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Tour pelos alambiques de Minas VII: as maravilhas de Bichinho

Por Manoel Agostinho Lima Novo

Eu sei, meus amigos, que este papo de turismo alcoológico já está começando a cansar. Mas, quando menos se esperava, chegamos ao último episódio desta série pelos alambiques de Minas. Já vou descer a serra. No próximo artigo já trarei coisas novas, agora trazidas de peregrinações pelo interior do Estado de São Paulo.

Como vocês sabem, já que todos leram esse post aqui, ainda com olhos cheio de remela, saímos de Tiradentes e fomos buscar cachaça na cidade vizinha, Prado. Foi um tal de poeira pra cá e poeira prá lá – aliás, eu ainda não entendi por que produtor de cachaça adora tanto poeira; um dia, eu descubro e conto para vocês.

Pois bem, andando por onde as carroças do nosso alferes famoso circularam, chegamos ao pequeno distrito de Bichinho… Engraçado este nome, mas é isso mesmo que vocês leram.

A primeira parada da viagem pelos alambiques de Minas no Bichinho foi em frente à Cachaça Mazuma Mineira, um alambique novíssimo, que já nasceu alambique (portanto, não foi uma construção adaptada, o que faz diferença), um grande sonho do executivo aposentado Fábio Mattioli Gonçalves, tudo moderno e de primeira linha.

O alambique recebe visitação de forma sistemática e é gostoso ouvir o produtor contar orgulhosamente sua história. Vale muito a pena uma parada.

Se você tiver um pouquinho de paciência de ouvir toda a história do Fábio (ele fala muito) ele te agradece com uma bela degustação das suas cachaças,  armazenadas em Jequitibá, Amburana e Carvalho.

Mazuma Mineira: alambique e Serra de São José, em Bichinho
Mazuma Mineira: alambique e Serra de São José, em Bichinho

Bichinho, apesar do diminutivo, é um bicho bem grande em termos de cachaça, pois lá ainda existe um outro alambique registrado (aliás, só falo de alambiques legais), o da Cachaça Tabaroa.

Para quem gosta de curiosidade, Tabaroa é o feminino de tabaréu, mas, afinal, o que é tabaréu, além de masculino de tabaroa?

O significado é mulher acanhada, tímida, meio caipira, pois é assim mesmo a cachaça. Vem de mansinho, sem chamar atenção, meio caipira e, de repente, aguça as células do olfato e do paladar, desce redonda como uma cachaça, como nos versos de nossa musa Martinália.

Bem produzida, a Cachaça Tabaroa é envelhecida em carvalho por dois anos, oferecendo os aromas de baunilha e tabaco, próprios da madeira. Por lá, foi degustar e sair; ainda tínhamos muito o que percorrer pelas estradas mineiras.

A próxima parada do tour pelos alambiques de Minas foi na Cachaça Velho Ferreira, ainda em Bichinho.

Por lá, fomos recebidos pela alambiqueira que, segundo o produtor Cláudio Ferreira, é a responsável pela qualidade das suas preciosidades, armazenadas em Jequitibá e em Carvalho, duas joias raras.

Alambique da Cachaça Velho Ferreira, Bichinho
Alambique da Cachaça Velho Ferreira, Bichinho

O alambique é pequeno, mas a qualidade e o carinho na recepção são enormes. Valeu muito a pena conhecer.

Passo seguinte, para fechar a viagem com chave de, digamos, aço enferrujado. Por quê?

Meus amigos, resolvemos, já no caminho de volta, ao passar pela cidade de Barroso, visitar nada mais, nada menos que a Cachaça Barrosinha. Foi fácil chegar até lá e foi muito mais fácil sair.

Decepções foram várias: encontramos fermentação em caixa de plástico, envasamento cuidadosamente vigiado por dois vira-latas, etc. Pegamos quase oitocentos quilômetros de poeira, lama e barro e nossa nave alcoológica estava mais limpa que o alambique. O produtor, um dentista da cidade, se orgulhava do produto. Pasmem, tem registro no Mapa.

Bom, final de linha, não a degustamos pelos motivos óbvios. Dali partimos comentando o que vimos em direção ao nosso querido Rio de Janeiro.

Aguardem; semana que vem falarei sobre duas nobrezas paulista, Dona Carolina e Da Torre.

Enquanto isso, leiam as outras etapas desse tour pelos alambiques mineiros e outras Colunas do Agostinho aqui.

4 Comentários

  1. aloisio anselmo da silva

    Ótimo trabalho, parabéns a todos os amantes da nossa cachaça. Vou fazer o tour de Bichinho, para conhecer os alambiques e degustar a boa e excelente cachaça mineira. É claro que também a culinária mineira.

  2. Ótima matéria.
    Em breve a Cachaça Velho Ferreira será aberta com novidades para turistas.
    Surpresa!!!

  3. Excelente matéria.
    É muito bom conhecer através destas viagens que vocês realizam o universo da cachaça em nosso país.
    Parabéns econtinurm

  4. De fato, o alambique Mazuma Mineira é uma grata surpresa. E a cachaça deles também!

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