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Viagem pelos alambiques mineiros V: Souza Paiol, Bem Me Quer e Frazão

Por Manoel Agostinho Lima Novo

Pessoal eu disse, na coluna anterior, que iria falar de Pitangui (MG). Pois bem, chegou a hora dessa cidade no nosso tour pelos alambiques mineiros.

Estávamos vindo de Onça do Pitangui, e sei que todo mundo ficou preocupado com uma onça de verdade, daquelas de orelha, dentes afiados e pele pintada… Nada disso, a denominação ‘onça’ veio de um fato histórico: no local, ainda no século XVIII, no auge da mineração, foi encontrada uma pepita de ouro de uma “onça” de peso (32 gramas). (Leia aqui a coluna da semana passada)

Esclarecido o termo onça, vamos para Pintagui.

Chegamos à cidade à noite, sem a onça, óbvio, mas com muita fome. Está com fome, vai a um restaurante e janta… Impossível! Não tinha restaurante aberto na cidade àquela hora, 19 horas. Disseram-nos que os garçons fecham as casas às 18 horas para poder jantar com a família. A opção que nos sobrou foi uma pizzaria, lotada por sinal e meio caidinha. Mas tinha cachaça e, sabe qual era? Aquela “medonha de boa” a que o nosso amigo de Onça se referiu na coluna anterior.

No dia seguinte, começamos nosso tour pelos alambiques mineiros indo à Cachaça Souza Paiol, produzida na cidade, pelo mesmo produtor dos cigarros de palha de mesmo nome. Aliás, visitamos a fábrica de cigarros. Caiu bem uma pitada num palha e uma branquinha na goela… Harmonizou!

A Souza Paiol produz cachaça pura (inox), amburana e carvalho. Visitada a fábrica, partimos para mais uma.

CACHAÇA BEM ME QUER

cachaça bem me quer

Agora, foi a vez da Cachaça Bem Me Quer, produzida numa linda fazenda, cercada de árvores frutíferas, com um cafezinho e bolo de milho para nos receber. Um bolo, aliás, que duvido que alguém consiga imitar, elaborado pela secretária-cozinheira dos donos da fazenda, que cuidam com capricho da propriedade. Ô, meu! Fala logo o nome dos produtores!, dirão os amigos paulistanos.

Pois bem, cuidam com todo carinho da fazenda o médico José Otávio de Carvalho Lopes, atual presidente da Anpaq, e sua esposa, Rosana Romano, que atualmente é presidente da Confraria Mulheres da Cachaça (Convida).

Aliás, o sobrenome Romano deu origem à princesinha do alambique, a Cachaça Santa Romana, uma bela e romântica homenagem de Zé Otavio à esposa.

Degustadas as cachaças Bem me Quer (prata; ouro, que é um blend de bálsamo e carvalho francês; e amburana) e o café com broa de milho, partimos para a última missão naquela cidade. Afinal, iríamos conhecer o produtor da “medonha de boa” que o caipira de Onça falou, lembram?

Andamos oito quilômetros em asfalto e vários quilômetros em barro, poeira e tudo o mais, para então adentrar numa linda fazenda, repleta de campos de milho, cana e café, mais capim, gado e tudo o que uma bela e produtiva fazenda tem que ter.

Fazenda Santiago: lar da Cachaça Frazão
Fazenda Santiago: lar da Cachaça Frazão

Final de linha. Havíamos chegado ao alambique da Cachaça Frazão, onde tudo é meticulosamente cuidado pela Poliana Miranda e seu marido. O alambique é todo moderno, bem executado, com bom aproveitamento de cana e dos subprodutos. Valeu a pena comer poeira para chegar por lá!

Saimos da fazenda rumo a Divinópolis, onde a Deusa Rodrigues nos esperava para visitar a Fábrica de Alambiques D&R.

Nosso destino, depois de Divinópolis, era Oliveiras, Coronel Xavier Chaves e Tiradentes… muitos alambiques mineiros no nosso horizonte. Mas isto tudo fica pra próxima. Depois daquela poeira toda, merecemos bom banho, boa cachaça e bom descanso. Para a semana, a viagem continua.

Leia aqui as paradas anteriores do tour de Agostinho pelos alambique mineiros.

Saiba o que é a Anpaq nesse post.

3 Comentários

  1. Amigo Agostinho!

    Ficamos muito honrados com a visita de vocês ao Alambique da Cachaça Bem me Quer e Santa Romana.
    Gostamos muito da matéria e esperamos o retorno de vocês como nossos hóspedes para uma prosa onde os mineiros mais gostam de receber: a cozinha e dessa vez para degustar as Cachaças Premium do Alambique Santíssima.

    Um grande abraço dos amigos

    José Otávio e Rosana

  2. Essa história de que Onça tem esse nome devido ao peso da pepita foi inventada por Agripa Vasconcelos em seu romance Sinhá Braba. Agripa nunca foi historiador e se utiliza da licença poética para distorcer a história. Onça deve o seu nome ao córrego que corta a cidade que era chamado pelos bandeirantes de Ribeiro da Onça Brava, conforme descrição no segundo livro de guardamoria que se encontra no Arquivo Público Mineiro.

  3. Mas a melhor da região vc não visitou. Fica no município vizinho. Martinho campos. Na próxima oportunidade não deixe de ir. Aguardente Ligurita.fazenda Gurita BR 352 distrito de Ibitira.

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