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Cachaça Tiê, de roupa nova, conquista certificação e mais prêmios

Por Dirley Fernandes

Dois mil e dezessete não foi nada fácil para o mercado do destilado nacional, mas os produtores da Cachaça Tiê (Aiuruoca-MG) andam felizes como quem viu passarinho verde. É que o mês de dezembro trouxe duas excelentes notícias para o casal Arnaldo Ramoska e Cris Amin. A primeira foi a conquista da certificação da produção da Fazenda Guapiara pelo IMA/Inmetro, um atestado de qualidade que poucas cachaças possuem. A segunda é que a Tiê Prata, cachaça que já nasceu clássica, garantiu lugar entre os 50 rótulos do III Ranking Cúpula da Cachaça. Uma vitória impressionante para a cachaça com nome de passarinho que mostrou suas asas há apenas três anos.

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Tiê Canelinha, Tiê Ouro e Tiê Prata de novo visual

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Que presente de Natal!”, comemorou Cris, na quarta-feira, pouco depois de saber que se classificara a Tiê Prata para a ‘Degustação às cegas’ da Cúpula. Apesar da alegria, ganhar prêmio para a Tiê não é novidade. Já foram nove, entre eles a medalha de ouro na New York Spirits International Competition deste ano. “Estamos engatinhando”, diz Cris, sem perder a modéstia. “Mas acredito que na direção certa”. E complementa, com a sensibilidade de quem está envolvida, há anos, também com cultura. “O mais gratificante disso tudo foi o reconhecimento da cidade de Aiuruoca”.

AIURUOCA
Aiuruoca é uma terra velha e abençoada no sul de Minas, conhecida por sua pletora de lindas cachoeiras e por ser a terra natal da atriz Isis Valverde. Foi lá que o engenheiro Arnaldo, morador da capital paulista, foi parar, 14 anos atrás, já planejando sua aposentadoria da profissão de engenheiro. Encontrou uma fazenda que decidiu adquirir, junto com um sócio, para investir em reflorestamento. “Só que, do outro lado da fazenda, morava um rapaz que tinha uma cachaça famosa na região: a Cachaça do Otacílio. Daí veio a ideia de tentar produzir cachaça”.

Com o espírito de artista da Cris e a alma de engenheiro do Arnaldo, o casal foi à luta. Ambos mergulharam no estudo do nosso destilado. Arnaldo virou mestre alambiqueiro. O alambique rudimentar do Otacílio foi substituído por equipamentos no estado da arte. Barris de carvalho subiram a Serra da Mantiqueira. Licenças de funcionamento foram providenciadas. Tudo mudou na fazenda, em um processo que consumiu longos dez anos. Só um “detalhe” não mudou. “O Otacílio é a nossa joia. Ele trabalha no alambique e treinou seu filho, Tobias, que é nosso segundo mestre alambiqueiro”.

Cris Amim e Arnaldo Ramoska
Cris Amim e Arnaldo Ramoska

MERCADO                                                                                          Cachaça é lida que exige paciência. O mercado é fragmentado em mais de mil marcas; a concorrência com a produção clandestina é cruel e tradição conta muito. A Cachaça Tiê partiu para a briga com um produto de alta qualidade, uma cachaça fresca, com gosto de varanda de fazenda (leia sobre ela aqui), carregando as velhas artes do Otacílio – além da Prata, ainda há a Tiê Ouro, em carvalho, que mantém o nível, e a Canelinha, composta com delicado sabor da especiaria.

Mas isso não basta. Da porteira para fora, os desafios são enormes. “Nossa saída foi investir em estudo e qualidade primeiro. Fazemos análises a cada lote. E apostamos nos concursos, que poderiam comprovar que tínhamos condições de competir com as marcas tradicionais. E temos um trabalho de posicionamento de marca permanente”, diz Cris, que se multiplica no trabalho de divulgação da Tiê.

Os prêmios vieram. Só faltava conquistar Aiuruoca, que, como a maioria das cidades mineiras, tem uma forte cultura da ‘cachaça da roça’. “Quando começamos foi muito difícil a acolhida… Ninguém queria trocar a ‘da roça’ pela Tiê… Eu ficava muito triste. Foi preciso ganhar as medalhas internacionais e entrar no mercado Rio-São Paulo. Hoje, Aiuruoca tem orgulho da Tiê, quase todos os restaurantes e bares têm a nossa cachaça lá”, conta Cris, que fez em 2017 o primeiro evento da sua marca na cidade.

CERTIFICAÇÃO E ROUPA NOVA

A certificação do IMA (Instituto Mineiro de Agropecuária)/ Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) foi um passo a mais na busca da qualidade. “Na verdade, já trabalhávamos certinho, mas faltavam alguns itens, como cursos de segurança para o pessoal do corte da cana. E tem detalhes como sinalização, plaquinhas… É uma certificação trabalhosa. Levamos mais de um ano para conseguir”. De fato, segundo o site do IMA, apenas oito produtores de cachaça do estado tinham o certificado, até agosto último. “É um diferencial. Vamos usar o selo de certificação nas garrafas”, garante Cris.

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Fazenda Guapiara, Aiuruoca: casa da Tiê

Garrafas, aliás, que estão de cara nova. O simpático tiêzinho, pássaro comum na região de Aiuruoca que há três anos enfeita a garrafa da Tiê, ganhou um upgrade. Ele agora é personalizado e em estilo de xilogravura. “É um Tiê pra chamar de meu. As fontes do rótulo da Prata, da Ouro e da Canelinha foram criadas para a nossa cachaça. É uma cara nova para encarar o futuro”, diz Cris.

CACHAÇA TIÊ 2018                                                                                                                                       Futuro que a inclusão da Cachaça Tiê no rol das 50 melhores cachaças da terceira edição do Ranking Cúpula da Cachaça deixa mais promissor ainda. “O mercado ainda está morno. Agora, vamos aderir ao Simples e pretendemos abrir novos pontos de vendas. Continuamos a sonhar com exportação, que tem batido na trave, mas vamos fazer gol. A proposta é expandir o número de distribuidoras com que trabalhamos e levar a cachaça a um público que ainda não reconhece o destilado brasileiro”.

Para levar a Cachaça Tiê a esse público pouco afeito ao nosso destilado, Cris e Arnaldo já reservaram lugar na feira Taste SP. E apostam numa mudança cultural do mercado. “Falta informação. Uma das bandeiras que levanto é a nobreza da cachaça e o lugar onde ela merece estar. Eu não concordo com uma imagem criada por alguns produtores antigos… da pinga, das mulheres gostosas seminuas. A cachaça é produto nobre, que merece todo o respeito. A cachaça é cultura”, diz ela, que sempre busca apoiar, com a marca de sua cachaça, ações culturais.

De roupa nova, a cachaça ‘nascida na serra e pronta para voar’ está de asas abertas para 2018. E o casal paulistano que encontrou um novo rumo para a vida na mineira Aiuruoca não se arrepende do mergulho na garapa da cana. “O mundo da cachaça é maravilhoso e tem nos ensinado muito. Encontramos produtores e pessoas envolvidas nessa luta que a todo momento trocam conhecimento e nos ensinam muitas coisas. Só acho que deveríamos ser mais unidos, mas isso é questão de tempo”, encerra Cris.

Leia mais sobre os aromas e sabores da Cachaça Tiê na seção Cachaças de A a Z.

Saiba quais foram as outras cachaças classificadas para o III Ranking Cúpula da Cachaça.

A paisagem inspiradora de Aiuruoca
A paisagem inspiradora de Aiuruoca (MG)

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