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A despedida de Carlos Átila, da Cachaça Doministro

Ex-ministro e criador da Cachaça Doministro falece aos 81 anos

Por Manoel Agostinho Lima Novo

Quem tem o hábito de ler meus artigos geralmente não consegue fazê-lo sem ao menos um discreto sorriso diante das minhas ironias etílicas. Hoje, neste breve texto, não conseguiremos, nem eu e nem o leitor, abrir esse sorriso tão comum. 

É fácil escrever sobre este produtor de cachaças, o que não é fácil é escrever com alegria neste momento. Sei disso, mas não poderia deixar de fazer esta singela homenagem ao ministro da cachaça ou ao criador da Cachaça Doministro. Dia 11 passado, o Brasil e o mundo da cachaça deram adeus a Carlos Átila, geminiano de 26 de maio.

Foto: Luís Tajes/CB/D.A Press. Brasil

Ele era uma das personalidades conhecidas em outros ramos que se dedicaram também à cachaça, assim como foi o nosso ex-vice presidente José de Alencar, que produziu a Maria da Cruz, fantástica cachaça mineira que tanto apreciei – outros casos são o da família Odebrecht, com a já extinta Itagibá, o deputado federal Aécio Neves, com a Mingote (aliás uma das melhores amendoim que conheci), e  o executivo Ivan Zurita, com a Cachaça do Barão.

O diplomata Carlos Átila, mineiro de Nova Lima, com seu sorriso matreiro, começou bem antes de se aposentar a produzir, para si e seus muitos amigos, uma branquinha de respeito. Em 1998, confiante na qualidade do seu produto – e não podia ser diferente – resolveu empreender e registrou sua cachaça.

Em um dos especiais encontros que tive com nosso ministro, ele contou-me um dia que sua maior dificuldade no início foi encontrar um nome para seu produto. Até que teve uma ideia. Já existia cachaças com nomes com “do Barão”, “do Coronel”, Tenente, Cardeal, Presidente, até “do Gerente”. Então, por que não chamá-la de “do Ministro”? Acabou batizada com essa palavra sonora: “Doministro”. Pegou, pegou tanto que rapidamente a cachaça ficou conhecida em todo o Brasil.

Lembro-me de uma visita ao seu alambique em Alexânia (GO), quando, sentado num barril de carvalho, com uma taça na mão obviamente (e de olho na garrafa), ouvia suas fantásticas histórias, desde o momento que recebeu indenização da desapropriação de uma outra fazenda até as aventuras na montagem do novo alambique. Histórias interessantes e bem contadas, que davam gosto de ouvir. Ele demonstrava nas sua palavras a ética e a seriedade com que conduzia seu negócio de sucesso. Era um apaixonado pelo que produzia, ciumento com sua cachaça. Ele se metia a fazer desde a fermentação até o envase. Alambiqueiro para ele era enfeite de alambique.

José Saraiva Neto, da cachaça Caiaulua, se despediu do amigo pelas redes sociais: ‘Luto. Meu amigo, parceiro, colaborador e conselheiro de todos nós produtores de Goiás . A Agopcal perde uma cadeira insubstituível. Quando comecei a produzir cachaça 10 anos atrás, o ministro abriu suas portas para o que eu precisasse . Por isso que digo, não existiria Caialua sem o Ministro, a cachaça Doministro’.

Ministro deixa legado

Diplomata, porta-voz presidencial, ministro do TCU, presidente do conselho da Rede Sarah, cachaceiro por opção, se despediu após um mal súbito, sentido durante o almoço em honra aos bem vividos 81 anos de idade. Se despede da cachaça, da brilhante e invejável vida profissional, dos amigos, da família e do Brasil.

Os filhos Alexandre e Patrícia, certamente, e com apoio da matriarca, Sra. Tânia, continuarão tocando a Cachaça Doministro, pois em todas as feiras em que fui lá estava o bacharel Carlos Átila apoiado ao ombro de Patrícia, e às vezes do neto, observando e ouvindo os elogios dos apreciadores da branquinha.

Não foi diferente na última Expocachaça, quando se encheu de orgulho para me apresentar sua preciosa 10 anos em carvalho.

A ausência de sua figura, ministro, será sentida por nós e comentada nas feiras e exposições. Lembraremos sempre do seu sorriso ao sorver uma inox, uma amburana, uma jequitibá ou um carvalho, saídos de suas mãos.

Sucesso sempre aos herdeiros da Cachaça Doministro e dos ensinamentos de Carlos Átila!

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3 Comentários

  1. Belíssima crônica do Agostinho. Sou um ex-cachacista militante, um apreciador da pinga de engenho, daquelas orgânicas e sem mistura química, embora não beba há mais de vinte anos. Para tê-las junto de mim, tornei-me um mero colecionador. Assim, por onde ando, sempre estou à procura de novidades. Das cachaças “Doministro” tenho todas. Moro em Anápolis e morei em Alexânia, onde advoguei por mais de trinta (30) anos, com predominância na área do direito agrário. Conheci Carlos Átila quando o mesmo estava montando o seu alambique. As referências sobre ele sempre foram as melhores. Tornei-me amigo, também, do empresário Galeno Lacerda Monte, fabricante da famosa cachaça “Cambeba”, também de Alexânia. Mas, a pinga que não me sai da lembrança etílica, não tem nome e nem embalagem comercial. Era feita nos fundos do curral da Fazenda do Professor Armando Faria Neves, professor da UnB, aposentado, e que mora em Olhos D’agua. São figuras que eu amo!…

  2. Tive o prazer de cumprimentar o Ministro 10 minutos antes do mal súbito.
    De extrema cordialidade, ele passou na Eu Amo Cachaça para me dizer Boa tarde e pedir informação sobre o local do restaurante em que iria almoçar com o amigo Boni, confrade da Confraria da Cachaça do Brasil.
    Fica a saudade e o exemplo!
    E as boas lembranças…

  3. CARLOS ALBERTO SPIES

    Como falar de um homem que criou uma das melhores cachaças do Brasil, especialmente para mim a melhor cachaça que já conheci. O ministro Carlos Atila deixa um legado e um exemplo de empreendedorismo pelo sua dedicação e confiança no seu produto, um deferencial insuperável da sua cachaça Doministro. Conheci o ministro em um das minhas visitas da Loja em Alexânia, e fiquei impressionado com sua simplicidade e humildade em atender com paciência os clientes, principalmente minha pessoa na qual talvez lhe fazia perguntas tão amadoras, e mesmo assim respondia com maior prazer. Tenho registrado este momento comigo e gostaria muito que este legado seguisse com a família, pois eu aprendi a apreciar cachaça no dia que um amigo me apresentou a DOMINISTRO, e desde então é minha bebida favorita em todos os momentos. Hoje sou um admirador e consumidor desta cachaça, levo ela em minhas viagens para todo canto do Brasil, e faz parte dos principais eventos da minha vida e nunca errei em presentar alguém com essa excelente cachaça, sempre muito elogiada.
    Obrigado por nos deixar sua eterna marca DOMINISTRO.

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