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gengibirra do Amapá
Foto: Caio Coutinho/G1

Amapá terá Festival de Gengibirra, bebida à base de cachaça e gengibre

Por Dirley Fernandes

Disse Câmara Cascudo no clássico ‘Prelúdio da Cachaça’ – que esse editor tomou como guia para o documentário ‘Devotos da Cachaça‘ (2010): “A banalização da Cachaça foi o segredo-motor de sua existência. Ficou com o povo, não mais numa quinta fidalga do Minho, e essa força obscura garantiu-lhe sua contemporaneidade funcional”.

O grande antropólogo e folclorista se referia ao fato de a cachaça, em seu trajeto de quase 500 anos, ter sido, por vezes, desprezada nas “residências de espavento e bares de ‘grande hotel’”, mas nunca ter deixado de ser a companheira de todas as horas dos mais humildes entre os brasileiros.

E ainda hoje, quando o povo brasileiro pode se encontrar, cantar, dançar e festejar a sua existência e sua cultura, nas frestas das interdições normativas ditadas de cima para baixo, a cachaça sempre está presente.

São os quentões das festas mineiras, os licores do São João no entorno da baía de Todos os Santos, os rabos de galo das padocas paulistanas, as mil e uma batidas que animam os carnavais de todos os quadrantes e, para sempre, o folião de camisa amarela “no café zurrapa, do Largo da Lapa, bebendo o quinto copo de cachaça”.

No Brasil longe desses brasis, lá onde o país começa, no Amapá, a cachaça reina na forma da Gengibirra, que esquenta o peito nos encontros de tambor e nas rodas do marabaixo à beira do Rio Amazonas.

A Gengibirra é um licor rústico, à base de cachaça, cravo e gengibre. E a notícia do post é que os amapaenses planejam para maio do ano que vem o 1º Festival de Gengibirra.

gengibirra do Amapá
Foto: Caio Coutinho/G1

O evento será o primeiro empreendimento da Rede de Negócios Afro-Amapaenses e foi lançado na terça-feira em um encontro na Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural (SDR), em Macapá – já tendo garantido, portanto, o apoio do governo estadual.

Gengibirra

A gengibirra é a bebida-símbolo do Amapá. Tanto que foi declarada, em abril passado, patrimônio cultural imaterial do estado.

Ela é consumida nos festejos do ciclo do marabaixo, que vão da Páscoa ao Corpus Christi, em folguedos de matriz africana, regidos pelo tambor e pela dança dos pés arrastados que remetem às correntes usadas pelos antepassados. São manifestações que flutuam entre o sagrado e o profano na celebração da memória afro-brasileira.

A Gengibirra é elemento indissociável do marabaixo e é tradicionalmente produzida pelas famílias das cerca de 200 comunidades negras existentes no estado. Mas já começa a entrar em uma fase de industrialização, ainda que incipiente.

Esse movimento inspirou a ideia de um evento de grande porte dedicado à bebida. Daí nasceu o projeto do Festival de Gengibirra. À frente da iniciativa está o brincante Carlos Piru, que acredita que poderá contar com outras entidades governamentais e privadas para realizar o festival.

“O Amapá é diferente. Aqui, o governador, o prefeito, todos caem para dentro do marabaixo. A Gengibirra é parte fundamental disso”, diz ele, que já conversa com Sebrae e Abrasel e governo municipal. “A associação dos poetas me procurou, o pessoal do artesanato… todos estão me ligando. O movimento está crescendo”, se anima.

Piru diz que o Festival de Gengibirra será uma afirmação da cultura amapaense. “Terá a Gengibrirra no centro, com os produtores. E sempre o marabaixo, nosso patrimônio… Mas tem os tira-gostos, como o bolinho de macaxeira com piracuí (farinha de peixe)”, diz.

“O Amapá está em um bom momento. O Alcolumbre (presidente do Senado, do DEM-AP) já levou a gengibirra para o pessoal de Brasília experimentar. O marabaixo foi reconhecido como patrimônio nacional (em 2018). Temos que aproveitar essa onda para valorizar o nosso estado, sobretudo a herança negra”, diz Carlos, que é também historiador e radialista.

A ideia do Festival de Gengibirra, exposta no encontro na SDR a cerca de 20 produtores da bebida, é realizar o evento no Centro de Cultura Negra, local de memória da tradição afrodescendente do Amapá. Mas o espaço está em obras no momento. “De qualquer maneira, vai ser grande, para mostrar a força da gengibirra”, garante o agitador cultural.

Receita de Gengibirra – “energizante, estimulante e afrodisíaca” – da ativista cultural macapaense Neca Machado.

Ingredientes:

01 kilo de gengibre novo

01 kilo açúcar mascavo

02 litro de agua

3 pacotes de cravo da India

3 pacotes de erva doce

02 sementes de noz moscada

Canela em pau

Canela em folha

Aguardente

Modo de Preparo:

– Bata o gengibre no liquidificador com meio litro de água e reserve.

– Derreta o açúcar mascavo em uma panela média.

– Acrescente as ervas aos poucos.

– Rale a noz moscada e acrescente.

– Coloque o resto da água junto com o gengibre batido, deixe ferver, coe e acrescente a aguardente a gosto.

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