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Cachaças da Paraíba ganham carta de alto nível

Por Dirley Fernandes

A Paraíba é uma espécie de terra prometida para os mais devotados entre os devotos da cachaça. Os nomes das cachaças da região do Brejo evocam pureza, autenticidade e sabedoria centenária na produção do destilado nacional, provocando suspiros nos devotos: Serra Preta, Serra Limpa, Turmalina da Serra, Volúpia…

Pois essas maravilhas agora estão reunidas num libreto muito bem produzido, rico de informações sobre as maravilhas paraibanas e com texto também em inglês e espanhol: a Carta de Cachaças da Paraíba.

A Carta vem em volume em capa dura, com 144 páginas e é dividida em duas partes. Na primeira, um texto breve sobre a história da cachaça, com foco na Paraíba, é assinado pelo jornalista e escritor Gonzaga Rodrigues, natural de Areia, terrra da Triunfo e da Matuta, entre outras. Na segunda, 19 produtores paraibanos têm suas cachaças apresentadas ­- cada um deles representado por um de seus produtos.

O texto sobre a história da cachaça é fluido e informativo, puxando a brasa da origem do nosso destilado, matreiramente, para as bandas nordestinas. E ainda traz à tona uma esquecida crônica de Rubem Braga, na qual ele aborda, nos anos 1980, o desencontro entre o brasileiro e sua bebida nacional: “O Brasil é o único país do mundo que não leva seu destilado a sério”, disse o capixaba cidadão do mundo e cronista maior de nossa língua. “Uma associação de produtores, amparada pelo governo, poderia dar dignidade à indústria da cachaça”, profetiza, no ano mesmo em que 30 pioneiros criariam a Associação Mineira de Produtores. carta de cachaças paraiba

A própria carta é fruto da união dos produtores, já que é iniciativa da Aspeca (Associação Paraibana dos Engenhos de Cachaça de Alambique), que tem na presidência atualmente Vicente Lemos, produtor da excelente Volúpia.
A marca de Alagoa Grande, sobretudo na sua variedade Prata, arredondada por um ano em freijó, é uma das responsáveis pela produção paraibana atingir os 12 milhões de litros anuais – a maior parte deles consumidos dentro do próprio estado. Nada de se estranhar para uma terra que, já no século 17, ostentava 17 engenhos.

Os textos breves sobre os engenhos paraibanos, escritos com sensibilidade por Rosa Aguiar, são diretos, informativos e trazem o espírito dos engenhos, a compreensão da cachaça como produto ligado à história de terras, famílias e formas de produção e contam, com orgulho, histórias antigas como as do centenário engenho São Paulo, em Cruz do Espírito Santo, o maior produtor de cachaça de alambique do país.

Enfim, a Carta de Cachaças da Paraíba, que tem edição limitada, apoio do governo estadual e é especialmente voltada para cachaçarias e afins, é uma bela peça de divulgação da cachaça, semelhante à que já foi realizada pelos produtores fluminenses.

Em tempo: o grande Gonzaga Rodrigues faz alusão ao “vinho do suco da cana”, tomado por escravos na Bahia, citado por Pyrard de Laval, navegador que andou pelo Brasil no início do século XVII. A referência é mesmo parte da história da cachaça, mas é mais certo que se refira ao mucungo, a garapa azeda, o caldo de cana fermentado, bebida muito popular no Brasil daquele tempo, não ainda à cachaça.

Para obter um exemplar da Carta de Cachaças da Paraíba, contate Vicente Lemos por aqui.

A cachaça paraibana Turmalina da Serra já foi resenhada na seção Cachaças de A a Z. Leia aqui.

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