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Rota do Acarajé: o caminho seguro para beber cachaça boa

Por Dirley Fernandes

Uma casa com mais de mil rótulos de cachaça é o paraíso de um bom devoto, não é verdade? Não necessariamente. Já explico como a Rota do Acarajé dribla isso e faz um serviço de primeira, mas antes, algumas considerações sobre o tema.

A pletora de rótulos – prática a que alguns proprietários  de cachaçarias não conseguem se furtar–, de modo geral, não é a melhor opção e acaba funcionando mais como “diferencial” de marketing e “gancho” para jornalistas de entretenimento do que como um bom serviço para o cliente. Em muitas casas que adotam o sistema do “mais é mais”, o que acontece é o garçom não entender direito e entrar em pânico quando você escolhe uma cachaça que não seja tão comum – uma Severina do Popote, por exemplo.

Idealmente, uma carta de cachaças deve ser, ao mesmo tempo, enxuta – para não se tornar uma selva –, abrangente – para não deixar o consumidor sem opção – e flexível, a fim de abrigar novidades. Para isso, servem os consultores, sommeliers etc… realizar a curadoria e guiar as escolhas das casas e, principalmente, dos devotos.

A carta da Rota do Acarajé, casa de inspiração nordestina, em Santa Cecília, na capital paulista, não é assim. Com uma recauchutada recente, ela chegou a impressionantes 1003 cachaças! Mas não deu outra. Cheguei num fim de tarde na casa e pedi uma cachaça – em verdade, nem mesmo uma cachaça, mas uma infusão erroneamente identificada no cardápio, a gostosa Abaíra Canelinha, que me traz boas lembranças da Chapada Diamantina. “Tem, mas acabou” foi a resposta do garçom, após alguns minutos. O fato é que, com centenas de cachaças na carta, o controle de estoque torna-se impossível.  O mais comum é que os pobres garçons vão ao balcão e voltem cinco vezes até que você consiga acertar uma cachaça que esteja, de fato, disponível.

Rota do Acarajé

O devoto que for à Rota do Acarajé, no entanto, tem como driblar esse inconveniente. Em um momento iluminado, a proprietária da casa teve a ideia de listar em separado as 50 cachaças finalistas do II Ranking Cúpula da Cachaça. Assim, na dúvida, basta ir até essa seção do cardápio e escolher qualquer uma daquelas glórias da produção brasileira. É uma espécie de calçada da fama, com brancas como a Reserva do Nosco, umburanas do quilate da Sanhaçú, blends do nível da Canabella, carvalhos belos como a Vale Verde 12 Anos ou a Magnífica Soleira, castanheiras do porte da Sebastiana e bálsamos que curam qualquer dor, como a Indaiazinha ou a Canarinha. Portanto, não tem erro. O devoto não fica desassistido na hora de escolher que cachaça pedir.

Os preços são tão variados como o universo da cachaça: a rascante Havana sai a R$ 43, a tradicional Magnífica Carvalho, a R$ 7, a fresca Mato Dentro Amendoim, a R$ 8, a docinha Santo Grau PX a R$ 14.

O serviço da cachaça é exemplar. Fui de Gogó da Ema bálsamo – muito boa, contida na madeira, carecendo apenas de um pouco mais de pungência. A garrafa foi aberta à minha frente e o destilado servido numa taça ISO – a melhor para se sentir os aromas e sabores da cachaça – acompanhada de simpáticas fatiazinhas de caju, que ajudam a limpar o paladar. Perfeito! É assim que se trata uma boa cachaça.

img_20161019_195830193De  resto, a Rota do Acarajé tem cervejas especiais e pratos nordestinos bem feitos. O mini-acarajé recheado (R$ 9) funciona bem com uma cachaça branca com um toque mais ácido – a Abaíra Prata, por exemplo, para ficar tudo na Bahia, ou a paratiense Coqueiro, que nunca falta nas boas prateleiras.

Enfim, se você acha que “mais é mais”, a Rota do Acarajé é o seu lugar. Se você não quer correr o risco de pedir uma cachaça que não tenha o nível que merece, a Rota do Acarajé também é o seu lugar. Eu volto sempre.

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