Inicio / Manoel Agostinho Lima Novo / Um roteiro pelos alambiques gaúchos

Um roteiro pelos alambiques gaúchos

Por Manoel Agostinho Lima Novo

Dessa vez eu não fui muito longe, como na viagem que relatei na última coluna, na qual falei da minha passagem pela Escócia, terra dos single malts. Nas últimas semanas, fiquei aqui mesmo na terra da cachaça.

A Confraria Gaúcha de Cachaças me fez um convite para palestrar nos Pampas em comemoração ao Dia Nacional da Cachaça (13/09). Todos que me conhecem sabem que não sou homem de recusar um convite desses, ainda mais para falar do nosso destilado. Assim sendo, fiz as malas e fui.

Ir ao Rio Grande e não visitar os famosos alambiques gaúchos, como Harmonie Schnaps, Bento Albino, Casa Bucco, Weber Haus, Velho Alambique e Unser  Schnaps é como ir ao Vaticano e não ver o Papa. Descrevo o meu roteiro e aconselho a todos os devotos da cachaça: sigam meus passos, porque é o mapa do tesouro das cachaças gaúchas.

Na chegada estava no aeroporto Salgado Filho o dr. José Darci Soares, que há alguns anos vestia toga e mandava prender bandido e agora é nada mais nada menos que presidente da Confraria – a qual é, diga-se de passagem, muito bem organizada. Dali, começamos a visita aos alambiques gaúchos. De saída, seguimos para Maquiné onde a Dona Luzia de Abreu nos esperava para degustar sua cachaça – a Bento Albino – e almoçar uma galinha especialmente preparada para nós.

Almoçados, fomos visitar – e lanchar – na cachaçaria do vereador Leandro Augusto, na cidade de Harmonia. A próxima parada foi a bela pousada da Casa Bucco, onde o Sr. Moacir Menegotto já nos esperava para provar suas cachaças e seus drinques e, obviamente, jantar. Depois do jantar, veio um bate-papo informal com alguns membros da confraria, onde se falou de tudo – tudo sobre cachaça, claro.

Casa Bucco, no belo Vale das Antas
Casa Bucco, no belo Vale das Antas

No outro dia, fomos visitar o Ivandro Remus no seu alambique numa cidade muito pitoresca chamada Santa Teresa, na região do Vale dos Vinhedos. Ali, ele produz a Velho Alambique e a Locomotiva. À noite, uma palestra daquela de arrepiar, com prefeito e políticos da região assistindo, toda a confraria e muitos convidados – nada menos que 200 pessoas. Este que aqui escreve não deixou a batuta cair: falei da história da bebida, sua participação na cultura do Brasil, foquei o dia 13 de setembro como o Dia Nacional da Cachaça, discorri sobre os tipos de cachaças e noções de degustação. Depois da enxurrada de perguntas, todas respondidas, foi servido o jantar, regado às melhores preciosidades daquele estado.

O domingo foi reservado para a visita à Weber Haus e à Unser Schnaps. À noite, uma rodada de papo de cachaça na filial da confraria, em Porto Alegre – a sede fica em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha –, regada ao um churrasco como só os caras daquela terra sabem fazer.

De novidade, trouxe na bagagem a informação de que a turma dos alambiques gaúchos agora cismou de produzir cachaça armazenada em umburana,. Todos estão fazendo e, olha, fazendo muito bem. Os guapos sabem fazer cachaça e, principalmente, sabem inovar, utilizando conhecimentos técnicos avançados para renovar as técnicas tradicionais. Tudo que botam a mão dá certo.  Para a nossa felicidade, obviamente.

Este é o Brasil da Cachaça e esta é a cachaça do Brasil!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

giay nam depgiay luoi namgiay nam cong sogiay cao got nugiay the thao nu

Devotos em seu e-mail