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Exportação de cachaça cresceu 18,7% em 2 anos com vendas para os EUA

Por Dirley Fernandes

A exportação de cachaça fechou 2017 em ritmo de crescimento chinês (10,5% de alta em dezembro, em relação ao mesmo mês de 2016), o que ajudou a que nosso destilado fechasse o ano com uma recuperação consistente. O salto em relação a 2016 foi de 13,4%. Como 2016 também havia sido um ano de retomada, no acumulado, a alta dos envios para o exterior em relação ao fundo do poço de 2015 já é de 18,7%. Saímos de US$ 13,3 milhões para R$ 15,8 milhões em dois anos.

A notícia parece boa – e é. Mas a série histórica mostra que em 2010, 2011 e 2014 o resultado foi ainda melhor. Nesse último ano, a soma das exportações foi de R$ 18,3 milhões. Ainda temos muito que crescer apenas para recuperar um patamar que já tivemos e que ainda assim é bem pequeno (basta lembrar que a tequila gerou US$ 2,3 bilhões de faturamento no mercado americano em 2015). Os dados são do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.

Conforme era esperado, pela primeira vez os Estados Unidos tomaram à frente da Alemanha como principal destino da exportação de cachaça, fechando o ano com 18% de participação, contra 17% do país de Angela Merkel. A participação dos americanos subiu 2%, com aumento do volume, enquanto a dos alemães recuou 2%, com a manutenção do volume total importado.

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Exportações brasileiras de cachaça, por mercado, Fonte: MDIC

Com a redução das exportações para o Uruguai, agora Paraguai, França e Portugal completam o time dos top 5 apreciadores internacionais da cachaça.

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Exportação de cachaça, por valores. Fonte: MDIC

E, sem dúvida, os segmentos premium são os que oferecem mais oportunidades no mercado americano. Por lá, os destilados de todas as categorias são divididos para as pesquisas de mercado em quatro categorias, do piso ao topo: value (menos de US$ 10 a garrafa, em valores aproximados), premium (menos de US$ 13,50, idem) high end (menos de US$ 22, idem) e super premium (a partir de US$ 22).

Números fechados do mercado, em 2015, mostram o seguinte crescimento do faturamento por categorias: US$ 6 milhões para a value, US$ 50 milhões para a premium, US$ 509 milhões para a high end e US$ 305 milhões para a super premium. Os dados são da consultoria TechNavio. 

Diante dos números do mercado em 2017, Peter Carr, presidente da Bacardi Norte América – que exporta, com muito sucesso, a cachaça Leblon para os Estados Unidos – comentou para o site especializado The Spirits Businesse, “Uma das tendências que estamos vendo é a de consumidores prestando atenção, mais do que nunca, em saber de onde os ingredientes que consomem vêm – o que significa que estão dispostos a pagar mais quando escolhem o seu destilado para garantir que sejam sempre preparados com insumos limpos e mais naturais. Isso encoraja escolhas mais sensatas, ligadas à sensação de bem estar”. 

Em outros termos, o caminho das pedras do mercado gringo está propício para cachaças de maior valor agregado, que saibam trabalhar diferenciais como a autenticidade e o sistema de produção de natureza iminentemente orgânico que é próprio do destilado nacional brasileiro. 

Leia outros artigos sobre o mercado da cachaça nesse link.

 

2 Comentários

  1. Muito boa a leitura das madeiras Brasileiras. Nelas temos uma complexidade muitas vezes superior aos carvalhos, ampliando a diversidade de sabores. Amplia exponencialmente o potencial da cachaça como uma bebida única e de alta qualidade.

  2. iminentemente sustentável. e não orgânico.

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