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Cachaças refrescantes para curtir o verão: Dom Bré, Paramirim e Caraçuípe

Por Dirley Fernandes

Eu não sei vocês, mas quando do lado de fora da redação o asfalto parece emanar ondas de radiação solar e o corpo padece em um estado de lenta infusão, quase um sous vide, esse devoto que vos digita volta o periscópio de seus desejos para elas… as branquinhas, essas expressões da pureza e do frescor. Porque o devoto mais experimentado já sabe, mas a cachaça, categoria incluída na classificação popular dos “quentes”, também pode ser uma bebida refrescante. Vamos pois falar de três cachaças refrescantes, capazes de esfriar a cuca até de quem não acredita no aquecimento global. São elas uma alagoana da costa, a elegantíssima Caraçuípe Prata, uma baiana da Chapada Diamantina, a deliciosa Paramirim Prata, e, para não perder o costume, uma mineira, a redondíssima Dom Bré Tradicional.

Antes, um esclarecimento: as cachaças envelhecidas também podem descer bem no verão. Particularmente, as umburanas mais moderadas podem ser bem refrescantes. Mas não se pode negar: o verão é a estação das branquinhas. Ademais, falaremos aqui de três cachaças que se aplicam muito bem quando bebidas em temperaturas próximas dos 11 graus – como fizemos nessa tarde de 35º à sombra – e que se prestam às mais gloriosas caipirinhas, entre outros drinques com gelo.

Interessante também notar que falamos de três cachaças com características marcantes e distintas. Friso o fato porque há os que imaginam que os sabores e aromas da cachaça são, sobretudo, frutos do envelhecimento e das trocas com as madeiras. Mas a cachaça oferece mais mistérios do que a nossa vã filosofia possa imaginar. E na bica do alambique cada cachaça já sai com uma identidade pronta, ainda que passe pela sintonia fina das artes dos alambiqueiros e blenders também após essa etapa.

Mas vamos às nossas cachaças refrescantes.

Paramirim Prata

A Paramirim Prata é um prodígio de dulçor na medida. Ela é produzida na cidade que lhe dá nome, a mais de 600 quilômetros da capital baiana, com cuidados de artesania. Não passa por madeira; o armazenamento é em inox. A graduação alcoólica é de 42% e tem preço bem simpático: em torno de R$ 40 no Cachaça Express.

No nariz, a Paramirim é adoçada, mas sobretudo herbal, bem estival, como se o caldo de cana da feira tivesse recebido uma infusão de capim limão. Uma delícia a se sentir enquanto apreciamos as densas lágrimas escorrendo, caudalosas como o São Francisco, pelas paredes da taça.

Na boca, uma nuvem de doçura dá o tom da degustação, transportando o devoto para um ventoso canavial. É como rapadura fervendo, como doce de marmelo ou de batata-doce. Muito confortável. O final é longo, com um pinicado agradável na garganta. O álcool é moderadamente presente, sem acidez mais marcante.

Caraçuípe Prata

A Caraçuípe é marca alagoana bem conhecida, com tradição de requinte na sua produção. A Caraçuípe Prata é cachaça cultuada por muitos devotos e chega nesse post por seus poderes de cachaça refrescante. Porque, sim, o que sai da bela embalagem dessa alagoana de Campo Alegre, nos Tabuleiros Costeiros de Alagoas, é uma cachaça com um delicado perfume de anis e limão.

E como se sai bem servida em temperatura mais baixa! (Pense em 11º, não queremos perder sabores com temperaturas apropriadas para servir bebidas neutras.)

A Caraçuípe Prata é armazenada por seis meses nessa linda madeira chamada jequitibá rosa e engarrafada com 40% de teor alcoólico. Na boca, é cremosa e quase discreta, com recendências a amendoim e melado. É de uma elegância rara para cachaças brancas, oferecendo descobertas a cada gole, sem se entregar de pronto. É cachaça para se explorar.

Na Amburana, a Caraçuípe Prata é encontrada por R$ 60.

Dom Bré Tradicional

A Cachaça Dom Bré Tradicional não entraria no post, que pretendia focar em cachaças de estados litorâneos. Mas a linda garrafa dessa branquinha desprovida de defeitos e plena das virtudes do equilíbrio me olhou do alto da estante como a dizer: “lembra quando me provaste olhando a Baía de Guanabara e do efeito que causei?”. Sim, foi num evento da Confraria do Copo Furado em Santa Tereza. O ar era límpido e se via o Rio de Janeiro de cima, em seu resistente esplendor. A Dom Bré Tradicional compôs o quadro à perfeição.

A Dom Bré é quase recatada diante das duas cachaças anteriores. Mas quão confortável em sua doçura e densidade.

A graduação alcoólica é baixa – 40% – e a acidez é no piso. Os defeitos, inexistentes, e o equilíbrio impressiona. Assim se vai meia garrafa desavisadamente.

Armazenada em inox, a Dom Bré Tradicional não grita, sussurra com seus aromas herbais delicados. O sabor emana os cuidados da produção do Alambique Guarani, no município do mesmo nome: o dulçor na medida, toques mentolados de cachaça refrescante, um frutado delicado ao final.

Para o bartender que busca uma cachaça fácil de compor com ingredientes estivais, a Dom Bré Tradicional é uma bela escolha, inclusive pela graduação contida que permite drinques mais leves e próprios para a estação.

No Cachaça Express, a Dom Bré está na faixa dos R$ 40. É custo-benefício excelente. Clique aqui.

Conheça outras lindas cachaças refrescantes na seção Cachaças de A a Z do Devotos.

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