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Dama dos Azuis: cooperativa de cachaça tira produtores de Tocantins da informalidade

cachaça dama dos azuis

Na sede da Coopercato, Ailton Palmeira se preparava para emitir a primeira nota fiscal com valor mais expressivo – pela venda de um lote de 600 garrafas – da cachaça Dama dos Azuis quando foi interrompido por uma ligação do Devotos da Cachaça. A cooperativa de cachaça da qual Ailton é um dos diretores é uma ideia de mais de dez anos que só agora está dando os primeiros frutos. Mas, ainda assim, é uma bela história que caminha para uma feliz continuidade.

Coopercato é Cooperativa de Produtores de Cachaça de Alambique da Região Sudeste do Tocantins. A organização conta com 22 produtores e comercializa a cachaça Dama dos Azuis, nome que homenageia o rio Azuis, considerado o menor rio do Brasil, com seus 147 metros. Ailton é da família de um dos fundadores da cooperativa e diretor financeiro da entidade que tirou da informalidade produtores com capacidade para destilar até 400 mil litros de cachaça por ano.

Agora, está uma maravilha. As pessoas estão gostando e a cachaça está saindo. Essa venda é para um grande atacadista de Palmas (TO), que vai espalhar nossa cachaça por aí”, conta Ailton.

O produtor, do municípío de Combinado (a 490 km de Palmas), no entanto, conta detalhes que mostram que o caminho de sua cooperativa de cachaça até a formalização foi dos mais complicados. Tanto que, no momento, apenas oito dos 22 cooperados estão produzindo os cem mil litros de cachaça da safra deste ano da Dama dos Azuis, que é estandardizada, armazenada e engarrafada na sede da cooperativa e tem as variedades Prata e Umburana.

A ideia surgiu em 2005. Tivemos apoio do Sebrae e outros órgãos para conseguir todas as licenças necessárias. Mas também muitos problemas”, conta Ailton.

Um exemplo: os barris em que a Dama dos Azuis é envelhecida foram doados pelo Banco do Brasil. No transporte, no entanto, a cooperativa acabou recebendo uma multa pesada quando ainda não tinha nem licença para produzir e comercializar sua cachaça dentro das normas legais.

Outro: depois de ter obtido um empréstimo de um programa estadual de incentivo ao desenvolvimento regional, as parcelas do financiamento foram utilizadas para adequar as instalações dos alambiques às normas legais. Alguns produtores chegaram a gastar R$ 80 mil em equipamentos. A última parcela do financiamento, no entanto, que era destinada para capital de giro, não saiu. Resultado: alguns desistiram e continuaram a vender cachaça na porta do alambique; quem ficou teve dificuldade de tocar o negócio. “Estamos no Refis. Mas trabalhar na legalidade é outro assunto”, diz Ailton. “Estamos vendendo bastante, com nota e por um preço justo”, diz ele, exaltando a bonita embalagem da Dama dos Azuis. “Quem tinha parado de produzir ou desistido da cooperativa, está querendo voltar”.

Com isso, a região sudeste do Tocantins entra no mapa da cachaça. E através do cooperativismo, que é uma das formas mais interessantes de vencer a informalidade, uma das pragas do setor, por, entre outros efeitos deletérios, levar a uma competição desigual entre os formais, que arcam com pesados impostos, e os informais, muitas vezes chamados clandestinos.

Estamos legalizados e comercializando. E está vendendo bastante, viu? Trabalhar assim não tem comparação”, afirma Ailton, garantindo que a formalização e a formação de uma cooperativa de cachaça valem a pena, mesmo que, para isso, seja necessário vencer a inconstância do apoio governamental e as dificuldades burocráticas.

 

4 Comentários

  1. Parabéns Devotos da Cachaça pela matéria e a Cooperativa do Tocantins. Tenho interesse em saber mais sobre a Dama dos Azuis. Tito da Tonel e Pinga (21)3617-1717

  2. Parabéns a Coopercato por essa conquista, mais de dez anos de fundação, e agora com muito esforço e dedicatória está conseguindo alcançar seus objetivos. Cachaça de Alambique Dama dos Azuis! Parabéns Ailton Palmeira.

  3. João Batista de Oliveira

    Olá boa tarde!
    Sou colecionador de cachaças, e quero ver com vocês uma cachaça do Estado de Tocantins, Dama dos Azuis ou uma outra que seja de Tocantins.

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