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As cachaças mais vendidas nos bares de todo o mundo

A Drinks International (DI), uma das mais respeitadas publicações da indústria de destilados do planeta, acaba de lançar o suplemento ‘Annual Brands Report’. É um levantamento com donos de bares, gerentes e chefes de bar de todo o planeta que aponta as marcas que estão em destaque no momento em várias categorias de destilados, entre os quais a Cachaça. É publicação útil para sinalizar como anda a cachaça no mercado externo.

A pesquisa é feita exclusivamente em bares premiados nos mais importantes rankings do mundo, entre os quais o ’50 Best Bars in The World’, também de responsabilidade da revista. Este ano, 138 casas ao redor do mundo participaram do levantamento, sendo três da América Latina, dez dos EUA e 50 na Europa, com destaque para os britânicos, que participam com 13 bares. Na Ásia, mercado que mais cresce no mundo dos destilados, são 44 bares, com presença marcante de Singapura (12) e Hong Kong (8).

O método para formar as listas é o seguinte: cada casa, por meio do seu responsável, indica as três marcas mais vendidas de cada categoria de bebida. Da média dessas citações, sai a lista dos ‘Best Selling Brands’ (‘marcas que mais estão vendendo’).

É perguntado para a turma também quais marcas, ainda que não estejam necessariamente vendendo grandes quantidades no momento, tem um “cool-appeal right now” – ou seja, têm demonstrado capacidade de encantar o público agora, são as próximas a bombar. A pergunta é uma forma muito inteligente de identificar tendências e potenciais das marcas. Aquelas são são mais citadas formam o ‘Top Trending Brands’.

“Frequentemente, as marcas que figuram no ‘Top Trending’ migram para a ‘Best Selling’ no ano seguinte, à medida que a curiosidade e a excitação se transformam em vendas maiores”, diz o editor da DI, Hamish Smith, em texto na revista.

Há ainda outras listas que englobam todas as categorias. ‘The Bartender´s Choice’ representa a escolha dos bartenders, independente de vendas. ‘The All-Time League’ é um rol formado pelas marcas que se mantêm no topo desde o início das pesquisas de marcas da DI, em 2010.

Algumas curiosidades: a marca de destilados preferida dos bartenders, incluindo todas as categorias, é a francesa Plantation, que possui uma linha de runs produzidos em locais como Barbados, Jamaica e Peru. A marca ocupa o topo pela primeira vez e é a favorita de 9% dos respondentes e uma dos top three de 18% – o que, diante da variedade de spirits no planeta, é um feito de grandes proporções.

O rum deixou o Tanqueray, campeão nos últimos cinco anos, para trás. Mas a marca de gin ocupa a segunda posição, à frente do gin germânico Monkey 47, marca recentemente adquirida pela Pernod Ricard e presente em mais de 50 países.

A lista dos favoritos dos bartenders tem um total de quatro gins, dois runs, um licor, uma vodca, uma tequila e um mezcal. Nenhum whisky e nem sombra de cachaça.

Mas vamos às listas que contam sobre a cachaça no mercado externo. A revista identifica que o nosso destilado tem “ameaçado” uma entrada na cena internacional da coquetelaria, mas, “embora tenha tido bons momentos”, ainda não deixou uma “impressão duradoura”. “A maioria dos bares tem uma marca, mas para por aí”, diz a revista.

Segundo o levantamento, 80% dos bares pesquisados têm seu exemplar de cachaça na prateleira ou no estoque. Parece bom, mas é menos do que no ano passado, quando esse índice era de 90%.

A Cachaça Leblon, com seu trabalho de marketing extremamente profissional, é a marca mais vendida entre os melhores bares do planeta, o que não é uma surpresa. “É a marca que vai estar pronta para quando a cachaça, de fato, alçar voo”, sentencia a revista.

A cachaça nascida em Patos (MG) e hoje parte do portfólio da Bacardi, está em 14% dos grandes bares do mundo. A segunda da fila é a Cachaça 51, líder de vendas aqui e lá fora. Completa o top three a Cachaça Abelha, marca pouquíssimo conhecida no Brasil.abelha

A Abelha é destilada em Rio de Contas, na Chapada Diamantina (BA), por Marcos Vaccaro, e certificada como orgânica. O dono da marca, no entanto, é britânico, Hal Stockley, o que explica a boa penetração nas terras da Rainha. Stockley trabalha o mercado britânico há 9 anos e manda a Abelha de lá para outros países.

Sagatiba e Germana fecham a lista das best sellings.

Entre as top trending, a Cachaça Sagatiba, com seu sabor mais neutro e fácil de ser aceito por paladares menos afeitos ao destilado brasileiro e sua presença de longa data no exterior, ocupa o primeiro posto, seguido pela Cachaça Leblon e, novamente, pela Abelha. A Germana é a quarta e a Maracatu, outra ilustre desconhecida em terras brasileiras, a quinta. A Maracatu é produzida em Paraty e tem sede em Singapura.

Em relação á lista de 2018, a Sagatiba perdeu vendas para a Leblon, mas não o apreço dos bartenders. A marca Avuá sumiu do mapa. A Germana e a 51 mantiveram alguma estabilidade e a Abelha, que era no ano passado a nona mais vendida e décima mais trendy, alçou voo.

A lista mostra uma relativa estabilidade com viés de enfraquecimento da posição da Cachaça no mercado externo, com foco no fundamental canal dos bares. Sem dúvida, o consumo do nosso destilado nessas casas não reflete o volume de vendas no mercado como um todo. Afinal, a cachaça não é o terceiro – como se fala por aí erroneamente, mas está entre os 10 primeiros destilados do globo. Mas há esperança. A caipirinha, em lista da própria ‘Drinks International’, avançou da 44ª posição para a 42ª entre os 50 coquetéis mais pedidos do planeta. E, claro, nosso drinque nacional representa apenas a ponta do iceberg de belezas da coquetelaria que podem ser feitas a partir da Cachaça. Espaço para crescer há muito. O mezcal é a bola da vez para ocupar mais espaço nos grandes bares; o rum segue impetuoso, movido por boas ideias e profissionalismo em busca de mais espaço. Quando vai chegar a vez da cachaça? Depende, sobretudo, de nós. De trabalho profissional, planejamento e investimento de longo prazo em busca de mercados.

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6 Comentários

  1. Com todo o respeito aos profissionais que produziram as bebidas selecionadas, sem um mínimo desconsideração, mas o fato é que esse resultado só mostra como o mundo está mal servido de cachaças.

    • Boas cachaças
      Pequenas produções o que torna inviável uma exportação

    • Jorge, a Cachaça Abelha, que é produzida na Bahia, é a mesma cachaça que já recebeu prêmio de melhor do Brasil pela revista Vip, sem contar vários prêmios não oficiais. É uma cachaça artesanal, produzida com cana orgânica e graças ao ótimo clima da região, consegue ser uma cachaça com índice de acidez baixo e aroma suave. Já teve a oportunidade de experimentá-la? Abraços.

  2. Desculpe, mas não existe nenhum alambique produzindo em Paraty-RJ com o nome A Maracatu.
    “A Maracatu é produzida em Paraty e tem sede em Singapura.”

    • Dirley Fernandes

      Gabriela, a marca diz que sua destilaria fica em Paraty. É bem provável que um dos alambiques de Paraty produza para eles, como a Coqueiro faz para a Santo Grau e a DoLoroza. Vou verificar.

  3. O mercado de cachaças produzidas em alambique de cobre cresce no Brasil não só em volume de produção mas principalmente em qualidade sensorial, emprego de técnicas de envelhecimento e design de embalagens. Quando esses produtos chegarem ao alcance de apreciadores de destilados e bartenders pelo mundo, e consecutivamente abastecer bares dos EUA, Ásia e Europa, aí sim teremos um competitividade justa. Neste dia certamente estaremos configurando a principal cena de spirits globais.

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