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Curso de tecnólogo em cachaça, em Salinas, é suspenso

Por Dirley Fernandes

O curso superior de Tecnologia em Produção de Cachaça, do campus da IFNM, em Salinas, é o único do gênero no país. E acaba de ter novas inscrições suspensas. Os alunos que estão com o curso em andamento seguirão com a formação até a diplomação; após isso o curso deixará de existir.

Com duração de três anos, o curso forma profissionais de nível superior no campus do Instituto Federal do Norte de Minas (IFNM) desde 2005. São 30 alunos por semestre, que estudam gratuitamente em instalações e laboratórios de alto nível. As aulas são pela manhã e à tarde.

De acordo com a proposta pedagógica, o curso tem o objetivo de “formar tecnólogos com capacidade de atuação em todas as áreas da cadeia produtiva da cachaça de alambique assegurando qualidade, produtividade e canais de comercialização”.

“O curso precisa ser reformulado”, diz o professor Edilson Jardim Viana, coordenador. “Teremos essas últimas turmas, que vão até o fim de 2019, depois buscaremos outros formatos’.

O curso vinha padecendo de vários problemas desde o início da década e, segundo Viana, que é engenheiro de alimentos, vem mobilizando um excesso de recursos em relação ao resultado obtido.

Essa não é a opinião de futuros tecnólogos em produção de cachaça que, durante a Expocachaça, em Belo Horizonte, no mês passado, contaram à reportagem sobre a possibilidade de suspensão do curso, agora concretizada. Para eles, a suspensão representará um desperdício do conhecimento adquirido.salinas1

Viana nega essa possibilidade. O coordenador pretende relançar o curso em formato de Especialização. “É muito pesado seis semestres de aula. Tenho demandas de pessoas que se interessam pelo curso em todo o país. Mas três anos, com aulas pela manhã e à tarde, fica inviável pra muita gente, que precisa trabalhar”.

Além da Especialização, que poderia ter duração de dois semestres, o coordenador pensa em cursos de formação à distância, conjugados com uma carga horária menor de aulas presenciais. “Também estudamos, em parceria com a UFOP, lançar um Mestrado, mas é preciso liberar o corpo docente do curso de graduação para conseguirmos desenvolver os novos formatos”.

Viana diz que no formato atual, a carga de ensino teórico está excessiva, em desequilíbrio em relação à prática, e esse é um dos motivos para que o curso esteja distante do mercado. “Os alunos gostariam que todo alambique tivesse que contratar, por lei, um tecnólogo. Poderia ser interessante, mas essa é uma luta de muito tempo, Não podemos ficar desperdiçando recursos até que isso aconteça”, diz Viana.

De fato, o formato vem afastando muita gente do curso. No último vestibular, das 30 vagas oferecidas, apenas quatro candidatos se habilitaram. Foi necessário um processo seletivo adicional para preencher a turma. “Isso não é positivo. Entram pessoas com pouco preparo, ou ainda sem interesse em cachaça, apenas pelo diploma para fazer concurso ou para se habilitar à assistência estudantil”.

Os alunos admitem que a demanda caiu e dizem que as empresas de cachaça tem parte da culpa, por não darem espaço para os egressos do curso, mas acham que os novos formatos poderiam correr em paralelo com a graduação. “Não há recurso para isso, Vamos para a Especialização agora, que vai começar no primeiro semestre de 2020. Poderemos atender mais ao mercado”, rebate Viana.”Continuaremos formando profissionais com qualidade”, garante.

Leia mais sobre a cachaça de Salinas aqui.

Um comentário

  1. Sou farmacêutica e tenho interesse na pós graduação.

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