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Sanhaçu Origem e Princesa Isabel Cana Caiana: cachaças que renovam a tradição

Por Dirley Fernandes

Cachaça Princesa Isabel e Cachaça Sanhaçu: estão aí duas marcas que, com relativamente curto tempo no mercado, conquistaram os corações dos devotos de todo o país. Nesse post, falaremos de dois novos produtos lançados pelas marcas de, respectivamente, Linhares (ES) e Chã Grande (PE): a Sanhaçu Origem e a Princesa Isabel Cana Caiana.

São rótulos que complementam linhas vitoriosas de dois produtores exemplares que muito bem ilustram o caminho da cachaça do século XXI, enraizada nas melhores tradições e com o olhar lançado ao futuro.

Comecemos pela Sanhaçu. É empresa que surgiu em 2008 no bojo de um projeto de reflorestamento e produção orgânica tocado pelo pioneiro Moacir Eustáquio da Silva, o popular Seu Moa. No portfólio, variedades em freijó e carvalho. Além, é claro, da joia da coroa: a umburana… Um poema em forma de cachaça!

A partir de 2013, a cachaça começa a enfileirar prêmios, enquanto a filha do Seu Moa, Elk Sanhaçu, surge em tudo o que é canto do Brasil para divulgar o produto da família. Em 2016, a consagração veio com a quarta colocação no II Ranking Cúpula da Cachaça – a única umburana entre seis carvalhos nas primeiras sete posições. Um belo feito!

Também em 2016, despontava no cenário a Cachaça Princesa Isabel, tocada por dois doutores capixabas (o anestesiologista Adão Celia e seu filho cardiologista, Pedro) e sob a segura batuta do Doutor da Cachaça, o consultor Leandro Marelli.

A marca já chegou com a Princesa Isabel Aquarela, uma jequitibá que quebrava tudo – fresca, rica e equilibrada –, e com uma carvalho. Depois, viriam a pioneira jaqueira, a bálsamo, uma umburana espetacular e uma prata (em inox). Não deu outra! A Aquarela foi a melhor cachaça branca do III Ranking Cúpula da Cachaça em 2018 e a marca se espalhou das margens do rio Doce, onde é produzida, pelo Brasil afora.

Sanhaçu Origem

Há uns três anos, a sempre espevitada Elk ofereceu a este editor uma provinha de uma cachaça que ela trouxera de Pernambuco para o aniversário do ínclito Mussarela, em seu restaurante em Duque de Caxias (RJ). Era um alumbramento!

Achei que era meu dever insistir com a produtora que a família deveria engarrafar a dita cuja para ontem. Por certo, outros devotos a instaram no mesmo sentido. Pois bem, demorou, mas apareceu. Está chegando ao mercado o primeiro lote da Sanhaçu Origem, a preferida do Seu Moa.

Trata-se de uma cachaça potente, com 47% de teor alcoólico e armazenamento em inox. Mas é sobretudo uma cachaça extremamente expressiva, que traz uma riqueza de aromas e sabores capaz de impressionar os mais devotados às ‘branquinhas’.

A experiência já começa quando o codório passa da garrafa à taça. Muitas pequenas e algumas grandes pérolas se formam, dançando e explodindo aos poucos em uma festa para olhos sedentos de cachaças generosas.

A textura é quase oleosa. Os aromas, ricos, perfumosos, variando do cítrico ao floral, remetem a abacaxi e melado. Na boca, a complexidade é marcante, com uma sucessão de sensações. O traço maior é uma doçura de mel suave, que vai revelando sabores de especiarias, como noz moscada, e uma suave e breve picância no final. Uma paleta de sabores singularmente rica em uma cachaça vivíssima, quase efusiva, que deixa uma dormência na boca ao se dissipar.

Princesa Isabel Cana Caiana

Na comparação com a amiga pernambucana, a capixaba é como uma moça discreta, de gestos contidos e elegantes, mas com um charme interiorano inebriante, de laços de fita e coração sincero, que se revela aos poucos.

Em vez da efusão pernambucana, temos aqui aromas que envolvem, confortam… palavras doces sussurradas pela cana caiana. Essa cachaça é feita exclusivamente com essa variedade tradicional de cana-de-açúcar – plantada em um pequeno lote no terreno da Fazenda Tupã, em Linhares (ES) – e não passa por madeira, apenas descansa por cerca de um ano em inox. A ideia – bem sucedida, por suposto – foi engarrafar a cana, produzir uma cachaça densa e generosa, com gosto de garapa.

Os aromas são, como de se esperar, marcadamente, porém – e isso é importante – não excessivamente, adocicados, remetendo a uma compota de doce de banana com cravo e canela, ou a uma fruteira com peras, carambolas e jenipapos, ou a uma rapadura temperada com gengibre. Se fecharmos os olhos, nos sentimos em um canavial, com o vento trazendo aromas de limão galego.

Na boca, o álcool (apesar dos intensos 44%) não sobressai e a acidez é presente, mas equilibrada. O que ressalta é a garapa intensa e franca. No quarto trago, ao final, surge uma picância, um tom refrescante, que se une ao doce para dar uma marca própria a essa cachaça extremamente confortável, que traz para o presente um estilo tradicional. A Princesa Isabel conseguiu, mais uma vez, respeitar a tradição e apontar para o futuro.

Enfim, Sanhaçu Origem e Princesa Isabel Cana Caiana – uma é uma orquestra cheia de inebriantes polifonias; outra é um cantador ponteando lindamente uma história de amor na beira do caminho. Ambas, únicas; ambas, ótimas.

Conheça outras melodiosas cachaças na seção Cachaças de A a Z.

 

 

Um comentário

  1. Texto incrível e para quem não provou tenho certeza que apontou um tremendo desejo, durante a leitura das saborosas linhas descritas!

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