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Gouveia Brasil 44: a nova cachaça vinda de onde nascem os fortes

Por Dirley Fernandes

Quando se sabe que um novo produto nasceu dos altos de Turvolândia (MG), onde o mago Armando del Bianco fincou raízes e dispõe de todas as condições para realizar seu trabalho de alquimista-mor da cachaça, a expectativa é sempre grande.

Do alambique exemplar às margens do Sapucaí, saem a Gouveia Brasil Extra Premium, produto que, como poucos, faz jus ao epíteto ‘único’, e a olorosa Porto do Vianna.

As duas linhas ganharam agora novos integrantes: a Porto do Vianna Tradicional, uma branca, bidestilada, sobre a qual discorreremos com mais vagar oportunamente, e a Gouveia Brasil 44, cachaça armazenada em carvalho, descrita como de ‘teor intenso’. Essa última é o mote desse post.

O ‘teor intenso’ da Gouveia Brasil 44 nem precisava ser anunciado, como o é, na embalagem. A cor acobreada, que se percebe na garrafa transparente e ‘cortada ao meio’, já dá a indicação, bem como os tons escuros e densos, em preto e dourado opacos, do rótulo.

Após abrir a garrafa alongada e servir a bebida, uma leve rotação da taça revela uma cortina densa deixada nas paredes, que escorre lentamente em franjas finas, anunciando uma cachaça encorpada.

No aroma, são poucas as cachaças em que os tons frutados são tão presentes. Os olores marcantes de coco, banana e ameixa, combinados a reminiscências de menta, não são nada discretos. Entram cabeça adentro, remetendo ao inverno e ao calor de uma lareira na serra, e convidando à degustação.Cachaça Gouveia Brasil 44

Na boca, o bom corpo prometido é entregue. A presença mais forte dos 44% de graduação alcoólica não está disfarçada. Ela chega em meio a um dulçor intenso e se espalha durante a longa persistência. Nada agressivo, nada em excesso e tudo sem a dominância absoluta da madeira – esse pecado recorrente que despersonifica a cachaça. Mas é bom frisar: é cachaça mais escarpada e assertiva, sem camadas de veludo entre o líquido e a língua.

Armazenada em carvalho americano, a Gouveia Brasil 44 lembra os whiskeys dos domínios do Tio Sam e parece talhada para agradar os fãs dos Jackies e Jim Beams. No entanto, ela se diferencia deles no equilíbrio e na maior leveza conferida pelo álcool de cana. Aliás, o seu estilo mais expressivo do que as congêneres da prateleira do carvalho é promissor para uma experiência ‘on the rocks’. Na coquetelaria, certamente fará bonito.

Enfim, mais um tento para o empreendimento comandado por Roberto Brasil e para as artes alquímicas de Armando del Bianco, que ainda vão dar muita alegria para os bons devotos. A Gouveia Brasil 44 complementa muito bem a linha cada vez mais gloriosa que tem, além da Extra Premium (blend de jequitibá, carvalho e umburana), a Profissional (branca, armazenada em jequitibá rosa).

Saiba aqui um pouco dos segredos da Gouveia Brasil.

A Porto do Vianna também está na Cachaças de A a Z. Leia aqui.

Quer saber mais sobre o master blender Armando del Bianco? Leia aqui.

3 Comentários

  1. A descrição feita por Dirley Fernandes é inspiradora e, imediatamente, sugere que a Gouveia Brasil 44 vai proporcionar uma harmonização perfeita com o Antico Toscano, um charuto fabricado em Lucca, perto de Firenze, a partir de folhas do tabaco Kentucky defumadas a fogo.
    Vou buscar uma Gouveia 44, tirar a prova e postar meu comentário

    Paulo Heise

  2. Na boa, eu gostaria de saber muito como é que funciona essa história de cachaça que lembra “jackies e jim Beans” que são produtos totalmente diversos da cachaça. Cada vez que se faz isso, se compara nossa cachaça com outras bebidas, estamos rebaixando nossa bebida. Acho que uma cachaça se parecer com um bourbon é um defeito grave. E sabe, eu até gosto de Whiskey… (por favor, não confundir com Whisky que é outra coisa e eu gosto também, mas como prefiro cachaça, não me parecem nem um pouco parecidos, até a matéria prima é diferente).

    Mas essa cachaça deve ser muito boa com certeza. Só tenho certeza absoluta que não vai lembrar um Jim bean ou qualquer outro destilado que não seja cachaça.

    • Dirley Fernandes
      Dirley Fernandes

      Caro, são apenas referências de sabores, aproximações para que o leitor, em especial aquele que não tenha ainda uma proximidade maior com nosso destilado, entenda do que se trata determinada cachaça. Não tem essa de ‘defeito’ em cachaça boa. Defeito é quando a cachaça é ruim, desequilibrada, contaminada, mal feita. Fora isso, tudo é válido; a diversidade está aí e cada um – consumidor, produtor etc… – vai achar a sua praia nesse vasto reino. E fique tranquilo: referências e aproximações não rebaixam nosso nobre destilado. E nem sequer comparações o fariam, pois ele é páreo para os melhores destilados globais.

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