    Parabéns aos Devotos de nosso destilado!!!

  10. Perfeita declaração de amor e respeito ao Brasil e à nossa cachaça. Sugiro que carreguemos este texto como bandeira em todos os nossos encontros, palestras, cursos, degustações. Aqui existe uma grande verdade sobre a nossa missão no mundo da cachaça. Abraço e admiração Ana

  11. Manoel Agostinho

    Ana, torço para a que destinatária leia sua carta com o carinho e o respeito com q Lemos

  12. Parabéns Ana.
    Falou TUDO!

  13. Antenor Albuquerque

    Ana Marta Satyro sempre mereceu nota 10 por sua luta, por seu trabalho, por sua dedicação, não só a sua marca com também de muita gente que produz cachaça e que foi auxiliada, amparada e socorrida quando dela precisou. Aninha, desta vez, nota 1000 rá você. Com louvor.

  14. Excelente Ana, parabéns pelo texto.

  15. Parabéns Ana, juntos somos indestrutível. Um brinde a você e a todas as mulheres da cachaça !!!

  16. Exatamente isso Ana, compartilho total…!! Parabéns!

  17. Como sempre, como poucos, é mais um “produto” da Ana com sensibilidade, delicadeza e complexidade…
    Muito bom o tom do seu texto…
    Parabéns!

  18. Muito impactante o texto.
    Parabéns pela iniciativa, atitute.
    Saúde aos devotos da cachaça! 🥂

  19. Parabéns Ana, sensacional e sábias palavras.

  20. MAURO DA EMATER-MG

    Muito bom ver voce Ana Marta defendendo o agronegocio da cachaça. Tenho a felicidade de conhecer seu trabaalho de perto aqui em Itabira, desde a produção até a conquista de reconhecimento da qualidade da nossa Mineiriana!

  21. Parabéns por esta bela explicação sobre o tema. Acho realmente importante divulgar fatos até então desconhecidos por muitos. Sucesso !!!

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