Inicio / Artigos / Uma aula no Uruguai revela: a cachaça é uma ilustre desconhecida

Uma aula no Uruguai revela: a cachaça é uma ilustre desconhecida

Por Dirley Fernandes

Na segunda-feira passada (07/11), Walter Garin, que chefia a escola de coquetelaria Shake, no Rio de Janeiro, esteve no Uruguai. O bartender, que nasceu no lindo país cisplatino era um dos convidados da Master Class Cocteleria de Vanguarda, que reuniu profissionais de bar locais e da Argentina em Montevidéu. Garin escolheu como tema de sua apresentação o destilado ao qual ele tem dedicado suas pesquisas nos últimos anos: a cachaça. E constatou algo que não chega a ser novidade para ele, mas sempre o impressiona: “É incrível como a cachaça é desconhecida para eles. Eram 40 bartenders e nenhum sabia fazer nenhum drink com cachaça. A ideia de coquetelaria com cachaça parecia uma coisa exótica”, conta.

Garin levou algumas cachaças de primeira linha para a sua master class. Começou a apresentação falando da história e da produção da cachaça. E veio a primeira surpresa: “Ninguém sabia que a cachaça era o destilado mais antigo das Américas. Chegaram a me olhar com alguma desconfiança”.

Em seguida, Garin passou para a degustação (Água da Mata amendoim, Alambique de Minas freijó, Da Quinta umburana, Magnífica Envelhecida…). “Eles ficaram de cara com a qualidade da nossa cachaça”, conta Garin. “Quando terminei, muitos vieram falar comigo: ‘não sabia que cachaça era assim..’”. E qual foi a cachaça preferida? “A Magnífica Soleira. Piraram. Queriam saber onde comprar”.

Garin ainda preparou uma caipirinha nas regras da arte e mostrou um pouco de coquetelaria tiki (estilo vereda tropical), substituindo o rum pela cachaça. “Queria mostrar que coquetelaria com cachaça não se resume a caipirinha. Foram duas horas, me empolguei”, conta.

Garin (em pé), os bartenders e a cachaça
Garin (em pé), os bartenders e a cachaça

A constatação final: “Eles não sabem nada de cachaça. Aliás, ninguém na América Latina. A verdade é que mesmo os brasileiros conhecem pouco, imagina eles que quase não têm acesso aos nossos produtos de qualidade”.

Fica a dica aos produtores. Quase todos se interessam antes de tudo no mercado americano e europeu, quando poderiam acessar um mercado em que os custos de prospecção e logística poderiam ser extremamente vantajosos. Países como Peru, Colômbia, Chile, México e Panamá cresceram nos últimos anos e seguirão crescendo nos próximos a taxas muito superiores às do Brasil. A Argentina tem uma cena de coquetelaria vibrante que poderia ser uma grande porta de entrada para a cachaça.

Cachaza?
Cachaza?

O Uruguai deve crescer mais de 3% este ano e tem 12 zonas francas com mais de 800 empresas estrangeiras instaladas. Nada disso está sendo explorado pelos produtores de cachaça, que não investem em divulgação neses países e só têm olhos para a Trumplandia.  “Se eu estivesse com 40 caixas de cachaça para vender, teria ficado tudo com os caras, tanto os uruguaios quanto os argentinos”, diz Garin.

Em tempo: numa grande loja de bebidas num conhecido mercado local, quando este editor esteve em Montevidéu dois anos atrás, havia 30 marcas diferentes de rum e apenas uma marca de cachaça (51). Além dela, uma falsificação ocupava o espaço deixado pelos demais produtores. Garin fotografou agora essa mesma cachaza que eu havia visto. Nada mudou de lá para cá.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

giay nam depgiay luoi namgiay nam cong sogiay cao got nugiay the thao nu

Devotos em seu e-mail