Inicio / Destaques / Ciclo em SP une literatura e cachaça (e começa pela Paraíba)

Ciclo em SP une literatura e cachaça (e começa pela Paraíba)

A relação entre cachaça e literatura vem de longe. Pelo menos desde o barroco seiscentista Gregório de Matos que, em vários poemas, já se referia à ‘geribita’, o nome mais comum da cachaça na Bahia daquele tempo (“Todo o negregado irmão/ desta Irmandade bendita/ pede que se lhe permita/ Ir o alarde enfrascados/ não de polvora atacados/ calçados de geribita“).

Pois os cinco séculos dessa relação serão explorados num ciclo de palestras ministrado pelo doutor em literatura e sommelier de cachaças Maurício Ayer, titular do blog ‘Molhando as palavras’.

A ideia é enfocar, em cada um dos encontros, um autor cuja obra se relaciona com a cachaça (e são muitos: Câmara Cascudo, Gilberto Freyre…), degustando cachaças cuja seleção será, claro, inspirada na obra do autor em foco.rego

O primeiro dos encontros é nesse sábado, no Outras Palavras, em São Paulo. O autor escolhido para a estreia é o inventor do Nordeste, o grandioso José Lins do Rego.

O genial rubro-negro, como se sabe, é um fruto da civilização dos engenhos nordestinos e traçou em seus livros um quadro vivíssimo dessa formação social, se valendo das reminiscências da infância no sertão paraibano.

O engenho na festa das doze horas de moagem. O povo miserável da bagaceira compunha um poema na servidão: o mestre-de-açúcar pedindo fogo para a boca da fornalha, o ruído compassado das talhadeiras no mel quente espumando. E no pé da moenda: ‘Tomba cana, negro/ Eu já tombei…/ O engenho de Massangana faz três anos que não mói/ Ainda ontem plantei cana/ Faz três anos que não mói’.” (Menino de engenho)

José Lins tem entre seus personagens clássicos a figura de “Alípio, o aguardenteiro”, um homem valente que, em Fogo Morto, presta serviços para o coronel Antonio Silvino, suposto vingador do povo oprimido do Nordeste, enquanto esconde tropas de burros carregadas de aguardente na caatinga para fugir da fiscalização do Estado.

Ou seja, não faltará assunto para a conversa e nem cachaça para “molhar a palavra”: branquinhas pernambucanas e paraibanas estão escaladas para animar o papo. Esse encontro entre literatura e cachaça promete.

Literatura brasileira & Cachaça

Outras Palavras (Rua Conselheiro Ramalho, 945, Bixiga)

3 de março (sábado)

16h às 19hs

Inscrição: R$ 88

Mais informações: aqui.

Clique aqui para ler mais notícias sobre cachaça.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

giay nam depgiay luoi namgiay nam cong sogiay cao got nugiay the thao nu

Devotos em seu e-mail