fbpx
Inicio / Destaques / 7 Engenhos leva bartenders a um mergulho na cachaça. Por que isso é importante?

7 Engenhos leva bartenders a um mergulho na cachaça. Por que isso é importante?

Por Dirley Fernandes

Na segunda-feira, um grupo formado por 16 bartenders e donos de restaurantes e botecos – inclusive, um boteco de todo especial, o magnífico Bracarense, no Leblon, Zona Sul do Rio – montou em um ônibus no Aeroporto Santos Dumont, no Centro da capital fluminense e percorreu 245 quilômetros até a cidade de Quissamã, no norte do estado. O objetivo do grupo: aprender mais sobre o destilado nacional brasileiro no workshop A Evolução da Cachaça e sua Diversidade na Mesa de Bar’.

A iniciativa partiu do produtor Haroldo Carneiro, da Cachaça 7 Engenhos, empreendedor e historiador diletante cuja família tem mais de 400 anos de história na lida com a cana de açúcar e foi uma das pioneiras na ocupação das terras no norte da província do Rio de Janeiro.

Contarei adiante detalhes da tarde. Mas, antes, é preciso destacar a importância de iniciativas como a do Haroldo, que refletem a constatação, ainda que tardia, do potencial da coquetelaria para alavancar o aumento do público da cachaça.

A Leblon saiu na frente há muito tempo e traz bartenders inclusive do exterior para jornadas de aproximação com a cachaça em Patos (MG). A Novo Fogo também já trouxe gente de fora para conhecer os detalhes da produção, em Morretes (PR). A Gouveia Brasil faz ações do tipo permanentemente. Recentemente, foi a vez da Bem Me Quer lotar um ônibus com a turma dos bares de Belo Horizonte.

Essas ações são mais necessárias na medida que os cursos de bartender, com honrosas exceções, seguem oferecendo pouca informação sobre nosso destilado. No entanto, a vontade de parte significativa da turma dos balcões de se aprofundar no conhecimento sobre cachaça é cada vez maior. Quando um produtor toma a iniciativa, junta-se a sede com a vontade de beber. 

Fotos: Berg Silva/ Divulgação

Não sei se ainda é necessário reafirmar a influência de bartenders, garçons e gerentes de bar nas escolhas dos seus clientes. Talvez seja, porque segue sendo minoria o número de marcas que têm uma atuação profissionalizada e permanente junto a esse público, que precisa ser pacientemente trabalhado para a cachaça.

A informação que as brigadas dispõem sobre a categoria Cachaça é muito limitada. Oferecer acesso a esse aprendizado, de forma atrativa, é uma das chaves para ter mais gente ativa na oferta da cachaça, sabendo informar e dar segurança a um cliente propenso a beber cachaça, seja pura ou em coquetéis.

Isso posto, falemos em como foi o workshop.

CACHAÇA 7 ENGENHOS

Haroldo, após 2002, quando o Engenho Central de Quissamã desligou suas máquinas, inaugurando um novo tempo na história da cidade, resolveu dedicar seu trabalho e seus canaviais à cachaça. Hoje, sua marca ‘7 Engenhos’, que substituiu a primeira, São Miguel, nascida pelos idos de 2010, é uma das que melhor têm penetração em boas casas cariocas, em especial as que se dedicam à coquetelaria.

Haroldo produz as variedades Prata, Bálsamo, Carvalho e os blends Imperial e Especial – todas cachaças que têm como marca o uso sabiamente moderado dos aromas e sabores emprestados pelas madeiras. Mas é a Cachaça 7 Engenhos Cerejeira, com seus sabores e aromas confortáveis e dulçor equilibrado que faz bater mais forte muitos corações devotos, inclusive o desse editor.

Devotos da Cachaça
Comunhão: cachaça na capela

Mas o tema do post é o evento promovido por Haroldo, além do necessário elogio, já feito acima. Contemos como foi…

O objetivo da viagem era fazer uma espécie de imersão a jato na Cachaça e, em particular, na Cachaça 7 Engenhos. Assim, ao chegar em Quissamã, Haroldo conduziu o grupo, antes de mais nada, a um passeio pela pequena cidade e suas joias históricas, em especial a Fazenda Machadinha, com suas senzalas e demais patrimônios – materiais e imateriais – preservados.

Compreendido o território onde nascia a bebida, foi a hora de visitar o alambique e conhecer a produção da Cachaça 7 Engenhos, que está em plena safra. Os bartenders puderam presenciar o processo de moagem, o trabalho das leveduras e o sono ativo das cachaças de anos anteriores nos barris.

Depois, passou-se à degustação de toda a variedade de rótulos produzidos na fazenda – experiência realizada entre os barris, para alegria da turma, cujo conhecimento técnico era evidente, a informação sobre cachaça, bastante variada e o interesse no tema, bem claro. A rapaziada não tinha utilizado a segunda-feira de folga de bobeira…

Após o almoço, sempre farto e inspirado na São Miguel, a turma de devotos se dirigiu para a capela. Lá, ouviram com exemplar atenção exposições sobre temas referentes à cachaça e à coquetelaria com cachaça do próprio produtor Haroldo Carneiro, da  sommelière Deise Novakoski, do bartender Walter Garin e deste editor que vos escreve.

Foi a primeira vez que falei sobre cachaça – e dela fiz uso – em uma capela. Mas Haroldo garantiu que não era pecado e acrescentou que os matrimônios ali realizados eram os mais bem-sucedidos da família, o que seria, na visão dele, bom sinal. No entanto, percebi que as imagens dos santos padroeiros haviam sido retiradas para uma providencial reforma. Fiquei mais tranquilo.

À essa altura, já tinha se juntado ao grupo a bartender Thianny Estevam, do Canastra Rosé, de Botafogo. Após perder o horário do ônibus da nossa excursão, ela pegara um ônibus de linha para Rio das Ostras, outro para Macaé e, ali, uma lotação para Quissamã. Que fôlego! E que vontade de aproveitar o que ali havia para aprender.

Haroldo e Thianny: produtor e bartender

No fim da tarde, após as exposições, os bartenders entraram em campo para uma competição informal de drinques com a Cachaça 7 Engenhos. Thianny trouxe uma excelente combinação muito raiz de caju com gengibre e limão. Vinicius Lopes de Souza, do Xian, mostrou excelente mão para um equilibrado e saboroso drinque com cachaça, vermute e camboatá que bem poderia ser enquadrado como um rabo de galo.

Mas o campeão da noite foi o cara que anima as noites do Canastra de Ipanema com suas misturas refrescantes, o elétrico Zurriê. Ele agradou a todos, mas encantou particularmente um americano que produz cervejas em Quissamã e que fez parte do júri, Jeff Brumley, da marca Cocky Rooster.

Servido dentro de um coco cortado com capricho, o drinque de Zurriê levava coco, tangerina, 7 Engenhos Bálsamo e Meladinha (aguardente composta com melaço). Cem por centro tropical! Perfeito para a tarde quente. “Poderia se chamar pule de dez. Só botou coisa boa”, brincou Kadu Tomé, do Bracarense.

Zurriê: campeão

Após a premiação – cachaças para todos e um troféu para o vencedor – o caminho de volta foi um prolongamento dos debates sobre os drinques preparados e as possibilidades da cachaça na coquetelaria. Em um registro bem sintomático, um dos bartenders, de elegante casa carioca, virou-se para esse editor e disse: “Agora, tenho muito mais argumentos para convencer meu chefe a ter mais drinques com cachaça na nossa carta”.

O caminho é longo, mas ali dava-se mais um passo. Daquela turma, quem ainda não era virou devoto. Amém!

Em tempo: a Bem Me Quer fez um belo vídeo da visita dos bartenders ao alambique de Pitangui. Vejam aí:

Leia mais notícias sobre cachaça clicando aqui.

 

Um comentário

  1. Rosane Corrêa Ferreira

    Sem dúvida alguma, a coquetel ária é o caminho mais rápido para o sucesso da cachaça. Parabéns Haroldo Carneiro!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Devotos em seu e-mail

Pular para a barra de ferramentas Sair