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Reserva 51 Singular: aroma complexo e doçura contida

Por Dirley Fernandes

O tom de um dourado mais profundo, quase acobreado, da Reserva 51 Singular já indica que não estamos diante de uma cachaça fácil de classificar. Numa hipotética butique de cachaças, ela deveria estar na prateleira da umburana ou na de carvalho? Desde já, digo que é uma pergunta sem resposta, que se revela desimportante ao primeiro trago. A Singular apresenta um equilíbrio bem particular entre as duas madeiras. Mas, como convém, vamos por doses. Reserva 51 Singular

Em  relação à parte visual, é preciso destacar o cuidado com a embalagem por parte dos produtores da linha extra premium da Cia. Muller – que tem, além da Singular, as variedades Única (leia aqui) e Rara (aqui). A garrafa tem desenho elegante, remetendo a aperitivos clássicos e mantendo a capacidade de 700 ml das garrafas tipo “Cachaças do Brasil”. Os rótulos minimalistas seguem a mesma linha de sobriedade.

Talvez o que diferencie mais a Singular no panorama das cachaças extra premium seja a complexidade e potência de seus aromas. É bebida que deve ser apreciada preferencialmente em taças, para que a borda mais estreita evite a fuga dos componentes do buquê. A primeira impressão é a de caramelo denso e de mel, mas tudo com uma marca de cítrico que agrega frescor ao conjunto. É uma característica bem marcante que aponta para um uso muito bem sucedido da umburana.

A umburana, madeira brasileira da mais alta estirpe, nas mãos de um master blender menos cuidadoso – ou talentoso –, não raro produz cachaças excessivamente adocicadas, eventualmente até verdadeiros xaropes. Os excessos costumam ser creditados à vontade de “agradar ao paladar feminino”, o que tem até um quê de insultuoso.

A Reserva 51 Singular é envelhecida por entre quatro a cinco anos em carvalho americano – mais “leve” que o francês. Uma parte do lote vai para um período de finalização na doçura da umburana. Depois, o blend entre as duas partes forma o produto final.

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As três variedades da linha extra premium Reserva 51

O que temos na boca, como resultante desse processo, é uma cachaça de corpo médio com uma doçura bem contida. Sentimos os sabores de baunilha e do coco, emprestados ao carvalho americano, e aquele fundo que remete a cestas de frutas muito maduras em cima de mesas senhoriais em fazendas antigas, típico da umburana. A mescla funciona bem; a descoberta da complexidade de sabores diverte. A marca final é a de um rico e uníssono amadeirado.

O final é docemente agradável, sem travo de álcool (o teor alcoólico é baixo, 40%) e com boa persistência. Como acontece com a Rara, também da linha Reserva 51, a Singular é fácil de beber, mas guarda mistérios que agradarão aos paladares mais experimentados. Sobretudo, em seu interessante equilíbrio no qual nenhuma das partes do blend se mostra embotado, a Singular faz jus ao seu nome de batismo.

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