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Sebastiana Castanheira: uma moça de muitas prendas

Por Dirley Fernandes

Para falar da Cachaça Sebastiana Castanheira, produto com relativamente pouco tempo no mercado, mas que é sucessor de uma tradição de 60 anos da Fazenda São Sebastião, é preciso começar pela embalagem.

Com suas cores em tons de amarelo e laranja calcadas no rótulo da champanhe Veuve Clicquot, a caixa que protege a garrafa da paulista de Américo Brasiliense é, para além de funcional e de bom gosto, repleta de informações. Uma das mais interessantes é a análise físico-química da cachaça, realizada pela Universidade de São Paulo. Não me ocorre – quem se lembrar, favor comentar lá embaixo – outra cachaça que publique em sua embalagem esses parâmetros.

Quando se saca a esguia garrafa de 500ml da Cachaça Sebastiana Castanheira, novos detalhes chamam a atenção: se vê logo o brilho dos selos referentes a premiações conquistadas pela cachaça, que já somam em torno de duas dezenas.

No copo, a cor é de um dourado claro agradável. Na taça, percebe-se a untuosidade. As lágrimas escorrem com um vagar que prenuncia o bom corpo da bebida.

Os aromas são discretos, com tons adocicados e herbais. A Sebastiana é envelhecida por três anos em barris de castanheira pouco usados. Essa madeira, de origem amazônica, produz cachaças de sabores e aromas assemelhados, mas de forma alguma idênticos, ao carvalho, a madeira de envelhecimento padrão para destilados no mundo todo e, no Brasil, para centenas de cachaças.

sebastiana castanheira

A castanheira é, sem dúvida, uma das madeiras mais interessantes para o envelhecimento da cachaça, como os bons devotos sabem. Ela empresta às bebidas aromas e sabores menos intensos que os carvalhos americano e europeu. Com isso, as características originais da cachaça são indubitavelmente mais preservadas do que no caso dos congêneres. Assim, os bons blenders conseguem criar bebidas personalíssimas e que não se confundem com conhaques e uísques, ainda que possam eventualmente substitui-los na coquetelaria.

A Cachaça Sebastiana Castanheira é um dos melhores exemplares de uso dessa madeira que se pode encontrar no mercado. Com um teor alcoólico bem moderado (40%), o toque principal é o do aveludado, mas uma leve picância enriquece as sensações. A impressão final que fica é a do equilíbrio, a de que tudo está no lugar e que, sem sombra de dúvida, o produto é feito com muito esmero.

Em tempo: Sebastiana é o nome de uma moça de pernas bonitas que chamava a atenção na Fazenda São Sebastião, lá pelos anos 1960. Essa é a história que se conta. Eu mesmo, ao ver o rótulo pela primeira vez, uns anos atrás, lembrei de Pessoa: “Quanto é melhor, quando há bruma/ Esperar por D. Sebastião/ Quer venha ou não!”. Mas a tal da Sebastiana deve ter sido, tal qual a cachaça que inspirou, moça de muitas prendas.

A Cachaça Sebastiana Castanheira é encontrada a preços em torno de R$ 110 em sites como o da Cachaçaria Original.
Quer conhecer mais cachaças que remetem a bons poemas? Explore a seção Cachaças de A a Z, do Devotos.

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