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Academia Brasileira da Cachaça empossa 4 novos imortais

Numa das festas mais bonitas do ano, a Academia Brasileira da Cachaça empossou na sexta-feira (30/08) quatro novos imortais da pinga. São eles Cláudio Pinheiro, José Alberto Kede, Sérgio Rabello e Tereza Cristina.

Os quatro receberam seus fardões – que, para olhos pouco treinados, pode ser confundido com um simples avental – no segundo andar do glorioso Galeto Sat’s, em Botafogo, entre muitos brindes e felicitações. Tudo, no entanto, à base de cachaça, tendo ficado o chá para a outra Academia.

Quem são os novos acadêmicos?

José Alberto Kede e seu fardão

José Alberto Kede agora se assenta na cadeira de número 18, antes ocupada por Carlos Alberto de Oliveira, o Caó, a qual tem como patrono João Saldanha. Kede é, ele mesmo, um patrimônio da cachaça. Ex-presidente da Confraria de Cachaça Copo Furado, conhecedor dos segredos dos alambiques e de todos os aromas e sabores da cachaça, ajudou a catequizar centenas, milhares de devotos do nosso destilado nacional Brasil afora.

Kede deverá, inclusive, assumir as funções executivas do grupo, com o atual presidente, Paulo Magoulas, elevado à categoria de presidente de honra.

Cláudio Pinheiro é o fundador de um patrimônio do Carnaval carioca, a Banda de Ipanema e irmão de outro famoso devoto da cachaça, Albino Pinheiro. Ele ocupa a cadeira de número 2, antes de José Ruy Dutra, a qual tem como patrono Nelson Cavaquinho.

Serjão Rabello: compromisso

Sérgio Rabello é o homem à frente das duas casas com a bandeira Galeto Sat’s, em Botafogo e Copacabana, além da Adega da Velha, também em Botafogo. Esses são três dos endereços onde se pode encontrar farta variedade de cachaças de alta qualidade e caipirinhas nas regras da arte no Rio de Janeiro – além de ótimos galetos e uma farofa-omelete inimitável, no Sat’s, e um belo baião de dois, na Velha. Grande devoto da cachaça, Serjão está sempre pronto para reafirmar seu mote: “Parceiro, eu tenho compromisso com quem bebe”.

Teresa Cristina, a voz maviosa do samba, cantora de todo bom gosto do planeta, ocupará a cadeira 39, que tem como patrono Rubem Braga e que era trono da diva Beth Carvalho, falecida em abril.

A Academia Brasileira da Cachaça, tal qual sua congênere do mundo da literatura, é composta por 40 imortais. São eles também, como no caso da ABL, figuras de proa não apenas da devoção à cachaça como da vida social e cultural brasileira, mormente carioca. Entre os acadêmicos estão grandes figuras como Jaguar, Ziraldo, Aldir Blanc, Ykenga, Noca da Portela e Paulinho da Viola.

Decorre daí a beleza da festa no Sat’s, que reuniu grandes personagens da vida de São Sebastião, cidade toda flechada, porém resistente.

Na ocasião, Luciana Magoulas, filha do grande Paulo Magoulas, defensor perpétuo da cachaça, leu um texto em nome da Academia. Seguem alguns trechos.

“Gostaria de deixar claro, que todos os acadêmicos ausentes não puderam vir por conta de compromissos profissionais, pessoais ou de saúde. Mas a maioria indicou, votou e o resultado foi unânime.

(A cachaça) Esquenta nas horas de frio, celebra os momentos de alegria e ajuda o povo a esquecer as coisas tristes da vida, pode ser oferenda para todos os tipos de santo, se misturar com remédios para curar as moléstias e fazer parte das receitas dos pratos tradicionais em todos os cantos do país. É inspiração para os poetas e até símbolo de resistência nacional.

Em outubro de 1993, no dia que o Bar Academia da Cachaça comemorava os seus oito anos, um grupo de bebedores que possuía um certo poder de mídia no país se juntava na Barra da Tijuca, para fazer uma homenagem à genuína bebida brasileira, a cachaça de alambique. Começava ali a luta da primeira entidade cachaceira brasileira. A ideia surgiu da cabeça do meu pai (Paulo Magoulas), o presidente.

Nos mesmos moldes da Academia Brasileira de Letras, que tinha como patrono o escritor Machado de Assis, quarenta acadêmicos, entre eles trinta homens e dez mulheres seriam escolhidos. A única diferença é que ‘na Academia Brasileira da Cachaça, todos sabiam beber. Na Academia Brasileira de Letras, nem todos sabem escrever’. A fala também é dele.

No ano inicial, apenas trinta acadêmicos foram empossados, ganharam o tradicional fardão e cada membro teve o direito de escolher um patrono para sua cadeira que só era substituída por motivo de falecimento. No ano seguinte, em 1994, foram escolhidos mais dez membros. O patrono geral da Academia é o compositor Carlos Cachaça que na época, ainda era vivo.

Teresa Cristina, imortal, com Thiago Pires. Foto: Pedro Fajardo

A cadeira número um foi concedida a Fernando Pamplona e a cadeira número dois, a Albino Pinheiro, que representavam a cara do Rio naquela época. Entre os homens, se destacavam Jaguar, João Nogueira, Hugo Carvana, Ziraldo e Zózimo Bulbul. Entre as mulheres, Bete Mendes, Gisela Magalhães (arquiteta do Bar Academia da Cachaça), a sambista Ruça e a produtora mineira de Ouro Preto, Maria Aparecida Zurlo. O presidente é até hoje, Paulo Antonio Magoulas. O tesoureiro, Raul Hazan, e o secretário é o Luiz Fernando Vieira.

A Academia de certa forma, foi um desdobramento das atividades da Carioca, Confraria dos Amigos do Rio de Janeiro – Cariocas Associados, entidade que já encerrou sua luta. Era presidida pelo saudoso Albino Pinheiro e tinha como diretores, Antonio Carlos Lobo, Arthur Poerner, Bete Mendes, Fernando Pamplona e Paulo Magoulas. Todos formaram um conselho que, junto com o Hélcio Santos, sócio do bar Academia da Cachaça, escolheu os quarenta acadêmicos.

A título de curiosidade, existe um único caso de um acadêmico ser patrono dele mesmo. Sérgio Arouca, ao ocupar a cadeira trinta e oito da Academia, escolheu como seu patrono Noca da Portela, que, quando Sérgio morreu, assumiu sua cadeira, virando seu próprio patrono.

A Academia Brasileira da Cachaça é conhecida nacional e internacionalmente. Seu trabalho é considerado de fundamental importância para o desenvolvimento cada vez maior da cachaça”.

Um brinde aos novos acadêmicos!

 

2 Comentários

  1. Belo registro em um momento em que nós cariocas precisamos de boas memórias e perenes referências.

  2. Parabéns aos novos académicos da Cachaça, a nobre bebida nacional.

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