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Prateleira de pub em Edimburgo: fartura de opções

Direto da Escócia, uma pergunta: por que não tratamos a cachaça como eles tratam o whisky?

Por Manoel Agostinho Lima Novo

Quando recebi o convite para escrever esta coluna, o amigo Dirley Fernandes pediu-me para escrever atualidades, mas, hoje, pedirei licença para explorar dois episódios antigos que, de certo, vão iluminar ainda mais um evento novo.

Há cerca de três anos visitei o México, mais precisamente Jalisco, para conhecer um pouco da produção de tequila, o spirit mexicano. Cumpri o roteiro e aprendi muito por lá. Mas também tive lições importantes durante os momentos de esbórnia. Passei pelos bares da vida mexicana e percebi que, em todos eles, fossem simples ou sofisticados, havia uma carta de tequila e dezenas de marcas e tipos daquela bebida na prateleira.

Há dois anos, ou perto disto, fui convidado para participar de um ranking de piscos em Lima, capital peruana, e a associação de produtores local me levou a conhecer bares e restaurantes. Lá, acontecia a mesma coisa que no México: várias marcas e tipos da bebida local enfeitavam prateleiras e fantásticas cartas eram disponibilizadas para os frequentadores.

Hoje, estou saindo de Edimburgo, depois de visitar Elgin, Glasgow e outras cidades. E, aqui na Escócia, como acontece no Peru e no México, todos – eu disse TODOS – os pubs e restaurantes possuem uma ampla variedade de uísques, oferecem uma carta elaborada com profissionalismo e demonstram o orgulho de serem o único país produtor do Scotch Whisky.

Bom, aonde quero chegar? Numa questão que me persegue: por que, no Brasil, o único produtor de cachaça no mundo, os bares e restaurantes tem duas ou três marcas, muitas vezes de baixa qualidade, não têm carta – ou quando tem, é elaborada da forma mais precária possível – e, pior, muitas vezes têm até vergonha da bebida?

Como sempre falo em minhas palestras, é um trabalho de formiguinha, mas, mesmo assim tem que ser feito diuturnamente. Devemos ter orgulho do nosso destilado nacional, como os outros países têm. Não vou sequer falar agora das qualidades e diferenciais da cachaça, que a põem – no mínimo! – em pé de igualdade com os outros destilados nacionais citados. Apenas repito esse fato: a cachaça é o destilado nacional brasileiro. Ela é nossa!

Prateleira de pub em Edimburgo: fartura de opções
Prateleira de pub em Edimburgo: fartura de opções (Foto: Manoel Agostinho Lima Novo)

 

Um comentário

  1. Caro Manoel
    Primeiro quero te parabenizar por este novo trabalho. Colunas assim, com certeza, ajudarão a divulgar a nossa branquinha. Se não lembra, sou o colecionador de Curitiba, que teve o prazer de sua visita e de ter sua obra autografada.
    Compartilho este sentimento sobre o descaso como a cachaça é tratada pelos brasileiros. Na maioria dos bares restaurantes e hotéis que frequento não encontro cachaças, quando muito uma ou outra marca e as caipirinhas raramente com cachaça artesanal, quando muito com produtos “de coluna”. É lamentável, mas pergunto se nossos grandes produtores não estão se dedicando apenas ao mercado externo e esquecendo de divulga-lo, por exemplo, nas associações de bares e restaurantes.
    É certo que o mercado externo é promessa de garantia de sucesso, mas precisamos começar com nosso público para que se torne um produto de orgulho nacional e como símbolo de qualidade sem custo exagerado.

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