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Indaiazinha: a potência da tradição

Indaiazinha 1Por Dirley Fernandes

Há  cachaças que apenas por terem seu nome pronunciado já detonam nos devotos uma avalanche de sensações. Corpo, mente e alma se preparam para o momento ansiado da degustação. Entre essas está, sem dúvida, a Indaiazinha, cachaça salinense que está em quase todas as listas de preferências dos indivíduos mais aprofundados nos mistérios da marvada.

A Indaiazinha é, sobretudo, uma cachaça tradicional, uma representante de uma escola de produção que hoje não está na vanguarda, mas que deve ser preservada a todo custo, em nome da variedade – esse grande patrimônio do nosso destilado.

Sua personalidade já está estampada no rótulo – sem imagens, com layout simples, letras verdes sobre fundo amarelo. A garrafa é a mais tradicional em uso no país: âmbar, de 600 ml, do tipo usado para cerveja. A tampa metálica, no entanto, foi trocada por uma rolha plástica que garante a sobrevivência da bebida depois de aberta por anos a fio.

Na taça, ela brilha, com o tom dourado do bálsamo, a madeira por excelência das cachaças de Salinas. As bolhas que se formam com o agitar se desfazem lentamente e as lágrimas escorrem pelo cristal com vagar, o que revela a viscosidade perfeita e o teor alcoólico elevado (48%) que tanto agrada aos devotos mais experimentados.

O aroma de álcool persiste após os oito anos em que a cachaça extraiu complexidade dos barris de bálsamo. E vem com notas cítricas e de aniz, espalhando deliciosamente um ar doce e fresco pelo ambiente. O sabor se distribui por todos os cantos boca. Estamos falando de potência, generosidade, mas sem excessos de adstringência. Os taninos se mostram mais suaves do que em outras cachaças da região e em bebidas com tanto tempo de envelhecimento. A persistência é longa, com o teor alcoólico cobrando um certo preço.

A Indaizainha é produzida desde 1958 na Fazenda Sobradinho, pelos mesmos produtores da Beija-Flor. É uma das cachaças que fizeram e fazem a fama de Salinas. Ela pode ser encontrada por preços em torno de R$ 130 em sites como o Feira da Cachaça. Esta, com certeza, vale o preço elevado, que se explica pela produção limitada e os longos cuidados dispendidos em seu ciclo de amadurecimento.

indaiazinha
O brilho dourado da Indaiazinha

 

Um comentário

  1. “…representante de uma escola de produção que hoje não está na vanguarda, mas que deve ser preservada a todo custo, em nome da variedade…”
    Adorei este comentário. Viva a variedade e viva a tradição como forma de registro, cultura, história!

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