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Blends de cachaça

Blends de cachaça vieram para ficar. Conheça 8 dos melhores da praça

Por Dirley Fernandes

Nas últimas semanas, esse editor andou conversando com varejistas especializados em cachaça para uma reportagem que será publicada daqui a alguns dias. A ideia era tentar descobrir com quem lida face to face com o cliente lá na ponta o que os devotos estão em busca em 2020. Os vários insights que a turma forneceu vocês saberão em breve. Mas um spoiler já vou dar: chama muito a atenção como a expressão blends de cachaça e variantes foram repetidas.

Ao mesmo tempo, há um livro sobre blendagem de cachaça quase pronto para ir ao prelo e novos produtos do tipo são lançados e projetados a todo o momento. Não há dúvida de que essa é uma tendência importante que vai movimentar o mercado nos próximos anos. Vou listar ao fim do post oito dos melhores blends de cachaças que merecem atenção dos devotos, mas antes vamos a algumas considerações.

Blends de cachaça: o que são

Os blends de cachaça são bebidas resultante da mistura, em partes precisas e não necessariamente iguais, de duas ou mais cachaças originais – por exemplo, uma cachaça envelhecida três anos em barris de bálsamo com uma envelhecida cinco anos em carvalho americano. A proposta sempre é usar um pouco das características positivas de cada madeira, resultando em um produto com virtudes de equilíbrio e alguma originalidade. Como sabemos, o processo é adotado em larguíssima escala a produção dos whiskies.

A meu ver, os blends de cachaça não são “a moda do momento”, como foram as cachaças ultra premium em certo período, ou como é o gin – que já inicia sua curva descendente, estando agora em fase de desaceleração de crescimento. Mais que isso, os blends parecem ser um desenvolvimento natural do mercado.

O setor de cachaça se caracteriza pela ampla fragmentação. Portanto, em que pesem as diferenças entre cada produto – perceptíveis para os consumidores mais aplicados, mas nem sempre captadas ou fáceis de caracterizar para os consumidores eventuais –, as prateleiras das lojas especializadas têm sempre algumas dezenas de cachaças “prata” ou “cristal” e uma boa centena de cachaças “envelhecidas em barris de carvalho” e “armazenadas em barris de umburana”.

Diante disso, o trabalho diuturno do produtor que sabe se posicionar no mercado é o de encontrar formas de se diferenciar na floresta de marcas. Produzir com qualidade é requisito, não conta como diferencial no momento atual, em que as cachaças de alto nível se contam às centenas.

Há muitos caminhos para se destacar entre os iguais – embalagens diferenciadas, ações de reforço da imagem, degustações em feiras e eventos…Partir para os blends de cachaça é mais um deles.

Os blends de cachaça também são aliados valiosos no processo de padronização da cachaça. Como cada barril terá uma cachaça dessemelhante, se você cria uma “fórmula” com percentuais de barris diversos e a repete terá, teoricamente, uma cachaça padronizada ao longo de uma safra.

Blends de cachaça são recentes

Salvo iniciativas isoladas, até onde esse editor tenha a informação, o primeiro entre os blends de cachaças foi executado por aquele que é ainda hoje o grande mestre desse ofício no país, Armando del Bianco. Em 1999, ele começou a usar a técnica – sem nunca ter ouvido o termo blend – para padronizar a produção da Cachaça Boa Vitória, em Brumadinho. “Era instintivo; eu não aceitava mais esse negócio de tirar do barril e colocar na garrafa simplesmente”, conta ele.

Quando um grupo de chineses conheceu em Londres a Boa Vitória, veio ao país e se associou à marca para um grande projeto de exportação de cachaça. Armando passou a trabalhar com os chineses. Anos depois, ele seria enviado para a França e a Escócia para aperfeiçoar o que ele já vinha fazendo. Hoje, ele assina um blend icônico, a Gouveia Brasil Extra Premium, que está na lista aí abaixo.

Oito blends de cachaça

Cannabela Ouro

O blend inicial dessa cachaça de Paraibuna (SP) foi elaborada pelo master blender Nelson Duarte, craque que atualmente joga no time da Ypióca. A Cannabela Ouro (compre aqui) é uma linda combinação de castanheira, jequitibá rosa e umburana. Essa última, que costuma roubar as cenas de muitos blends, não predomina aqui.

Bem Me Quer Ouro

O corte original foi do já citado Armando del Bianco. A Bem Me Quer Ouro (compre aqui) que deu a fama de qualidade à marca de Pitangui (MG) leva doses equilibradas com maestria de cachaças envelhecidas em bálsamo e em carvalho. Os sabores abertos do bálsamo recebem o toque de elegância do carvalho, formando uma linda harmonia.

Matriarca 4 Madeiras

Amburana, jaqueira, bálsamo e louro canela. Sem dúvida, esse blend de cachaças da marca baiana é o mais original do mercado. É obra do doutor Leandro Marelli, que supervisiona a produção da Matriarca. O resultado é uma cachaça expressionista, cheia de sabores e aromas que agradam o devoto em busca de novos sabores.

Saiba mais sobre ela nesse post. Para comprar, clique aqui.

Yaguara Blue

A fórmula é simples e o resultado, uma cachaça de alto padrão e sobretudo muito versátil. O master blender Erwin Weimann adicionou doses precisas e contidas de cachaça envelhecida por cinco anos em carvalho em cachaça de inox e nasceu uma cachaça que faz sucesso no Brasil e no exterior, em especial entre os bartenders. Compre aqui.

Weber Haus 7 Madeiras

Nada menos que sete madeiras entraram na composição dessa cachaça gaúcha: carvalho americano, carvalho francês, bálsamo, cabriúva, amburana, grápia e canela sassafrás. Tinha tudo para dar errado e virar um grande chá alcoólico. Qual nada! A canela sassafrás dá um toque de especiarias e o carvalho americano uma doçura acolhedora a esse blend para ser apreciado em noites frias.

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Drinque com cachaçaLeandro Batista

A base do blend assinado pelo craque da cachaça e da caipirinha é a umburana, que leva bálsamo e canela sassafrás para dar o tempero. Redonda e deliciosa. A Leandro Batista (compre aqui) também é produzida pela Weber Haus.

Gouveia Brasil Extra Premium

Uma das mais lindas cachaças do planeta é composta por Del Bianco com pequenas doses de uma umburana bem expressiva, um carvalho americano elegantíssimo e um jequitibá para dar o toque de pecado. Acidez equilibrada, picância no final, doçura no meio, com aqueles toques de coco e baunilha que elevam o espírito.

Saiba mais sobre ela aqui. E encomende-a nesse link.

Nobre Arretada Mandacaru

Um blend paraibano de cachaças em carvalho francês e carvalho americano. O mais legal dessa cachaça é o terroir paraibano. A acidez delicada, mas presente, faz com que ela mantenha o frescor característico das lindas cachaças produzidas naquelas bandas.

Em tempo: falando em blend, não dá para não citar a Cachaça da Tulha, que todos os anos reúne experts para compor uma edição especial. Uma iniciativa que resulta em belas bebidas.

Em tempo 2: o livro sobre blend a que me referi no início é de autoria do colunista do Devotos Manoel Agostinho Lima Novo. Em breve teremos mais informações.

Conheça outros blends e demais cachaças maravilhosas na seção Cachaças de A a Z.

 

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11 Comentários

  1. Tema bem oportuno mesmo!
    Entre outros pontos legais desses bons blends é que eles instigam nossa curiosidade no sentido de imaginar como é o resultado final, e, ao degustar, tentar encontrar as nuances de cada madeira.
    Nessa conta ainda entram a Middas, a Reserva do Coronel, a Harmonie Schnnaps, a Blend Nordestino, Gatinha e tantas outras bem interessantes…

  2. Inclui aí a Companheira, Safira Régia, Sebastiana, Do Ministro, De La Vega, da Torre, 7 Engenhos, ou seja, não são 8 blends e sim 80 blends, cada um melhor q ou outro.

  3. Legal mesmo! Agora a Cachaça do Anjo tem seu lugar aí também! Parabéns

  4. Muito bons mesmo os blends, nova opção de incremento sem muito investimento financeiro.

  5. Eu vejo os blends como o futuro da cachaça, também a finalização em tonéis que passaram por outras bebidas. Como consumidor olho o blend com elegância.

  6. Um brinde aos Masters Blenders e suas criações fantásticas!

  7. Senti falta da Companheira Gatinha, Blend de Madeiras: carvalho americano, carvalho europeu e imburana.

  8. Francisco Jose Ferreira Leite

    Acho que um dos blends mais antigos e tradicionais seja a Piragibana.

  9. Cabe lembrar que no caso do whisky é comum a realização de blends, mas os whiskies single barrel são muito mais caros e são mais procurados pelo público de “melhor situação financeira” (na falta de um termo melhor).
    Além disso, blends de uma mesma destilaria não tornam o whisky um blended, pois um blended whisky se dá quando o mesmo é composto por whiskies de destilarias diferentes.
    No Brasil, uma “blended cachaça” (fazendo analogia aos whiskies) seria, por exemplo, a Claudionor ou outras que utilizam cachaças de diferentes alambiques (já vi algumas poucas nesse site).

  10. Dirley Fernandes

    Thiago, a diferença do whisky para a cachaça, no que se refere à blendagem, é que os whiskies só utilizam o carvalho para armazenamento e envelhecimento. Se um produtor misturar a cachaça de dois barris de carvalho francês não estará fazendo um blend. Mas se misturar uma cachaça de um barril de carvalho com outra de um barril de umburana, consideramos que isso é um blend, ainda que ambas as cachaças tenham sido produzidas pela mesma destilaria. No caso da Claudionor, o temo utilizado é estandardizado, que muito se assemelha ao caso do blended scotch whisky.

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