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Três novas e cintilantes cachaças brancas para celebrar a chegada do verão

Por Dirley Fernandes

À medida que os blends se diversificam, abrindo novas possibilidades de sabores para a cachaça, os fãs das cachaças brancas, aquelas em que a madeira cumpre papel bem coadjuvante ou nenhum, poderiam ficar órfãos, não? Não, claro que não.

Produtores ‘antenados’ (a maioria não é, mas muitos vão se antenando na marra porque em um setor tão competitivo, atingir e manter a relevância é tão importante quanto cuidar bem do canavial) sabem que o segmento dos devotos da branquinha importante, tanto por conta dos bebedores em dose quanto pelo uso na coquetelaria, essa grande chave para o crescimento do consumo do nosso destilado.

Por isso, dedicamos esse post a três rótulos de cachaças brancas entrantes no mercado. Entrantes enquanto rótulos, porque são produtos de marcas tradicionalíssimas e de merecida reputação no setor.

E o mais legal de tudo: estamos falando de três branquinhas de qualidade e muito diferentes entre si, o que comprova que (desculpem os mais escolados por dizer algo que pode soar óbvio) não é só no trabalho com as madeiras, caminho mais fácil, que se pode encontrar as veredas que levam aos sabores, diferencias, belezas e maravilhas de uma cachaça.

As três cachaças que degustamos foram a Saliníssima Prata, a Colombina Cristal e a Magnífica de Faria Bica do Alambique. Duas delas já estão no mercado e a Bica do Alambique está no aquecimento.

cachaça Magnífica, cachaça colombina e cachaça saliníssima

Começando pela Saliníssima Prata, cachaça que descansa seis meses em inox depois de ser destilada na Fazenda Matrona, na região de Salinas (MG), pelo inquieto Lucas Mendes.

É cachaça que não foge à origem, a despeito do teor alcoólico contido: 40%. É agreste e olorosa, como costumam ser as salinenses. Aliás, o aroma, herbal, é vivíssimo, daqueles de encher a sala. O sabor, marcadamente adocicado, puxa para o mentolado. Desce redonda, ainda que mantenha alguma bem-vinda aspereza e, sobretudo, muito frescor.

Tem ainda como virtude adicional o bom preço. É encontrada a R$ 34,50 na Cachaçaria Nacional.

Já a Colombina Cristal, versão branca da centenária marca de Alvinópolis conhecida por seu armazenamento em paróis de jatobá, mantém o bom nível da marca e, melhor ainda, incorpora traços da personalidade das outras Colombinas.

Aqui, apesar dos 43% de teor alcoólico, estamos no reino da suavidade, dos aromas mais sutis, da sensação de aveludado não tão comum entre cachaças brancas. A Cristal descansa apenas por seis meses em inox antes do engarrafamento, mas desce como cachaça mais madura, com aromas que recendem a ameixa e sabor elegante, com acidez perfeitamente equilibrada e longa persistência. No Rei da Cachaça, ela sai por módicos R$ 42,50.

Por fim, temos a Bica do Alambique, novidade da Magnífica, de Miguel Pereira (RJ). Agora, falamos de outro estilo de cachaça. A Bica do Alambique é a representante fluminense do movimento de retorno às cachaças mais fortes, uma reação á baixa geral na graduação alcoólica que os produtos sofreram a partir do início do século para se adaptarem ao gosto médio do público.

O novo produto do João Luiz de Faria sustenta orgulhosos 48%, na margem máxima do que é permitido pela legislação. Ela sai direto do alambique de corpo triplo da Fazenda do Anil para a garrafa, sem descanso.

É, portanto, uma cachaça para devotos, para os já iniciados nos sabores do nosso destilado e cujo palato não irá se assustar com a presença alcoólica mais intensa. O álcool mais concentrado é, claro, forte no aroma e, à medida que se volatiliza, vai deixando entrever um leque sutil e interessante de aromas que vão de alcaparras a cerejas. Na boca, a densidade é marcante e o sabor, apesar de tudo, fresco, doce, nada agressivo.

Enfim, três cachaças brancas diversas para celebrarmos a chegada de verão, em doses ou em drinques: a Saliníssima, para uma tarde de sol, a Colombina, para noites frescas e calmas e a Bica do Alambique para um momento de degustação especial.

Saúde!

Deguste mais cachaças conosco na seção Cachaças de A a Z.

Um comentário

  1. Belo texto que dilui os preconceitos.
    As branquinhas de qualidade estão quebrando uma imagem antiga que “cachaça branca desce rasgando”.
    Isto se deve à melhoria de processos e, em especial, a tecnologia aplicada nos alambiques, que permite a produção mais controlada e mais assertiva.

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