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Cachaça Nobre: bela e doce novidade paraibana

Por Dirley Fernandes

Se você tem a intenção de começar a produzir uma cachaça branca boa, mas boa de verdade mesmo, talvez o pior lugar do mundo para fazer isso seja a Paraíba. Afinal, você terá que comparar o seu produto ali, começando, com glórias da produção brasileira, como a Serra Limpa, a Volúpia e muitas e muitas outras desse estado abençoado cuja especialidade são as branquinhas, geralmente armazenadas em inox ou freijó.

Arrisca desistir na primeira batelada. Pois não foi o que o engenheiro Murilo Vilela Coelho fez, mesmo quando enfrentou problemas de logística no começo. E, apesar dos percalços, ele conseguiu, na primeira safra, uma cachaça capaz de ombrear com as de seus melhores vizinhos. A Cachaça Nobre, de Sobrado (PB), é uma branquinha primorosa.

A Nobre é produzida com levedura selecionada de origem nordestina e descansa por pelo menos seis meses no inox antes de ir para a bonita garrafa alongada. Clara e límpida, tem boa viscosidade, que já se revela nas lágrimas que escorrem lenta e lindamente pela taça.

O álcool é equilibrado (42%) e, no nariz, logo deixa espaço para tons herbais bem intensos, com reminiscências de aniz.

O sabor é, sobretudo, confortavelmente adocicado e com baixíssima acidez, e um final quase mentolado, com certa dose de picância. Todo o conjunto recende a frescor e pureza e reflete o inequívoco capricho na produção.

Murilo é um engenheiro natural das Minas Gerais e de longa carreira que, há três anos, acordou em sua casa em João Pessoa (PB) e resolveu virar cachaceiro, entregando-se ao nosso destilado que, como sabemos, é uma cachaça e, como tal, não saía da cabeça dele.cachaça nobre

O homem percorreu o interior do estado, associou-se a um produtor tradicional de Sobrado, modernizou a produção, penou para legalizar seu produto e aprender o ofício e criou, pacientemente, ao lado de um experiente alambiqueiro local, a Cachaça Nobre. Está agora começando a segunda safra, que deve resultar em torno de 10 mil litros de Cachaça Nobre. A primeira – a primeira! – deu uma bela cachaça, que já faturou uma medalha de prata na etapra brasileira do Concurso Mundial de Bruxelas desse ano.

Do Engenho Nobre, também saem a Sapequinha e a Arretada, mas a menina dos olhos é a Cachaça Nobre, na tradição paraibana de excelentes cachaças brancas, preferência geral do povo da terra de Jackson do Pandeiro. Sair uma cana tão boa assim nas primeiras bateladas é milagre cuja explicação talvez resida na junção do espírito mineiro, que sabe ler o tempo das coisas, com o solo e as mãos paraibanas, que fazem brotar da terra cachaça boa como água da fonte.

A Cachaça Nobre ainda é pouco distribuída fora da Paraíba, mas  pode ser encontrada no site da Cachaçaria Universitária por R$ 47.

Leia sobre outra joia paraibana, a Turmalina da Serra, na seção Cachaças de A a Z.

 

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