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Ypióca indica forte recuperação no setor de cachaças

Por Dirley Fernandes

Em 2012, a Diageo, maior fabricante de destilados do mundo, comprou a Ypióca, empresa fundada em 1846 que em toda a sua história estivera sob controle da família Telles. Foi a maior das várias apostas feitas na cachaça, ao longo dessa década, por companhias multinacionais. O valor do negócio somou US$ 453 milhões.

A aquisição foi bem aceita, à época, pelos acionistas da empresa de origem inglesa, com as ações da companhia registrando ganhos no dia seguinte ao anúncio. Com o tempo, no entanto, o entusiasmo esfriou.

Agora, com uma campanha de marketing no ar em que a tradição da marca e a mão humana na produção da cachaça são valorizadas, a Diageo parece ter encontrado, definitivamente, o caminho para lidar com o destilado brasileiro. Segundo a empresa informou ao jornal britânico Financial Times, em matéria veiculada na semana passada, as vendas da Ypióca Ouro estão crescendo a um ritmo de dois dígitos.

A companhia acredita que parte do incremento é motivada por incentivos comerciais junto a lojistas. No entanto, outros fabricantes de diferentes segmentos do setor de cachaça confirmam uma aceleração no ritmo das vendas nos últimos meses, depois de pelo menos dois anos de quedas.

No ano contábil terminado em junho de 2017, a Diageo anunciou crescimento de vendas de 5% para a Ypióca, a terceira marca mais vendida do mercado brasileiro. As vendas da Ypióca Ouro (armazenada por nove meses em bálsamo), no entanto, cresceram em ritmo aceleradíssimo: 34%. O número é ainda mais positivo, na medida em que se constata que as marcas de vodca da multinacional reportaram recuo no mesmo período: Ciroc (12%), Keitel One (5%) e Smirnoff (1%).ypioca

Na reportagem do Financial Times, Angélica Salado, que é responsável pelo setor de pesquisas de bebidas alcoólicas da Euromonitor, chama atenção para um aspecto importante do mercado brasileiro de destilados. “A competição é cachaça contra outras bebidas, não Cachaça Ypióca contra Cachaça 51”. A visão da pesquisadora é a de que o setor precisa trabalhar em conjunto para tornar a cachaça trendy (descolada) e conseguir vender a imagem da bebida como um produto de qualidade.

Com a Ypióca, a Diageo sentiu o gosto amargo de trabalhar em um mercado de alta instabilidade regulatória. A mudança na forma de tributação da cachaça, no início de 2016, atingindo os produtos premium em meio a um processo recessivo, atingiu os lucros da companhia – assim como os de produtores de todos os portes –, prejudicando os resultados.

Com isso, o conglomerado se viu obrigado a registrar em seu balanço, publicado no último mês de junho, um impairment da ordem de 118 milhões de libras (US$ 157 milhões) referente à marca Ypióca. O impairment é um termo contábil utilizado nos balanços de companhias abertas para definir uma deterioração do patrimônio de uma empresa.

A Diageo, no entanto, parece ter paciência. A companhia segue com os planos de apostar na premiunização do mercado e internacionalizar a cachaça. A Ypióca tem levado seus produtos a feiras e concursos no exterior e participado dos esforços para o reconhecimento da cachaça como produto tipicamente brasileiro em mais países. “Estou confiante de que seguiremos no processo de premiunizar o consumo e fazer a categoria crescer, da mesma forma como a tequila tem feito”, disse ao FT Alberto Gavazzi, presidente da Diageo para a América Latina e o Caribe.

Quer saber mais sobre a nova campanha da Ypióca? Leia aqui.

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