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Cachaça Patrimônio: um bálsamo diferentão

cachaca-patrimonioDirley Fernandes

A cachaça Patrimônio é a irmã mais nova e mais modesta de uma marvada que é merecidamente cult, a Engenho Pequeno.  Mas tem brilho próprio: é interessante, única em seu estilo, e ainda tem uma qualidade muito apreciável em tempos de Estado falido: preço em conta. Sem dúvida, merece um lugar aqui na galeria das Cachaças de A a Z.

A cachaça Patrimônio é fabricada na Fazenda Guadalupe, na cidade paulista de Pirassununga. Ali, em meio a extensos canaviais que produzem cana para fornecer à Cia. Miller (51), o lorde Fernando Guimarães e seu filho, Gabriel, instalaram um engenho pequeno. Tratado com rigor exemplar, o engenho e dois alambiques produzem as duas cachaças citadas acima, patrimônio de uma cidade que já teve dezenas de pequenos produtores e que corre atrás de recuperar essa bela história.

A Patrimônio ainda utiliza a garrafa âmbar de 600 ml, estilo cerveja, e ressalta no rótulo em estilo clássico a sua cidade de origem. A surpresa começa quando a cachaça vai ao copo. A cor é inesperada para uma cachaça do escaninho dos bálsamos. Em vez do ouro que se vê, por exemplo, numa Indaiazinha, surge um amarelo mais acobreado, quase – com o perdão do paralelo vulgarizante – um guaraná. Mas há um brilho interessante; a cor é simpática.

Ocorre que a Patrimônio não é envelhecida em bálsamo (para usar essa classificação, “envelhecida”, teria que ter, pelo menos, 50% de seu conteúdo armazenado em barris de até 700 litros por, no mínimo, um ano, segundo a legislação atual) . Ela apenas passa uma temporada de três meses em barris novos da madeira que fez a fama das cachaças salinenses. É suficiente para ganhar cor e só um pouco mais de corpo. Essa opção curiosa é que faz da Patrimônio uma cachaça de estilo único.

No nariz, a Patrimônio é intensa, com álcool marcante, muito floral, remetendo a lavanda, e uma doçura confortante. O sabor também surpreende. É um degrau  mais suave do que se esperaria de uma cachaça jovem, com 44% de teor alcoólico. Desce rigorosamente redonda, sem traços de acidez elevada. É doce ao primeiro contato e marcadamente picante ao final. O retrogosto revela um pouco daquela aridez agreste típica das cachaças curtidas no bálsamo que agrada a tantos – como esse devoto – e assusta a tantos outros.

É cachaça cachaça, com fermento caipira preparado por Gabriel Foltran, e gosto de roça,ainda que moderna. E pode ser encontrada em lojas como a Amburana por menos de R$ 40. É uma das melhores relações custo-benefício que têm por aí.

 

2 Comentários

  1. Rene Marcos Lombardi

    onde compro essas cachaças direto do Produtor, existe algum site para fazer a aquisição e qual o preço delas? Qual delas é envelhecida no tonel de carvalho, é vendida em garrafão de 5 litros?
    Aguardo mais informações.
    Grato.

    • Dirley Fernandes
      Dirley Fernandes

      René, as informações constam de cada texto da seção Cachaças de A a Z. Mas não há venda de cachaças desse nível em garrafão de 5 litros.

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