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Bendita Marvada: série de TV mostra como a cachaça conquistou todas as classes

Por Dirley Fernandes

O episódio dessa sexta-feira da série Bendita Marvada tem como mote Em direção à elite. A série vai ao ar às 21 horas pelo canal Mais Globosat. O tema merece uma digressão.

No documentário Devotos da Cachaça (2010), dirigido pelo editor deste site, Lenir Costa, proprietária do Nó de Corda, na Barra da Tijuca, bairro de classe média alta do Rio de Janeiro, revela a resistência do shopping onde sua loja está estabelecida quando ela quis transformar sua casa de massas em uma cachaçaria. “Disseram que só atrairia pinguço, peão de obra, mendigo, só coitadinhos que não interessavam ao shopping”, conta a alagoana.

Pois a cachaçaria foi aberta a despeito da oposição e atraiu o peão de obra, sim, mas também muitos jovens artistas, jornalistas, servidores, advogados, médicos e herdeiros que não trabalhavam para ninguém num saudável furdunço que animou as noites da Zona Oeste e em muito colaborou para a difusão da cachaça. A casa segue firme e forte ainda hoje, 20 anos depois dessa história.

O tal administrador do shopping, além de preconceituoso, era incapaz de sentir a mudança dos ventos. A cachaça, naquele final de século XX, preparava-se para retomar o status que ela sempre tivera em todas as classes sociais e que tinha sido tisnado por um século de difamação. Ligada à brasilidade e conectada ao escravo e ao “cabra” dos canaviais, a cachaça envergonhava a elite do fim do século XIX, que se queria francesa e se constrangia até de sua origem lusitana, o que dirá de sua evidente mestiçagem.

A cachaça foi marginalizada por essa elite, mas voltou gloriosa quando o Brasil começou a deixar de sentir vergonha de sua cultura popular, o que se deu em movimentos pouco sustentáveis já desde a década de 1920, mas com muita força a partir do final dos anos 1980. A partir daí, estava aberto o caminho de volta para a aceitação social da cachaça por todas as classes sociais.

Pirajá: dezenas derótulos e até marca própria (Foto: Cesar Adames)
Pirajá: dezenas de rótulos e até marca própria de cachaça (Foto: Cesar Adames)

Em seu oitavo episódio, o Bendita Marvada  vai mostrar como, hoje, a cachaça já abriu seu caminho, do boteco ao restaurante mais requintado. A “amiga do povo” também é hoje, a bebida dos abastados. Ainda, eventualmente é vista com preconceito, sim. Só que esse preconceito deixou de ser visto como natural, o que comprova a sua (re)valorização social.

Para remontar essa história, o apresentador da série, Arthur Veríssimo, conversa com uma dupla que teve papel importante nessa trajetória: o chef Rodrigo Oliveira, que transformou o ótimo restaurante Mocotó, em São Paulo, no queridinho de todas as classes sociais, e Leandro Batista, o sujeito que foi organizar a prateleira de cachaças da casa, enfurnou-se nesse mundo e tornou-se sommelier e grande especialista, ensinando sobre o nosso destilado para milhares de clientes e colegas de ofício há mais de uma década.

Direto de seus alambiques, Walter Caetano, da Germana, e Luiz Otávio Pôssas Gonçalves, da Vale Verde, remontam a trajetória das duas marcas, as quais foram pontas-de-lança na conquista das mesas mais sofisticadas para a cachaça. Felipe Jannuzzi, criador do Mapa da Cachaça, e a sommelière Isadora Bello Fornari são outros dos entrevistados que traçam o panorama da conquista da elite pela cachaça, exemplificada pela presença do destilado em lugar de honra nos bares pé-limpo, como o paulistano Pirajá.

A direção da série e de John Porciúncula. Mais sobre a produção, aqui. O Mais Globosat pode ser visto nos canais 44 e 544 na NET, Sky e Claro TV; 57 e 357 da Vivo TV, além do 67 e 535 da Oi TV, entre outros serviços. E também pelo Globosat Play.

 

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