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‘Cachaça de jambu’: experimentamos 3 marcas da tremelicante bebida paraense

Para começar, precisamos dizer que o termo “cachaça de jambu”, de uso corrente, não é o correto, do ponto de vista legal e levando-se em conta o processo produtivo, para definir o produto do qual falaremos nesse post. Mas antes de explicarmos o porquê, vamos às apresentações: experimentamos três bons rótulos dessa tremelicante bebida de origens amazônicas: Meu Garoto, Jós e Indiazinha Jambu.

As três se apresentam, mui corretamente, como “bebida alcoólica mista”, que, segundo a Instrução Normativa nº 55 do Ministério da Agricultura, Pesca e Abastecimento, é “a bebida com graduação alcoólica de 0.5% a 54% em volume, a vinte graus Celsius, obtida pela mistura de uma ou mais bebidas alcoólicas, ou álcool etílico potável de origem agrícola, ou destilados alcoólicos simples de origem agrícola com outras bebidas não alcoólicas, ou sucos de frutas, ou frutas maceradas, ou xarope de frutas, ou outras substâncias de origem vegetal ou animal”.

Em outros termos, elas não são “cachaça de jambu” até porque não existe “cachaça de jambu” ou “de banana” nem “de” nada, posto que toda a cachaça é mandatoriamente “de cana”. Nosso destilado não admite preposição – e ponto final. 

Agora, que fique claro: isso não é juízo de valor. Há cachaças de má qualidade e de boa qualidade; existem bebidas alcoólicas mistas de baixa qualidade e de boa qualidade. É claro que as três que apresentamos aqui estão na categoria dos produtos de boa qualidade.

O que é ‘cachaça de jambu’

As assim chamadas “cachaças de jambu” são bebidas mistas que se obtêm da mistura de cachaça com a erva de origem paraense chamada jambu, na forma de extrato, além de açúcar – nos piores produtos, aliás, muito açúcar.

Essas bebidas se caracterizam por um sabor um tanto exótico para os padrões dos brasileiros que não vivem entre as imensidões dos rios amazônicos. E por um efeito de formigamento e dormência que domina a boca de quem experimenta essas “cachaças”.

A “cachaça de jambu” é um hit Brasil afora. Na loja Eu Amo Cachaça, de Brasília, é a bebida mais vendida, o que se repete em muitos outros lugares. E é um dos termos mais buscados entre as expressões derivadas de “cachaça” no Google. É um feito para uma bebida de sabor tão peculiar.

As três marcas que experimentamos são bebidas um tanto diferentes entre si e com propostas de sabor e de mercado diversas, mas todas têm suas virtudes. Duas delas são produzidas no Pará e uma em São Pedro (SP). Vamos a elas.

Meu Garoto

O milagroso jambu

Comecemos pela marca que popularizou a “cachaça de jambu”. Em 1994, Leo Porto assumiu o comando do bar Meu Garoto em Belém. Como era tradição da família misturar cachaças com frutas e raízes, o ex-ajudante de pedreiro fazia lá suas beberagens, com relativo sucesso entre a freguesia. Até que, em um certo dia de 2011, experimentou uma “cachaça de jambu”. Deu pé logo de saída, agradando aos paraenses e aos turistas.

Com o tempo, Leo organizou a produção, fez um belo rótulo e começou a distribuir para todo o Brasil. Atualmente, processa mais de 10 mil garrafas por mês, planta seu próprio jambu e tem planos de produzir a própria cachaça.

Das três experimentadas pelo Devotos, a Meu Garoto é a bebida com maior teor alcoólico: 38%. Os ingredientes são água, cachaça, açúcar e extrato de jambu. É a que tem mais jambu também. Não é preciso mais do que três goles para começar a magia da planta.

O aroma da bebida é perfumado, doce e misterioso, remetendo a tucupi e a rapadura. O curioso é que o primeiro gole não é dos mais agradáveis, com um toque de fumo de rolo. Mas quando a dormência e o formigamento se estabelecem na língua, nos lábios e no céu da boca, a coisa fica mais curiosa. O todo fica mais adocicado, remetendo a uvas passas, lembrando um vinho late harvest. O final é expressivo e agradável, refrescante e picante.

Jós

Com uma pegada mais moderna, a Jós é produzida em terras paulistas. O jambu é trazido desidratado do Pará, processado e misturado a cachaça de alambique de boa procedência para compor uma bebida mais comportada que a Meu Garoto.

A cor também é mais clara e o paladar, menos abrasivo. A graduação é de 34% e a sensação de formigamento, mais discreta. O aroma é confortavelmente adocicado, lembrando anis. A textura é quase licorosa e o sabor se assemelha a genipapo e remete a marrom glacê.

Por seu estilo mais impressionista nos sabores, é mais fácil de ser combinada com outros ingredientes e explorada na coquetelaria. No site da marca, há receitas de diversos drinques.

Indiazinha Jambu

Essa “cachaça de jambu” produzida em Abaetetuba (PA) é a única da série feita com cachaça de fabricação própria, o que é um handicap, sem dúvida – ainda mais nesse caso, já que a Indiazinha tem uma linha de cachaças de alta qualidade.

Outro diferencial da Indiazinha Jambu é que, além do jambu, ela tem extrato de guaraná na sua receita – como se não bastassem os efeitos excitantes e até afrodisíacos que são creditados à erva paraense.

Das três bebidas experimentadas pelo Devotos, a Indiazinha é a mais complexa, com aromas mais circunspectos e próximos da cachaça. Isso apesar de ser a bebida com menor teor alcoólico (30%).

A cor é bem atrativa, de um acobreado intenso e filtragem mais efetiva.

O sabor tem uma certa secura, com uma dose menor de açúcar e recendências a banana e ameixa.

A sensação de formigamento na Indiazinha é mais discreta do que em suas congêneres. Demora mais a se apresentar e é menos intensa.

O final é longuíssimo, com muitos sabores frutados e um toque de canela.

Enfim, três bebidas diferentes entre si, com propostas interessantes e que agradam ao público, criando novas alternativas para os produtores de cachaça.

Conheça cachaças, aguardentes e muito mais na seção Cachaças de A a Z do  Devotos.

Por Dirley Fernandes

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3 Comentários

  1. Essa reportagem é de um tom bem pejorativo. Uma tentativa clara de ridicularizar e desvalorizar a marca. Grandes marcas já copiaram este feito, mas a criatividade exótica e fora da caixa do Leo Porto é fantástica, assim como a imensidão dos rios da Amazônia.

    • Dirley Fernandes

      Giselle, não sei onde você encontrou no texto o “tom pejorativo” a que você se refere na primeira frase de seu comentário. Quanto à frase final, concordo em gênero, número e grau. Já tive a oportunidade de expressar pessoalmente minha admiração ao Leo Porto por seu belo trabalho, assim como expressei o quanto foi impactante para mim a visão da imensidão dos rios amazônicos. Reli o texto e realmente não consigo imaginar o que possa ser confundido com pejorativo no conteúdo.

  2. No 1° parágrafo da primeira estrofe e no 1° parágrafo da segunda estrofe, do texto original. Mas, após a reavaliação das palavras, as informações estão coerentes. Parabéns pela reportagem.

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