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Tour pelos alambiques parte I – Cachaça Rochinha

Por Manoel Agostinho Lima Novo

Meus amigos, confesso que não sou afeito a greves, mas na última sexta feira (28/04) foi irresistível… Tomei posse da minha taça e fui fazer piquete na porta de um alambique. Na verdade, eu vinha planejando um tour por vários alambiques, então, aproveitei o feriado do Dia do Trabalho (afinal, degustar cachaça é bom, mas é trabalho) e fui fazer o meu turismo alcoológico. Hoje, vou contar pra vocês o que encontrei no primeiro alambique, na Fazenda da Cachoeira, em Barra Mansa (RJ), onde o Antônio Rocha produz a Cachaça Rochinha. Mas, acompanhem os próximos posts, que vocês terão um roteiro completo, entre as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, com excelentes paisagens do litoral e do Vale do Paraíba e uma seleção de grandes alambiques, com ótimas cachaças.

A Fazenda da Cachoeira, segundo consta, foi construída em 1717 e dedicou-se inicialmente ao plantio da cana para a produção de açúcar e aguardente. Só depois, aderiu à cafeicultura. Em 1878, o proprietário da fazenda, Antônio José Lomba de Abreu, doou grande parte de suas terras para a construção de ruas, casas, prédios públicos, praças, cemitério, igreja e a estação ferroviária de Floriano, contribuindo para o desenvolvimento do povoado, que mais tarde tornaria o bairro de Floriano, hoje pertencente ao município de Barra Mansa.

Em 1904, a fazenda foi adquirida pelo casal Genoveva Jardim e Vicente Miglioli. O enteado de Miglioli, Sr. Antonio Fontes da Rocha, herdou a fazenda e começou a produzir a Cachaça Rochinha (nome pelo qual ele mesmo era conhecido).

Posteriormente, a propriedade passou para as duas filhas de Rochinha – Ângela Maria Rocha Silva e Anna Lucia Gilly Rocha. A fazenda (e, consequentemente, a produção da Cachaça Rochinha) não saiu da família. Atualmente,  Antônio Rocha, neto do primeiro produtor, toca o barco, digo, o alambique.

Devotos da Cachaça
A belíssima Fazenda da Cachoeira, em Barra Mansa (RJ), onde se produz a Cachaça Rochinha

A fazenda, além de explorar pecuária de leite e corte, piscicultura, produção de doces e derivados da roça, e obviamente, fazer cachaça de qualidade. investe no momento numa outra bebida: o gim. Pois é, o Gim Amazon, feito ali, em parceria com jovens sócios brasileiros e europeus, é um negócio que começa a se expandir.

Na seara de cachaça, que é o que nos interessa, o Antônio está produzindo a Rochinha Cerejeira, Rochinha Classic ( tapinuã), Rochinha Carvalho 5 anos e a top Rochinha 12 anos, que dispensa qualquer comentário.

Para quem gosta do antigo, vocês vão ver uma enorme roda d’água movendo a moenda para extrair o suco da cana que mais tarde vai ser sorvido por nossas goelas na forma de um néctar dos deuses.

Conversando com o Antônio, soube que ele tem planos para construir um cachaçaria (exatamente onde era a senzala dos escravos), com espaço de convivência, restaurante e até uma pousada. Fica a torcida, porque a fazenda tem tudo para atrair o interesse dos visitantes.

Nenhum piqueteiro nessa sexta teve a sorte que eu tive. Afinal, cachacista que faz greve fica sem degustar cachaça.

No nosso próximo  papo, falo da minha próxima parada, que foi na Fazenda Valparaíso, em Resende (RJ), onde degustei a maravilhosa Reserva do Nosco.

Mais Colunas do Agostinho aqui.

 

Um comentário

  1. Paulo Tapinuã

    Prezado Agostinho
    Você que é um estudioso do segmento cachaça, poderia informar as porcentagens de cachaças novas e envelhecidas para que uma cachaça ( ou outro destilado ) receba a denominação de 5 anos ou 10 ou 12 anos.
    No meu entender, uma cachaça com mais de 4 anos de barril ( claro que depende da idade do barril ) passa a ser quase um suco de madeira.
    Sinto inveja deste seu tour alambiqueiro.
    Abraços
    Paulo

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