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Shake lança carta de drinques só com cachaças do Rio

Sim, bares dedicados à coquetelaria em que a cachaça figura com destaque já existem alguns – e o paulistano Guarita vem sempre à lembrança, com todas as honras. Mas em nenhum lugar do planeta um bar de drinques foi tão longe na proposta de privilegiar os drinques com cachaça quanto o carioca Shake Speakeasy.

Desde a última terça-feira, a casa comandada pelo mestre Walter Garin conta com uma carta totalmente dedicada ao destilado nacional. Para ficar mais raiz ainda, os dez novos drinques elaborados pelo mestre têm como base cachaças produzidas no Estado do Rio e como inspiração a agitada história da vida na Guanabara e em seus arredores, antes e depois da chegada dos portugueses. Nessa pesquisa, Garin teve o auxílio deste editor que vos escreve.

São dez cachaças diferentes para dez drinques e uma multidão de aromas e sabores. Esses coquetéis formam uma carta específica, batizada ‘Sabores da Guanabara’.

Esses drinques são o cerne do novo cardápio da aconchegante casa, que acaba de completar um ano de vida no inusitado endereço: o segundo andar do Terminal Menezes Cortes, um tanto escondido entre lojas genéricas – como convém a um speakeasy.

Em tempo: os grandes sucessos da carta anterior, como o premiado Tommy Gun, além dos clássicos de sempre, ainda estão lá, completando o rol de opções do bar.

‘Jornal’ fala sobre os drinques da nova carta

Os drinques com cachaça

Falemos de alguns dos destaques entre os drinques com cachaça, já que não foi possível a esse devoto provar todos – ainda! Garin, que há cerca de cinco anos, vem se enfronhando cada vez mais na coquetelaria com cachaça, diz que pensou em algumas receitas que poderiam agradar a clientes do Shake que ainda têm medo de cachaça e em outras sob medida para o paladar de cachaceiros experimentados.

Por exemplo, Capitu. A “musa de olhos de cigana” de Machado de Assis inspirou um drinque que tem a Cachaça Vieira e Castro como base. Morango e beterraba emprestam uma bela cor entre o vermelho e o rosado ao drinque, que recende a especiarias e a gengibre. É pedida refrescante, facílimo de beber, próprio para os fins de tarde quentes do Centro do Rio.

O Tamoio tem natureza mais guerreira, mais ácida, como a dos índios que habitavam a Guanabara antes da chegada dos portugueses. Um shrub de maxixe, além de pimenta verde, especiarias e até uma versão do aluá, bebida tradicional dos indígenas, dão um punch moderado a esse drinque que tem a cachaça Magnífica Bica do Alambique em sua base.

O Mata Atlântica tem vibe semelhante, apesar da estrutura mais densa e da adição de xarope de maçã e canela. O detalhe é a cobertura caramelizada, lembrando as queimadas que destruíram as florestas nativas do Rio. A base é a cachaça Santo Grau Paraty.

Engenho del Rey: a base é Soledade Pau Brasil

O Ilha Fiscal é servido numa xícara de fino trato, remetendo ao último baile do Império. A base é um espumante brut e a clássica cachaça Da Quinta Umburana. Um vermute de morango de fabricação própria – excelente – e um bitter de hibisco dão o toque de amargor. É um coquetel potente e equilibrado, de sabor originalíssimo. Para os mais devotados aos sabores da cachaça é pedida certa, como os três próximos citados.

O Engenho d´El Rey, inspirado nas moendas de cana que existiam às margens da lagoa Rodrigo de Freitas, é lindo em cores, aromas e sabores. Um legítimo coquetel para cachaceiro! A base é a belíssima cachaça Soledade Pau Brasil. Diferentes bitters dão amargor e tempero que são contrabalançados com xarope de caldo de cana e sublinhados com uma solução salina em dose homeopática. Delicioso!

Mas o prêmio de originalidade vai para o Casa Grande, um coquetel que passa por um processo de clarificação realizado por Walter Garin ao longo de três dias. A cachaça Werneck Reserva Especial fica translúcida e se mistura a um xarope de abóbora e coco, além de cravo e canela, ingredientes inspirados nas cozinhas senhoriais das casas grandes com seus doces de compota. Mas não é doce em excesso. É complexo, com a experiência completada pelo aroma da noz moscada. O melhor da carta.

O Dona Úrsula, com cachaça Tapinuã dos Reis e muitas especiarias; o Sinhazinha, com goiabada cascão e cachaça Tellura; o Sete Capitães, com 7 Engenhos bálsamo, uva e sálvia, e o Moreninha, com Cachaça Itajoana Preta (bálsamo, umburana e carvalho) combinada com bitters, completam a carta. Mas esses experimentarei na próxima ida ao Centro do Rio, onde, bem perto de onde desembarcou Dom João, na esquina onde transcorreu a Revolta da Cachaça e diante do prédio onde Dom Pedro disse ao povo que ficava, Walter Garin abre um novo capítulo na história da coquetelaria com cachaça.

Em tempo: Cada um dos drinques custa R$ 25.

Em tempo II: Para completar a festa, há que se citar, fora da carta ‘Sabores da Guanabara’, mas na proposta dos drinques com cachaça, o Traçado da Quinta, com a Cachaça da Quinta e o Cynar 70 (mais pungente) se equilibrando no ótimo rabo de galo da casa.

Serviço: O Shake Speakeasy fica na sobreloja da rua São José 35, lojas 230/231. O bar funciona de 16h30 às 23hs, de segunda a sexta-feira.

Falando em Guarita, também estivemos por lá bebendo belos drinques com cachaça. Leia aqui.

Por Dirley Fernandes

6 Comentários

  1. Sensacional, perdi o lançamento, mas em breve parei uma parada no Shake, para provar estas maravilhas! Sucesso ao Garin, pelo belíssimo trabalho com a nossa cachaça!

  2. Anderson de Azevedo Kozlowski

    O drink denominado a Moreninha, está com a Cachaça errada, ele é feito na realidade com o blend da Cachaça Itajoana preta, de Bálsamo, Carvalho e Amburana, não com a cachaça da quinta, fica aqui meu pedido pra corrigir a matéria, ok…
    Um grande abraço…
    Anderson de Azevedo Kozlowski…
    Cachaça Itajoana.

  3. Dirley Fernandes
    Dirley Fernandes

    Devidamente corrigido, amigo. Com nossas desculpas pelo erro.

  4. Drinques certamente MARAVILHOSOS! Nossa cachaça merece esta homenagem ! 👏👏👏

  5. Iremos com certeza conhecer! Show de bola 👌

  6. Anderson de Azevedo Kozlowski

    Dirley Fernandes, obrigado…
    Att.
    Anderson de Azevedo Kozlowski.
    Cachaça Itajoana…

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