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Mestre Derivan lidera campanha para tornar o Rabo de Galo um drinque mundial

Caros devotos, anuncio-vos que é chegada a hora de o Rabo de Galo seguir o caminho da Caipirinha e ganhar o mundo. O velho e humilde cocktail das biroscas paulistanas alçará voo rumo às cartas de drinques de todo o planeta. Na liderança desse projeto, que já move o magma no centro do planeta, está Derivan Ferreira, o Mestre Derivan, à frente do valoroso exército dos bartenders brasileiros.

Qual é o objetivo? Incluir o Rabo de Galo na seleta lista de coquetéis da International Bartenders Association (IBA). Trata-se de um rol onde entram apenas os drinques considerados os mais clássicos do mundo, com as respectivas receitas canônicas. Todo barman world class precisa conhecer os coquetéis dessa lista.

São ao todo 94 drinques, tendo por base os grandes destilados globais. E a cachaça tem apenas uma modesta, ainda que valorosa participação: com a nossa gloriosa Caipirinha.

O projeto, portanto, é levar o Rabo de Galo a ser o segundo coquetel brasileiro e o segundo coquetel à base de cachaça da lista da IBA, o que daria forte impulso ao nosso drinque, à nossa coquetelaria e, claro, à cachaça.

Não é trivial o projeto. “A IBA discute a entrada de novos drinques em prazos longos, tipo de dez em dez anos”, conta o homem que tem Mestre como prenome, Derivan Ferreira de Souza. “É uma caminhada difícil, para a qual precisamos unir todos os esforços”.

A caminhada é longa, mas o piloto é seguro e experimentado. Mestre Derivan foi, como diretor da Associação Brasileira dos Bartenders, um dos principais responsáveis pela inclusão da Caipirinha no rol da IBA, em 1994. De lá para cá, nosso coquetel nacional passou a ser conhecido e servido no mundo todo, tornando-se um dos principais símbolos da identidade brasileira e uma das entradas por onde muitos penetram no mundo da cachaça.

 

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Meste Derivan fala sobre o Rabo de Galo durante a Cúpula da Cachaça. Ao lado, Jean Ponce, do Guarita

Derivan e outros bartenders estão buscando apoio das organizações que militam no universo da cachaça. O primeiro suporte, ele conseguiu há duas semanas. Durante a quinta edição da Cúpula da Cachaça – encontro que reúne alguns dos maiores especialistas em cachaça do país, entre eles o próprio Mestre –, ele apresentou o seu projeto, solicitando o apoio da instituição.

Por aclamação, foi decidido o “apoio ativo” à proposta dos bartenders brasileiros. A Cúpula tomará iniciativas para dar suporte ao que foi batizado como Projeto Rabo de Galo. Derivan colheu ainda um outro apoio fundamental no evento. Carlos Lima, diretor do Ibrac e convidado do encontro da Cúpula, disse que vai levar à instituição que dirige a proposta de apoio e se comprometeu a abraçar a causa. É um belo ponto de partida.

“Vamos seguir angariando apoio e juntando forças para quando chegar a hora de levar nossa pretensão à IBA termos uma rede de apoio que faça a diferença”, diz Derivan. “A gente vai ter que fazer muito lobby. Isso custa muito tempo e algum dinheiro”, diz o Mestre, que aponta um dos handicaps do Rabo de Galo na disputa. “O Rabo de Galo só precisa de um bitter e de cachaça. Cada um tem o seu toque, mas qualquer um pode fazer”.

O Rabo de Galo foi criado na década de 1950. A ideia foi da Cinzano, que estava chegando ao Brasil e intuiu que juntar o seu vermute com a cachaça abriria caminho para a popularização da marca. Em um tiro certeiro, a empresa chegou a desenvolver um copinho com marcas que indicavam as quantidades de bitter e de cachaça a serem misturadas. O drinque – batizado com uma simpática tradução do termo “cock tail”, já em voga – caiu no gosto dos frequentadores de botecos de todo o país.

Nesse século, com o crescimento da coquetelaria brasileira, foi resgatado pelos bartenders, que deram seus toques pessoais e apresentam Rabos de Galo que elevam espiritualmente os devotos, combinando diferentes vermutes, Cynar, cachaças brancas e envelhecidas, uma eventual casca de limão ou laranja, alguns acessórios e sempre bastante gelo. “Tem um sabor internacional e pode ser feito em qualquer lugar do mundo”, diz David Barreiro, do Guarita, outra entusiasta do drinque e da campanha para levá-lo à IBA.

“A gente tem a caipirinha. Mas o limão Taiti não é tão fácil de achar. A gente precisa ter mais drinques nossos nos balcões do mundo. O Rabo de Galo pode ser um pulo do gato para a cachaça”, diz o bartender baiano, com o entusiasmo que é a sua marca.

N. do E.: Poucos meses depois, Derivan promoveu o I Concurso Nacional de Rabo de Galo. Clique aqui para saber como foi.

Rabo de galo do Guarita Bar
Rabo de galo do Guarita Bar

2 Comentários

  1. Parabéns pela iniciativa e ótima proposta. Do boteco para o mundo.

  2. Prezados o caminho mais fácil passa primeiro pelas empresas de Cachaças se associarem a IBA – International Bartenders Association. Após isto consolidado por um ou dois anos, tenho a certeza que conseguiremos incluir rabo de galo e até outros cocktails a base de cachaça no seleto rol de cocktails exclusivos da IBA! Sem isto, ficar apenas como um sonho do Mestre Derivan e outros Bartenders brasileiros. Portanto, neste momento depende muito mais da indústria brasileira de cachaça do que de qualquer outro esforço ou lobby. Isto são palavras do presidente da IBA: qualquer país que quiser se candidatar para ações na IBA, primeiro precisa ter produtos nacionais apoiando a International Bartenders Association. E isto deve ser feito localmente através da ABB que é sua representante legal no Brasil!

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