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Conheça os alambiques de Paraty: lindas cachaças na fonte

Por Dirley Fernandes

Os alambiques de Paraty são destino obrigatório para um devoto da cachaça juramentado, locais de peregrinação. As terras úmidas em torno da baía foram um importante berço para a produção da cachaça.

A primeira alambicagem por ali se deu em algum momento perto do ano de 1600, por iniciativa de vicentinos que se estabeleceram mais ao norte da povoação onde se ergueu o Engenho dos Erasmos, provável local de nascimento da cachaça.

No século XVIII, as terras paratienses chegaram a abrigar mais de uma centena de engenhos e engenhocas, produzindo cachaça e rapadura cuja fama cruzava os oceanos.

Hoje, são seis os alambiques de Paraty em pleno funcionamento. Diante do número antigo, pode parecer pouco, mas é uma das cidades com maior densidade de alambiques por habitante do planeta! E absolutamente todos os engenhos fazem cachaça de altíssimo nível, numa comprovação de que tradição conta muito, sim senhor.

A grande vantagem adicional para o devoto é que todos os alambiques de Paraty são facilmente alcançáveis para uma visita, dada a proximidade entre eles e em relação ao Centro Histórico. Quem quiser, consegue, num fim de semana, conhecer todos.

Vamos a eles, aproveitando que estamos próximos do 37º Festival da Cachaça de Paraty (leia sobre isso aqui).

Cachaça Pedra Branca e Cachaça Paratiana

O Alambique da  Cachaça Pedra Branca (Estr. da Pedra Branca, km 01) fica a sete quilômetros da Rodoviária de Paraty e permite visitação entre 10h e 16h. É uma região linda, na encosta da serra, que conta com duas cachoeiras, a da Pedra Branca e o Poço do Inglês.

Na área da fazenda, se veem os canaviais e, ao longe, o recorte da baía de Paraty. E, claro, se pode experimentar as cachaças ali produzidas, entre as quais a ótima Pedra Branca Prata, em amendoim, com sua acidez controlada e sabor de cana preservado.

Menos de um quilômetro adiante, na mesma Estrada da Pedra Branca, está o alambique da Cachaça Paratiana, a paratiense que mais tem angariado prêmios nos últimos anos. Difícil dizer se a melhor é a Paratiana Ouro (carvalho) ou Prata (jequitibá), ambas medalhistas de ouro no Spirits Selection 2017 (leia sobre isso nesse link). O alambique possui uma grande linha de produtos, incluindo as marcas Labareda e Mulatinha. A visitação (10h às 17h) é bem estruturada e a loja conta ainda com doces locais.

Cachaça Coqueiro e Cachaça Corisco 

Indo na direção do Estado de São Paulo, a 10 quilômetros do Centro Histórico e no caminho para Trindade, Paraty Mirim, Praia do Sono e saco de Mamanguá fica a roda d’água da Fazenda Cabral, onde nasce a gloriosa Cachaça Coqueiro, entre outras. Ali, os Mello seguem a tradição familiar que remonta ao século XVIII. Cachaças lindas, com produção e sabor tradicionais. Para chegar lá, é só pegar a Rio-Santos e, seis quilômetros após o trevo de Paraty, ficar de olho na grande placa que indica o caminho para a fazenda.

O Engenho Corisco, no bairro do mesmo nome, a 8 km do centro, é menos equipado para visitação, mas igualmente receptivo. E a cachaça Corisco é a mais paratiense de todas produzidas na região, com seu aroma forte e delicioso de cana. O alambique fica na Estrada do Corisquinho s/nº. Ali perto, fica a cachoeirinha do Poço das Andorinhas.

Cachaça Engenho d’Ouro

O alambique da Engenho d’Ouro (Rodovia Parati-Cunha, 7833, Km 8) é o mais distante da área central de Paraty (10 quilômetros), mas o caminho já valeria a viagem, sem nem começarmos a falar da qualidade das belíssimas cachaças ali produzidas, com capricho inigualável. A região da Penha é coberta de mata densa. Ali, na Estrada Paraty-Cunha se vê a Paraty da Serra do Mar. Defronte ao alambique está a cachoeira do Tobogã e o Poço do Tarzan e a igrejinha da Penha. A grande boa é aproveitar a visita para almoçar no restaurante do alambique, após visitar as instalações e provar as equilibradas e densas cachaças da casa (leia sobre elas clicando aqui). Comida caseira em meio à natureza e com cachaça boa. Pura felicidade!

O mais belo entre os lindos alambiques de Paraty – e do Brasil – é o da Cachaça Maria Izabel. Sobre esse alambique, debruçado sobre o mar, falamos nesse post. Clique e descubra.

 

 

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