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Tibiriçá, em Santa Cecília, lança Carta de Cachaças com boas novidades

Por Dirley Fernandes

Mais um lugar se ergue em meio a tantos estabelecimentos que fazem mais do mesmo e implanta, com a devida seriedade que o tema merece, uma Carta de Cachaças digna do nome. É o Armazém Alvares Tibiriçá, em Higienópolis, na capital paulista. Como se não bastasse, a carta ainda é assinada por Milton Lima, mestre no ofício (afinal, a carta de cachaças da Cachaçaria Macaúva, da qual ele é proprietário, foi eleita uma das melhores cartas de bebidas do Brasil pela prestigiosa revista Prazeres da Mesa).

A carta, como seria de se esperar, é um primor, cobrindo regiões produtoras, diferentes madeiras de envelhecimento e com novidades interessantes. A novidade foi apresentada numa degustação dirigida pelo autor da carta na noite de terça-feira, reunindo cerca de 40 devotos no despojado bar paulistano.

Milton Lima
Milton Lima

Durante a degustação, Milton Lima, que é da Cúpula da Cachaça, repetiu alguns de seus credos cachacísticos: “Não existe a melhor cachaça do mundo. Mas cada um tem a sua cachaça”; “Não há uma forma certa de beber cachaça, essa é uma que eu gosto e por isso vou mostrar para vocês”; “Madeira na cachaça é bom, mas deixa de ser quando desvia demais a atenção dos sabores originais”.

Quanto à carta, ela é composta por 16 cachaças. Entre elas, chamou a atenção a presença da Matriarca. Essa cachaça de cor dourada é produzida em Caravelas, no sul da Bahia. Com 42% de teor alcoólico e um sabor agreste e frutado, ela é envelhecida em uma das muitas variedades de jaqueiras existentes na flora brasileira.

A jaqueira é madeira de uso recentíssimo no envelhecimento da cachaça, mas tem sido pesquisada por produtores em diferentes estados. “O Brasil é riquíssimo em madeiras”, comentou Milton Lima, ao apresentar a cachaça. E perguntou: “Por que não explorarmos essa riqueza em vez de nos contentarmos apenas com o carvalho, como fazem tantos produtores?”.

Para a degustação, Milton lançou mão de seis das cachaças da carta. A primeira foi a Leblon (Patos-MG), cachaça ideal para drinques; a segunda, a Tiê, de Aiuruoca (MG), boa cachaça armazenada em inox, de presença recente no mercado e sabores bem expressivos.  A terceira da noite foi a tradicionalíssima Claudionor, de Januária (MG), com seu toque contido da doçura da umburana e aromas deliciosos.

Carta com muita informação
Carta: muita informação

A degustação seguiu-se com a Reserva 51 Singular, cachaça de Pirassununga, terra natal de Milton Lima. Já comentada aqui, a ótima cachaça, que passa por carvalho americano e é finalizada em umburana, foi bem recebida, assim como a quinta da noite, a Da Tulha. Paulista de Mococa, essa cachaça se destaca pelo uso inteligente do carvalho europeu, que lhe confere complexidade, mas sem torná-la excessivamente domesticada. A degustação se encerrou com a Matriarca. O professor Cesar Adames, da Cúpula da Cachaça, elegeu essa como a sua favorita da noite. “É interessante ver um produtor trazer uma coisa nova. Precisamos de mais experiências como essa, que desafiem o nosso paladar”.

Entre outros destaques da carta – repleta de informações interessantes – estão a Havaninha, uma das representantes da produção de Salinas (MG), a Sebastiana (Ibaté-SP), envelhecida por um ano em castanheira, além da Reserva 51 Única, também já comentada aqui. Para não dizer que não faltou nada, as produções gaúcha e fluminense não entraram na carta – ainda.

O Armazém Alvares Tibiriçá fica na Marquês de Itu, 847 (tel. 2365-1671). A casa tem também cervejas especiais e um cardápio de petiscos bem bacana, com destaque para os bolinhos.

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