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Cachaça Maria Boa e o segredo do cetim amarelo – Coluna do Agostinho

Manoel Agostinho Lima Novo visita a Cachaça Maria Boa

O turismo alcoológico foi conferir uma história do Nordeste brasileiro. Tudo começou em Natal (RN), quando, estando com um carro de aluguel, resolvi ir até João Pessoa (PB). 

Tomei a Rodovia BR 101, e lá, quase na divisa com a Paraíba, li em uma placa o termo “Pipa”, com indicação de que o caminho estava na segunda entrada à esquerda.

Agora pensa comigo, caro leitor: estou procurando um alambique e aparece à minha frente a palavra “pipa”, vocábulo que é um sinônimo de barril. Pipa, barril, barrica, tonel… para um apreciador da branquinha, é tudo a mesma coisa. Entrei!

Não é que eu estivesse enganado. “Pipa” ou melhor “Praia da Pipa” era o nome do lugarzinho aonde fui parar. 

Diga-se de passagem, trata-se de uma praia muito charmosa, não é uma praia só… de passagem.

Num bar pipeiro (será que é assim o adjetivo pátrio do lugar?), pedi uma cachaça da região e me serviram uma armazenada em amarelo cetim (rara madeira para armazenamento de cachaça). 

Na garrafa vinha escrito “Cachaça Maria Boa” – nome interessante. E o local de produção era Goianinha (RN).

“Onde fica esse alambique?”, perguntei ao garçon, que se parecia muito com o Tatoo, da Ilha da Fantasia.

“Fica logo ali, cerca de 25 quilômetros”, respondeu-me, apontando uma direção.

Fui lá. Visitei o Engenho Mucambo, após um sobe-e-desce pela estrada de barro, tipo queijo suíço, cercada de cana e feijão. Mas superei os obstáculos e caí dentro da dorna vazia do alambique.

A história que deu nome à cachaça é pra lá de bizarra e pitoresca. Contaram-me que na década de 1940, quando os soldados brasileiros retornados da Segunda Grande Guerra Mundial, ao chegar à base aliada em Natal, onde também havia muitos americanos,  a primeira coisa que faziam, tadinhos!, era procurar um prostíbulo na capital. Por lá existiam vários, mas um se destacava. 

Essa famosa casa de saliência, cuja proprietária era a dona Maria Barros, num gesto de patriotismo permitia que as meninas, suas colaboradoras, propiciassem aos nossos valentes guerreiros o alívio de suas aflições, sem evidentemente, cobrar por isto. Era como se o nosso Exército, com a colaboração de dona Maria, beneficiasse os soldados com um tipo de “vale sexo”.

No meio verde oliva, essa senhora, pela sua bondade samaritana, passou a ser conhecida como Maria Boa.

Tal senhora havia adquirido terras na cidade de Goianinha, município à margem da BR 101, onde pretendia montar uma espécie de filial dos seus empreendimentos sexuais. Mas com o fim da guerra e o retorno dos sobrinhos do Tio Sam para a terra dele o negócio se revelou inviável.

E como, neste país, os pequenos negócios nem sempre sobrevivem á prova do tempo, a Casa de Prazer da dona Maria Boa foi à bancarrota, ou por falta de clientes ou por falta de matéria-prima. Faliu e a tal filial nem chegou a se inaugurar, mas ali se instalou outro prazeroso negócio.

Num brilhante gesto, o atual produtor, em 2003, trocou as camas de colchão de clina pelas dornas e a velha geladeira a querosene por um alambique de cobre. Nascia ali no mesmo barracão outro negócio, que é bem diferente do anterior, mas também dá muito prazer. E uma justa homenagem  é rendida à cachaça ali produzida que leva o nome da sua antecessora, Cachaça Maria Boa. Não é uma boa (homenagem)?

Ainda no Nordeste, no próximo artigo saio da Boa e vou para Alegre, melhor vou a Campo Alegre, onde se produz a famosa Caraçuipe. Aguardem…

Enquanto isso, leia as Colunas do Agostinho anteriores.

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