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Cachaças catarinenses para esquentar o inverno

Por Dirley Fernandes

Recentemente, este editor esteve, em viagem de férias, pelas bandas do Sul. Dedicou-se às cervejas catarinenses e aos vinhos gaúchos e vice-versa, mas, claro, não deixou de visitar alguns alambiques. No Rio Grande, esteve na Velho Alambique (veja aqui). No Paraná, visitou a Ouro de Morretes. Em Santa Catarina, conheceu três engenhos: os da Spézia e Bylaardt, em Luiz Alves, e o da Cachaça Moendão, em Gaspar. De lá, trouxe duas cachaças e uma aguardente. É sobre essas cachaças catarinenses que falaremos agora.

Começando pela Bylaardt. A empresa está muito bem instalada numa das entradas da cidade de Luiz Alves, a capital catarinense da cachaça (saiba mais sobre as cachaças locais nesse link). E está ampliando sua capacidade de produção, que, hoje, já supera os 300 mil litros ao ano.

A companhia foi fundada, em 1943, pela família de Johannes Lorenzius Van Den Bylaardt, imigrante holandês que chegou ao Brasil em 1860, que é tradicionalíssima na cidade. Recentemente, a cachaça abocanhou uma série de prêmios.

É grande o fluxo de pessoas que vêm dos grandes centros do estado para comprar  cachaça diretamente no alambique – algo comum em Luiz Alves. No alambique, no entanto, o atendimento e as informações sobre a produção e os produtos são um tanto truncadas.

cachaças catarinensesAinda assim, trouxe de lá a Aguardente Composta com Carvalho Bylaardt. O produtor usa extrato de carvalho para emular os efeitos de cor e sabor do envelhecimento. A aguardente de base é feita a partir do melado.

O que resulta disso? Uma bebida doce e simples, mas sem dúvida agradável. Falta complexidade, estrutura e algum punch, mas não há defeitos que ressaltem, sendo o paladar bem mais agradável do que o aroma.

Na mesma Luiz Alves está outra das mais tradicionais cachaças catarinenses. No alambique da Spézia, as instalações são rústicas e a produção é familiar – aliás, também desde a década de 1940. De lá, trouxe uma perfumada “cachaça artesanal”, com 15 anos de envelhecimento em carvalho declarados.

A produção, também à base de melado, é ininterrupta ao longo do ano, atingindo 200 mil litros no ano passado, segundo a conta dos produtores. A bebida que trouxe, envelhecida em velhos barris, é redondíssima, com aromas de ameixa, doce de coco e ervas. O corpo é leve e o sabor, adocicado, com um final mansamente picante – tudo muito agradável.

Em Gaspar, município a meio caminho entre Camboriú e Blumenau está a Moendão, que é a um só tempo alambique de porte mediano e uma grande loja de estrada. A produção ali é mais modesta em termos de volume. Qualidade, no entanto, não falta e vem sendo aprimorada.

O alambique, que remonta ao ano de 1890, está em reforma, com requintes como uma proteção de vidro para a área de fermentação. A tendência, portanto, é de aprimoramento. De lá, trouxe a Moendão Reserva Especial 10 Anos, um belo produto que conquistou medalhas na Expocachaça.

A cor de um dourado denso e cheio de brilho já agrada aos olhos. Os aromas de baunilha, anis, capim limão e grama molhada trazem um imediato conforto e aquecem a tarde fria. No paladar, a Moendão se mostra equilibrada, apesar do registro doce predominante. A textura é aveludada e o final é persistente, mui levemente picante. Enfim, é cachaça de carvalho de estilo clássico e boa qualidade.

As cachaças catarinenses estão em franca evolução, em volume e qualidade, o que é um resgate histórico, já que a produção do estado tem uma história secular. Os alambiques ainda precisam estar mais preparados para receber os visitantes, mas isso não é um problema apenas ali. Com o tempo, virá a evolução, já que há iniciativas importantes nesse sentido. Sobre isso, leia nosso post sobre a Rota da Cachaça de Luiz Alves. 

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