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O que tem de bom no C… do Padre

Por Dirley Fernandes

Não tem boêmio paulistano que faça por merecer o epíteto que não conheça o famoso C… do Padre. A casa, em Pinheiros, serve batidas e pingas há 50 anos, dia e noite adentro, com garbo e elegância, resistindo à premiunização dos botecos, ao Programa de Silêncio Urbano (Psiu), à mudança de dono e ao que mais vier.

Parece um milagre, que poderia ser creditado à Nossa Senhora de Monte Serrat, a quem é consagrada a igreja que fica diante do Largo da Batata. Uma ruazinha lateral, a Campo Alegre, leva até aos fundos do templo, onde encontramos… o C. do Padre, claro.

O bar não tem portas. É verdade! As mesas se espalham pela estreita calçada da esquina, pelo lado de dentro do espaço clássico e num “anexo”, que ampliou a área do bar há pouco mais de um ano. Está sempre cheio, com um público eclético e, como diz o Seu Luiz, dono da casa, “alternativo”. Luiz Bianchi comprou, há seis anos, o bar dos antigos sócios e fundadores, que se mantiveram atrás do balcão até os últimos dias de vida.

Luiz mantém com orgulho o estilo muito peculiar da esquina, com uma decoração old style – armários antigos, embutidos pendurados… “O pessoal vem aqui e fala: ‘ah, eu vim porque meu pai sempre vinha e mandou eu vir’. É um barato, viu?”, conta. Com as campanhas pelo respeito á Lei do Silêncio, o C...  do Padre teve que se adaptar. À uma da manhã, as mesas do lado de fora são recolhidas, mas a função continua na parte interna. Na quinta-feira passada, quatro da manhã era cedo.

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O nome oficial do estabelecimento é Bar das Batidas. E elas são as estrelas da casa. Outrora, eram preparadas pelo fundador Narciso Moreno, com lendários “malabarismos”.  Vêm num copo generoso, meio ao estilo “on the rocks”, e são servidas, exatamente, com gelo. São densas e muito adoçadas, próprias para enfrentar uma fria noite no inverno paulistano. A de amendoim com coco, juntando os dois sabores clássicos do reino das batidas, é uma das favoritas da freguesia e leva o nome de Zé Trovão. Os dois sabores são servidos em duas camadas que vão se misturando ao gosto do freguês (ou “sócio”, como são chamados os frequentadores, na tradição da casa).  Custa R$ 12. Outras opções interessantes combinam caju com abacaxi e goiabada com coco.

As opções de cachaça pura são relativamente poucas, mas absolutamente decentes: Claudionor, Da Tulha, Germana e Espírito de Minas, por exemplo, garantem a noite dos devotos.

No quesito comida, a casa também mostra seus valores: porções de coxinhas sequinhas e o sanduíche de pernil comme Il faut são as favoritas desse devoto. Mas a pedida clássica mesmo é o sanduíche de linguiça calabresa com picles e cebola. Acompanhado de uma Germana e de uma Serra Malte, ele comprova que ainda existe muito amor em SP. E salve Nossa Senhora de Monte Serrat!

 

 

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