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Velho Barreiro tenta censurar vídeo de dupla sertaneja

Os tempos andam mesmo estranhos para a Cachaça Velho Barreiro. Às voltas com dívidas tributárias milionárias (leia aqui), a empresa que detém a marca entrou com numa guerra judicial por conta de uma dupla sertaneja cujo crime foi fazer uma simpática homenagem à tradicional cachaça. O resultado da atitude surreal não poderia ser outro: derrota dupla.cachaça velho barreiro

O caso começou quando a dupla Léo e Rafael quis homenagear a Velho Barreiro com uma música e um clipe bem divertido. Na música e no clipe, a dupla e os amigos Fabinho e Rodolfo encontram uma garrafa da tradicional cachaça no lixo, esfregam-na e dela sai o personagem com ares de alquimista que ilustra o rótulo da Velho Barreiro.

A letra da música narra a aparição: “Eu sou Velho Barreiro, vim atender seu pedido”. O simpático idoso dá ao quarteto um violão, um Corcel I e um mapa com a “trilha do sucesso”.  Depois de algumas peripécias juvenis, ao fim do clipe, a dupla entra num palco com a cachaça na mão e cantando o refrão da música para uma multidão, que bebe  Velho Barreiro, como num comercial desses que se produz aos milhares: “Taca cachaça em nós, vai chover pinga do céu, é hoje que eu travo as quatro rodas do Corcel”.

Onde pode haver algum desdouro para a marca nisso?

Bom, a Velato Administração de Bens e Participações viu e deu entrada no Tribunal de Justiça de São Paulo com uma ação em que exigia do Google a remoção do vídeo do YouTube. O argumento principal era que a música tinha sido feita sem “a devida autorização da empresa”. Assim, a manutenção dos vídeos em questão configuraria crime contra registro de marca e concorrência desleal. E mais: pedia que o YouTube se abstivesse de publicar qualquer vídeo com menções à marca. Em outros termos: queria estabelecer censura prévia.

Segundo o empresário da dupla disse ao site Jota, “fizemos uma homenagem e eles fizeram o maior barulho, pediram para mudar o nome da música, derrubaram o vídeo. Acabou que desistimos da música”.

O juiz Gustavo Dall’Oro, na sentença da primeira instância, considerou que, se atendesse ao pedido “genérico” da Velho Barreiro, havia “o risco de impor-se censura”. “Vale ressaltar que, ao lado da proteção da propriedade intelectual, a Constituição Federal assegura a livre expressão intelectual e a plena liberdade de
manifestação”, pontificou o magistrado, que condenou o autor do inusitado pedido ao pagamento de custas, despesas e honorários no valor de R$ 2 mil.

Até aí, a bobagem poderia sair até barata. Mas a Velho Barreiro recorreu!

No último dia 8 de março, o acórdão da apelação, assinado pelo desembargador Fortes Barbosa, foi publicado no Diário Oficial. O magistrado não contém o espanto com a acusação de “concorrência desleal”. “Canções e a atividade de grupos musicais são manifestações artísticas, não estando minimamente ligado à produção ou circulação de bens”, disse ele, no acórdão.

Barbosa conclui que não seria “viável impor abstenção absoluta e geral quanto à utilização da mencionada expressão (Velho Barreiro), sob pena de violação a direito de liberdade de expressão, garantido constitucionalmente”.

A empresa já anunciou que não vai mais recorrer da sentença. Mas bem que a Velho Barreiro poderia ter ido dormir sem mais essa dor de cabeça.

Quer saber mais sobre os problemas da Cachaça Velho Barreiro? Leia aqui.

Veja o vídeo da discórdia:

Por Dirley Fernandes

3 Comentários

  1. Os moços fazendo merchardising da empresa de graça e eles reclamam! Fala sério né!

  2. Nossa! não sabia dessa! Nós também fizemos uma músca falando do Vellho Barreiro com o maior carinho… Espero de coração que não tenhamos essa decepção também pq somos consumidores e fãs do Velho barreiro…

    https://youtu.be/wWYKqRhIET8

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