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Dívida de R$ 400 milhões ameaça futuro da Velho Barreiro

cachaça velho barreiro

 

Por Dirley Fernandes

A dívida tributária da Indústria Reunidas de Bebidas Tatuzinho 3 Fazendas Ltda., que produz as cachaças Velho Barreiro, 3 Fazendas e Tatuzinho, já atingiu R$ 400 milhões, segundo estimativas da Receita Federal, publicadas em matéria da revista Exame. Esse é um dos problemas por que passa o grupo Tavares de Almeida, controlador da empresa.

O grupo do Comendador Tavares – que morreu em 2015 e foi fundador de um império que inclui o banco Luso Brasileiro e a produtora de cachaças, entre outros investimentos – tem enfrentado uma série de problemas que levaram a um pedido de recuperação judicial, em setembro, de duas das empresas do conglomerado: a usina Vista Alegre e a Agrícola Almeida. Foi quando uma série de boatos sobre a falência da IRB Tatuzinho pairou sobre o setor de cachaças.

A crise

A debacle do grupo começou com um investimento ousado revelou-se uma enorme canoa furada. No final da década passada, sob o comando de Manuel Tavares de Almeida Filho, foi feito um gigantesco aporte de R$ 300 milhões na operação de açúcar e álcool do grupo. A área plantada de cana em Itapetininga (SP) passou de 7 mil para 20 mil hectares e a usina Vista Alegre, que consumia o insumo, chegou a ter 1,6 mil funcionários.

Uma das bases para o investimento alto era um contrato com o Grupo Rede, de distribuição de energia, que renderia R$ 350 milhões para os Tavares de Almeida em 15 anos.

Pouco tempo depois, o Rede naufragou, o governo começou a controlar os preços do etanol, a crise mundial derrubou as cotações das commodities, sobrou açúcar no mundo e os altos custos de produção empurraram o braço sucroalcooleiro do grupo para o vermelho, como aconteceu com dezenas de usinas em todo o país, instaladas naquele período de euforia pré-crise. Hoje, a usina está inadimplente com centenas de credores, inclusive, claro, com o BNDES, que financiou a aventura, e em recuperação judicial. Segundo a revista Exame, as dívidas das duas empresas do grupo envolvidas na operação somariam cerca de R$ 600 milhões.

O braço financeiro do grupo, o Luso Brasileiro, foi vendido, em parte. Mas uma dívida de R$ 35 milhões, contraída para capitalizar o banco e financiar a expansão sucroalcooleira, ficou com a família e pode ser alvo de penhora. O banco é alvo de investigação do Ministério Público Federal.

Já a Indústria Reunidas de Bebidas Tatuzinho 3 Fazendas Ltda. enfrenta uma disputa com a Receita Federal. O fisco cobra da fabricante da Velho Barreiro valores atualizados em torno de R$ 400 milhões. A empresa, segunda maior fabricante de aguardentes do país, enfrentou investigação do Ministério Público Federal, sob a acusação de falsificar notas fiscais de insumos para reduzir o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que teria que recolher. A empresa nega qualquer irregularidade. Como não se chegou a um acordo e não há uma decisão definitiva, o montante das pendências vem crescendo, ano após ano, e é uma sombra sobre o futuro da companhia.

Em nota, o grupo afirmou que “considera totalmente infundadas as suposições da Receita Federal, pois as transações colocadas sob suspeita decorreram de fornecimentos legítimos de insumos”. O imbróglio segue na Justiça. Na esfera estadual, o grupo teve ganho de causa.

A dívida contestada é o grande problema da produtora da Velho Barreiro, que, não fosse por esse entrave, muito provavelmente já teria conseguido costurar algum acordo com um dos grupos multinacionais interessados em estabelecer presença no mercado de cachaça brasileiro – como fez a Ypióca, adquirida pela britânica Diageo, a Leblon, hoje nas mãos da Bacardi, e a Natique, que se associou ao grupo espanhol Osborne.

Caso a empresa tenha ganho de causa, esse será um movimento natural. Um reforço de caixa – para se ter uma ideia, a Diageo pagou, em 2012, R$ 900 milhões pela Ypióca, terceira maior produtora do país – salvaria a família de quase todos os seus problemas. Porém, uma venda nas atuais condições seria extremamente desvantajosa.

Com o naufrágio da operação na área de energia e açúcar e a perda do banco, as marcas de cachaça do grupo são os ativos que podem salvar o Grupo Tavares de Almeida de uma derrocada definitiva. Nesse cenário, é muito difícil que essas cachaças desapareçam das prateleiras dos supermercados e botequins tão cedo.

2 Comentários

  1. A ” Velho Barreiro” é a 4a maior empresa no ranking, depois das empresas donas da Cachaça 51, Pitú e Ypióca …

  2. Dirley Fernandes

    Caro Peter, são empresas de capital fechado, então não têm obrigação de tornar públicos seus números. Mas cruzando informações, inclusive da ISWR, dá para se afirmar que a produtora da Tatuzinho e da Velho Barreiro é vice-líder do mercado.

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