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Abrabe indica tendências de consumo e faz alerta sobre setor de Cachaça

Por Dirley Fernandes

Recuperação nas vendas, bom momento para inserção no mercado internacional e popularização da coquetelaria: essas são tendências apontadas para o setor de cachaça ao longo dos próximos anos por um estudo da consultoria KPMG e da Abrabe (Associação Brasileira de Bebidas) publicado na semana passada.

O estudo, no entanto, alerta para um cenário de possível aumento da tributação da cachaça, no bojo da reforma tributária que está no foco do governo e do Congresso.

Sobre os riscos de uma elevação da carga tributária sobre a Cachaça, já fizemos uma análise nesse post. Em resumo, estuda-se a criação de um Imposto Seletivo que incidiria sobre produtos com “externalidades negativas” – em bom português, prejudiciais à saúde.

Esses produtos, entre os quais estaria a Cachaça e, segundo algumas propostas, não o vinho e nem a cerveja, pagariam alíquotas de IPI bem acima da que se estuda para serem aplicadas a quase todos os produtos industriais e potencialmente superiores à atual – política que o ministro da Economia, Paulo Guedes, chamou em recente palestra de “imposto sobre o pecado”.

Segundo o estudo da Abrabe, o impacto negativo dessa carga tributária mais alta, que obviamente onerará o preço final, virá na forma de trade-down e de aumento da ilegalidade. “Quando existe um aumento de preço, o consumidor reage buscando bebidas de menor custo (produtos mais baratos na mesma categoria ou mudança de categoria)”, afirma o estudo.

Em especial entre a parcela de menor renda, o impacto do aumento de preço se refletirá, para a KPMG, no acesso a bebidas ilegais como forma de não abrir mão do consumo.

Os canais de venda mais prejudicados seriam – como aliás, aconteceu na última e recente recessão – os bares e restaurantes, com consumidores preferindo comprar em mercados e beber em casa.

Setor de cachaça: tendências

No entanto, se o cenário de aperto tributário não se confirmar em seu cenário mais negativo, o movimento de valorização da qualidade, que vem desde o início da década atual, deve retomar impulso.

Para a Abrabe, o consumidor quer “conhecer e decidir sobre o produto“. Isso desenha um quadro em que a inovação nos produtos e as bebidas de maior qualidade terão preferência.

O estudo destaca que a melhor mandeira de atingir o consumidor será por meio da comunicação segmentada, por canais especializados e não genéricos, e o objetivo maior dessa comunicação deve ser o fortalecimento da marca.

A associação chama a atenção também para a maior valorização, por parte do consumidor, de questões como sustentabilidade – logística reversa e reciclagem – e oportunidades como visitas guiadas às instalações das empresas, com a valorização da história da bebida no bojo.

Outra tendência que se mantém, como apontam todos os estudos, é a expansão do consumo via coquetelaria. A informação nova que o estudo aponta é uma “popularização da coquetelaria”, com um crescimento do off-trade, “impulsionado pela vontade do consumidor de fazer drinques em casa“. No bojo desse crescimento, a Abrabe prevê ainda a valorização de ingredientes regionais.

A associação também vê como necessárias ações de marca por parte das empresas junto a bartenders e a consumidores que desejam ampliar seu conhecimento de coquetelaria, o que resultará em aumento de vendas e reconhecimento da marca (brand awareness).

Em todo o caso, a Abrabe prevê que as vendas totais de bebidas alcoólicas, que caíram 9,6% entre 2014 (15 bilhões de litros) e 2018 (13,6 bilhões) por conta da recessão e da mudança na cobrança do IPI, em 2015, encerrem o ano com uma alta de 1,5%.

Mercado externo

Na análise das oportunidades no setor externo, a Abrabe destaca a estabilidade em volumes das exportações brasileiras de cachaça nos últimos três anos. Para a associação, o dado “reforça a oportunidade de internacionalização da bebida“.

O dever de casa, segundo o estudo, compreende “identificar a cachaça através de denominação de origem, valorizar a categoria de forma coordenada, reduzir a informalidade e ter maior controle de qualiadde na produção“.

Desses esforços necessários, valorizar a categoria de forma coordenada parece o desafio mais complexo no momento atual, ainda que se registrem avanços. A falta de tradição associativista do setor está retratada no próprio estudo: a cachaça é a categoria com menor taxa de associados à Abrabe.

O estudo destaca o maior valor do ticket médio da cachaça que o Brasil exporta para os Estados Unidos, atualmente nosso maior comprador, em relação à Alemanha, o segundo.

Enquanto o valor/litro no país europeu é de US$ 1,29, do outro lado do Atlântico é de US$ 4,41, comprovando que a maior oportunidade de venda para bebidas com maior valor agregado está no mercado americano.

A Euromonitor é outra empresa que analisou recentemente as tendências do setor de cachaça. Leia aqui.

Um comentário

  1. Ótima matéria meu amigo!
    Vejo que tem muitos cursos sobre aprender a preparar drinks em casa, realmente acho muito interessante isso, vai ajudar muito a expandir o mundo das cachaças!

    Abraços!

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